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Diabetes: soluções menos invasivas com comparticipação

Dispositivos evoluem em 37 anos

Os doentes com diabetes tipo 1 que utilizam os dispositivos mais cómodos para medir a glicose e administrar insulina beneficiam de comparticipação. No caso do sensor, o custo desce de € 53 para 7,95 euros.

01 março 2018
medidores insulina

Thinkstock

Carla Cruz tem 43 anos e descobriu que tinha diabetes tipo 1 há 37 anos. Na altura, só era possível fazer o controlo da doença através de análises clínicas. Atualmente, a Carla não dispensa o sensor e a bomba de insulina.

medidores insulina

 Carla Cruz utiliza bomba para programar administração de insulina há 3 anos.

Nestes 37 anos a conviver com a diabetes, como tem sido a evolução?

É completamente diferente. Ainda sou da altura das agulhas, em que tinha de usar uma lamparina para desinfetá-las e a administração de insulina era apenas uma vez por dia. Era uma questão de sobrevivência, nem sequer havia as picadas no dedo, era um descontrolo. Na altura, ninguém sabia que eu tinha diabetes. Não sei se foi uma forma de os meus pais me protegerem porque, há uns anos, falar de diabetes era sinónimo de cegueira e de amputações e, portanto, sempre foi uma informação muito familiar. Depois, passei pela fase das canetas para administrar insulina, um processo muito mais fácil e que muitas pessoas usam. Atualmente tenho a bomba, que já uso há 3 anos.

O que mudou na sua qualidade de vida desde que passou a usar a bomba e o sensor de glicemia?

Dantes, eram, em média, umas dez picadas por dia, antes e depois das refeições. Já não tenho impressões digitais, de tantas vezes que picava os dedos. Agora, passo a máquina pelo sensor e obtenho com uma grande facilidade o nível de glicemia. Dá para controlar a glicemia muito mais vezes do que se tivesse de picar os dedos. É muito mais fácil, prático, discreto e com muito menos picadas nos dedos. Em relação à bomba, é exatamente o mesmo. Pode ser programada para descarregar insulina quando é mais necessário, de acordo com as necessidades de cada pessoa. Além disso, com a bomba também é possível interromper a administração de insulina, algo que não dá para fazer com as canetas.

O seu dia-a-dia é normal, sem grandes preocupações e restrições?

Sim, mas isso implica muita disciplina da nossa parte. Por exemplo, imagine que a bomba não está a disparar as quantidades de insulina suficientes numa determinada altura do dia. É necessário fazer um acerto. Mas isso só é possível se eu medir os níveis de glicemia e se der essa informação ao médico. Estes avanços permitem a um diabético ter uma vida dita ‘normal’.