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Dependência de videojogos é vício

A dependência de videojogos está, oficialmente, classificada como uma adição na nova edição do manual de classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde.

  • Dossiê técnico
  • Cristina Cabrita
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
20 agosto 2018
  • Dossiê técnico
  • Cristina Cabrita
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
videojogos

iStock

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, no final do ano passado, a intenção de classificar o vício dos videojogos como uma dependência. A proposta foi agora oficializada com a inclusão da dependência dos videojogos no manual de Classificação Internacional de Doenças.

Para a OMS, os videojogos inserem-se na categoria de patologia aditiva sem substância. São capazes de gerar dependentes que não precisam de uma droga para o serem, pois envolvem os mesmos circuitos e regiões cerebrais responsáveis pelos comportamentos aditivos com substância. A dependência de outros jogos já era reconhecida como uma patologia. O mecanismo de adição é semelhante ao dos jogos a dinheiro: pontuação, repetição de ciclos rápidos de jogo e reforço da auto-estima de quem tiver longos períodos de permanência no jogo.

Como saber se há dependência

Por si só, o jogo é uma atividade sem riscos para a saúde, se for praticado de forma responsável, podendo ter um aspeto lúdico importante. Mas a facilidade de acesso aos videojogos 24 horas por dia, online ou offline, pode favorecer a dependência. O ideal é jogar com moderação.

Segundo a OMS, é provável que já se esteja num quadro de dependência quando há pouco controlo sobre o jogo, nomeadamente sobre quando começa, com que frequência, intensidade, duração e término. Ou quando lhe é dada prioridade face a outros interesses (como os valores e compromissos sociais, profissionais, materiais e familiares) e se mantém ou aumenta o comportamento, apesar das consequências negativas.

Para o distúrbio ser diagnosticado, de acordo com a OMS, estes comportamentos devem verificar-se, pelo menos, durante um ano (período que pode ser encurtado quanto mais frequentes forem os comportamentos) e terem uma gravidade suficiente para terem impacto na vida pessoal, familiar, social, estudos, trabalho ou outras áreas importantes da vida pessoal.

De acordo com as orientações da associação americana de psicologia, existem algumas formas de prevenção que passam por ensinar os seus filhos a ter uma relação saudável com a tecnologia:  

  • não exagere nos limites de tempo passados em frente ao ecrã; em vez disso, ensine hábitos saudáveis;
  • explique que os tablets e computadores não são brinquedos e devem ser manuseados com cuidado, discutindo benefícios e riscos;
  • explique aos seus filhos a importância da privacidade e da proteção de informação pessoal;
  • devem ser os pais a decidir o tempo que os filhos têm para ver tablets e computadores;
  • considere restringir o uso de tecnologia 30 minutos antes de dormir;
  • tenha atenção aos sites que os seus filhos veem, ensine o bom comportamento online e incentive as relações de amizade fora da realidade virtual.

 

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