Notícias

Drogas: consumo geral cai, mas cannabis continua em alta

08 janeiro 2015

08 janeiro 2015

O consumo de drogas em Portugal está em queda e cada vez mais pessoas procuram ajuda. No entanto, parece que a cannabis continua a encantar, sobretudo os mais jovens.

Há uma redução do consumo de drogas na população em geral. Esta é uma das principais conclusões do relatório anual sobre a situação do país em matéria de drogas e toxicodependência, apresentado ontem. A análise é do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), do Ministério da Saúde. Baseia-se em diversos estudos, que abrangem o período de 2000 a 2014.

Entre 2007 e 2012, o número de pessoas com pelo menos uma experiência de consumo caiu de 12 para 9,5 por cento. Diminuiu também, de 31% para 28%, a taxa de consumo frequente.

O nosso país apresenta prevalências de consumo de substâncias ilícitas abaixo dos valores médios europeus. Entre os portugueses dos 15 aos 64 anos que experimentaram drogas pelo menos uma vez, 9,4% optaram pela cannabis (0,7% dos quais apresentaram sintomas de dependência), 1,3% pelo ecstasy e 1,2% pela cocaína. Quando o assunto são as novas substâncias psicoativas, 0,4% da população admitiu pelo menos uma experiência. Além disso, houve uma diminuição do consumo de drogas injetáveis, bem como do número de toxicodependentes infetados com o vírus VIH.

Tendências preocupantes
Os homens continuam a ser os consumidores mais frequentes. No entanto, entre 2007 e 2012 verificou-se um aumento do consumo entre as mulheres, particularmente no caso de algumas drogas, contrariando a propensão geral de queda.

Lisboa, Alentejo e a Região Autónoma dos Açores são as áreas mais afetadas. Os jovens adultos, entre os 15 e os 34 anos, apresentam prevalências de consumo mais elevadas do que a restante população, nomeadamente em relação à cannabis. Em 2010 e 2011, esta foi mesmo a droga mais consumida pela população escolar. Chegou a 2,3% dos alunos com 13 anos e a 29,7% dos alunos com 18 anos, valores próximos aos de outras drogas (4,4% nos 13 anos e 31,2% nos 18 anos).

Entre os jovens europeus dos 15 aos 24 anos, os portugueses são os que encaram a cannabis como a droga ilícita menos arriscada para a saúde, bem como a mais acessível. Essa perceção de risco aumentou em Portugal entre 2011 e 2014, contrariando a tendência dos demais países europeus, onde cada vez mais jovens tendem a retirar importância ao impacto da substância na saúde.

Tratamentos aumentam
Em 2013, havia 28 133 utentes inscritos em consultas de unidades públicas com problemas relacionados com o uso de drogas, 4 mil dos quais deram entrada esse ano. Dos que iniciaram tratamento, 2 154 eram readmitidos e 1 985 recorreram pela primeira vez à rede (metade dos quais tendo como droga principal a cannabis).

Os números revelam um aumento de novos utentes a procurar ajuda. Nos últimos 4 anos, aumentou o fosso entre as idades dos utentes que começaram a ser tratados. Por um lado, surgiu um grupo cada vez mais jovem de novos utentes. Por outro, foram readmitidos muitos utentes mais velhos, prováveis consumidores desde o boom das drogas nos anos 80 e 90.