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Efeitos da covid-19 podem durar mais de cinco meses

Fadiga, falta de ar e perturbações cognitivas estão entre os sintomas mais comuns da chamada condição pós-covid, segundo a Organização Mundial de Saúde, que publicou recentemente a respetiva definição clínica.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
19 outubro 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Fátima Ramos
Nariz feminino a cheirar uma tangerina

iStock

Covid longa, síndrome pós-covid e covid persistente são alguns dos nomes dados a um conjunto de sintomas que surgem após a recuperação da infeção por SARS-CoV-2 e que são associados à doença. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) chamou-lhe condição pós-covid-19, definindo-a como algo que "ocorre em indivíduos com história de infeção por SARS-CoV-2, confirmada ou provável, nos três meses que se seguem ao aparecimento da covid-19 com sintomas; dura, pelo menos, dois meses e não pode ser explicada por um diagnóstico alternativo". Estes sintomas podem persistir após a infeção inicial ou ser novos, surgindo depois da recuperação. Podem, ainda, manter-se ao longo do tempo, com intensidade variável, ou desaparecer e ressurgir.

De acordo com a OMS, a fadiga, a falta de ar e as dificuldades cognitivas, incluindo problemas de memória, atenção e equilíbrio, são dos sintomas mais comuns. Contudo, existem muitos outros com impacto nas atividades diárias.

Já foram reportadas mais de duas centenas de sintomas, com consequências em praticamente todo o organismo. A lista inclui, por exemplo:

  • fadiga, suores, fraqueza muscular, dores nas articulações e nos tendões, perda de peso e febre intermitente;
  • dificuldade respiratória, tosse, espirros e redução da capacidade pulmonar;
  • stresse, ansiedade, depressão, perturbações do sono, “névoa mental”, tonturas e dores de cabeça;
  • diarreia, náuseas ou vómitos, perturbações digestivas, dores abdominais e redução do apetite, sobretudo, na população mais velha;
  • palpitações, aceleração ou diminuição do ritmo cardíaco, dores no peito e aumento do risco de tromboembolismo;
  • queda de cabelo, prurido e lesões na pele;
  • perda de ouvido e de olfato, zumbidos, dores de garganta e problemas de visão.

Além de terem um impacto considerável na qualidade de vida dos pacientes, estes problemas estão associados a diversas sequelas, incluindo “cicatrizes” em vários órgãos, como o coração, os pulmões, os rins e o fígado, o desenvolvimento de doenças autoimunes e a formação de coágulos sanguíneos causadores de acidentes vasculares cerebrais. 

Covid longa com fronteiras difíceis   

Os relatórios publicados indicam que a covid longa poderá afetar 10 a 20% dos pacientes com infeção por SARS-CoV-2, e o problema parece não ser exclusivo dos que sofreram de formas graves da doença. Mas as dúvidas sobre a covid-19 e as suas consequências são mais do que as certezas. A OMS reconhece o desafio, até porque muitos sintomas pós-covid são comuns a outras condições de saúde, como a síndrome de fadiga crónica, a síndrome pós-internamento em cuidados intensivos e a perturbação de stresse pós-traumático, pelo que há muita dificuldade em fixar fronteiras. A definição publicada por aquela organização baseia-se em estudos robustos e visa facilitar o diagnóstico, mas irá certamente evoluir à medida que surgirem novos conhecimentos.

O que fazer face aos sintomas?

Se teve covid-19 e mantém alguns sintomas ou surgiram novos para os quais não encontra explicação,  consulte o médico. Entretanto, pode tomar algumas medidas para reduzir o seu impacto. 

  • Fadiga. Reparta as tarefas por períodos do dia e tente parar e descansar, quando começar a sentir maior fadiga. Durma o necessário. Se tem dificuldades a este nível, siga as nossas dicas para dormir melhor.
  • Ansiedade ou depressão. Se sentir que não consegue lidar com a situação, consulte o médico de família, um psicólogo ou um psiquiatra. Exercícios de relaxamento e atividades que deem prazer podem ajudar a descontrair.
  • Problemas cognitivos. Pode ser útil recorrer ao psicólogo e fazer reabilitação neuropsicológica. O objetivo é reaprender funções, como pensar e falar.
  • Dor de cabeça. Em geral, as dores são de intensidade ligeira a moderada e podem ser tratadas com analgésicos.

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