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e-health: diagnóstico da saúde digital

14 abril 2014 Arquivado

14 abril 2014 Arquivado

Na Europa, 60% dos médicos de clínica geral utilizam ferramentas de saúde eletrónicas, um aumento de 50% face a 2007. Mas ainda há muito a fazer.

Dois inquéritos realizados ao longo de 2013 em hospitais de cuidados agudos (destinados a tratamentos e cuidados médicos e cirúrgicos de curta duração), revelaram que os países com melhor desempenho na utilização da saúde on-line nos centros hospitalares são a Dinamarca (66%), a Estónia (63%), a Suécia e a Finlândia (ambas com 62 por cento). Contudo, o recurso aos serviços de saúde em linha ainda é feito sobretudo para o registo e a comunicação tradicionais e não para fins clínicos, como a realização de consultas por via eletrónica – na verdade, apenas 10% dos médicos de clínica geral optaram por esta prática.

No que toca à digitalização dos registos de saúde dos pacientes, os melhores resultados são obtidos pela Holanda (83,2%), Dinamarca (80,6%) e Reino Unido (80,5 por cento). Mas só 9% dos hospitais europeus permitem que os utentes acedam, por via eletrónica, aos seus registos médicos e, os que o permitem, concedem apenas um acesso parcial.

Ao adotar os serviços de saúde on-line, tanto os hospitais como os médicos de clínica geral são confrontados com obstáculos que vão da falta de interoperabilidade à ausência de um quadro regulamentar.

Perante os resultados dos inquéritos, a vice-presidente da Comissão Europeia, Neelie Kroes, sublinhou a necessidade de mudar a mentalidade no setor de prestação de cuidados de saúde: “Seis em cada dez médicos de clínica geral aderiram à saúde on-line o que evidencia já algum processo, mas é preciso elevar a fasquia!”.

Motivos para a não adesão
Quando questionados sobre os motivos que os levam a não recorrer mais frequentemente aos serviços de saúde eletrónica, os médicos justificaram-se com a remuneração insuficiente (79%), o conhecimento insuficiente de ferramentas de tecnologia e informação (72%), a inexistência de interoperabilidade nos sistemas (73%) e a ausência de um enquadramento regulamentar relativo à confidencialidade e privacidade na comunicação entre médico e paciente (71 por cento).

Mesmo assim, na União Europeia (UE), 48% dos hospitais partilham, eletronicamente, informações médicas com médicos de clínica geral externos. No entanto, são menos de 8% os hospitais que partilham, por esta via, informações médicas com entidades prestadoras de serviço sediadas noutros países da UE.

Só 9% dos hospitais oferecem aos doentes a possibilidade de monitorização à distância uma prática que, se fosse incrementada, permitiria reduzir a necessidade de permanência hospitalar e aumentar a segurança de uma vida independente. O recurso às tecnologias da informação forma consumidores mais informados, com capacidade para tomar decisões acertadas no estilo de vida e, consequentemente, menos doenças e maior capacidade para as gerir e tratar. Aceder a um conjunto de cuidados sem sair de casa ou da zona de residência são outras das vantagens. Por seu turno, com mais informação sobre o doente, os profissionais correm menos risco de errar, aumentando a segurança e qualidade dos cuidados.

Comissão Europeia lança consulta pública
Entretanto, a 10 de abril a Comissão Europeia (CE) lançou uma consulta pública sobre a chamada m-health (a saúde apoiada pelas comunicações móveis), a qual decorre até 4 de julho.

Com esta iniciativa, inserida no chamado "green paper on mobile internet", a CE quer saber a opinião relativa aos principais problemas da m-health dos principais intervenientes do setor. Até ao início do verão, autoridades nacionais e regionais, profissionais de saúde, especialistas na web, empresas de desenvolvimento de aplicações informáticas e os próprios consumidores, entre outros, são convidados a responder ao questionário, on-line ou via e-mail.