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Covid-19: quem vai ser vacinado e quando

Professores e pessoal não-docente vão ser vacinados ao longo das duas primeiras fases. Idosos com mais de 80 anos, mesmo se forem saudáveis, recebem a vacina já na primeira fase e pessoas com trissomia 21 passam também a ser prioridade.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
12 março 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Rita Santos Ferreira e Alda Mota
frascos de vacinas contra a covid-19

iStock

Há novas prioridades no plano de vacinação contra a covid-19, que arrancou em dezembro de 2020. Foram criados dois novos grupos prioritários, definidos de acordo com os objetivos da campanha de vacinação: primeiro, salvar vidas; depois, preservar a resiliência do sistema de saúde, do sistema de resposta e do Estado. A nova alteração vem, assim, incluir, já na primeira fase, pessoas com trissomia 21 com 16 ou mais anos e, ao longo das duas primeiras fases, professores e pessoal não-docente de escolas e creches.

Desde 4 de fevereiro que a primeira fase inclui todas as pessoas com mais de 80 anos, sem qualquer comorbilidade ou patologia associada, bem como titulares de órgãos de soberania ou altas funções do Estado. Estes grupos juntaram-se aos previamente definidos grupos de pessoas com mais de 50 anos e determinadas patologias associadas que serão contactados para serem vacinados até abril.

De acordo com dados disponibilizados no final de janeiro, prevê-se que Portugal receba 29 milhões de doses, o que permitirá vacinar toda a população. A vacina é universal, facultativa e gratuita, pelo que qualquer pessoa a residir no País poderá tomá-la, sem ter de pagar qualquer custo.

A administração da vacina será feita em pontos de vacinação previamente existentes ou adaptados, de acordo com a fase de vacinação e as condições regionais e locais. Tendo em conta a história clínica do doente ou o tipo de vacina, cada pessoa tomará uma ou duas doses da vacina. A data da segunda dose será comunicada pelo sistema administrativo do centro de saúde no dia de administração da primeira dose.

Três fases de vacinação contra a covid-19

O acesso às vacinas será distribuído em três fases, com os tais dois grupos prioritários.

Numa primeira fase, que começou em dezembro de 2020, começaram por ser vacinados os profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes, de centros hospitalares. Este foi o grupo pioneiro a tomar a primeira dose da vacina. A segunda dose começou a ser administrada 21 dias após a toma da primeira.

De seguida, em janeiro, a prioridade foi dada aos residentes em lares e instituições similares, aos internados em unidades de cuidados continuados, bem como aos restantes profissionais de saúde diretamente envolvidos na prestação de cuidados a doentes que ainda não tivessem sido vacinados.

Ainda nesta fase, está prevista para começar em fevereiro a vacinação das pessoas com 50 ou mais anos, que tenham, pelo menos, uma das seguintes patologias:

  • insuficiência cardíaca;
  • doença coronária;
  • insuficiência renal;
  • doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC);
  • doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

A este grupo de pessoas, a reformulação do plano de vacinação vem juntar todos os idosos com 80 ou mais anos, independentemente de terem ou não qualquer patologia ou comorbilidade, bem como as pessoas com trissomia 21 com 16 ou mais anos.

Posteriormente, e paralelamente à primeira e segunda fases, decorrerá a vacinação dos profissionais envolvidos na resiliência dos sistemas de saúde e resposta e do Estado, onde se incluem os profissionais das Forças Armadas, forças de segurança e serviços críticos, bem como:

  • titulares de órgãos de soberania;
  • altos cargos com funções no quadro do estado de emergência;
  • responsáveis da Proteção Civil, Procuradoria-Geral da República e Ministério Público;
  • professores e pessoal não-docente de escolas e creches.

Na segunda fase, prevista para começar a partir de abril, é a vez dos idosos dos 65 aos 79 anos, com ou sem patologias, que não tenham sido vacinados previamente, bem como pessoas entre os 50 e os 64 anos com diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, obesidade ou hipertensão arterial. 

Por último, numa terceira fase, pretende-se vacinar a restante população. Esta fase pode ser revista consoante o ritmo de entrega das vacinas.

Como é feito o agendamento da vacinação?

Mediante a fase em que cada utente se enquadrar, as unidades de vacinação contactam o utente, primeiro, a questionar se pretende ser vacinado e, posteriormente, a propor um agendamento. O contacto é feito preferencialmente por SMS (através do número 2424), para indicar qual a primeira data disponível.

A mensagem será semelhante à seguinte: "COVID19: Vacinacao 03/02/2020 as 09:00 na USF Alvalade. Responda: SNS.NUMERO UTENTE.SIM/NAO ate 31.jan Ex: SNS.111111111.SIM/SNS". Quando recebe a mensagem, o utente deve confirmar ou recusar a data proposta para o agendamento da vacinação, seguindo a fórmula indicada na mensagem. Face à incerteza quanto ao que acontece no caso de haver uma recusa do agendamento, sugerimos que os utentes façam um esforço para serem vacinados na data agendada.

Caso a unidade de saúde considere conveniente, nomeadamente por não existir contacto de telemóvel registado ou a SMS ficar sem resposta, mesmo após insistência, é feito um contacto telefónico direto. Se, ainda assim, não se conseguir chegar à fala com o utente, ou caso não haja contactos telefónicos disponíveis, é enviada uma carta com a proposta de agendamento.

Na véspera do dia agendado, é enviada, por SMS, ao utente a vacinar uma mensagem a recordar a data e a hora do agendamento.

E se não for seguido pelo Serviço Nacional de Saúde?

Se pertencer a um dos grupos prioritários mas não for seguido no Serviço Nacional de Saúde, deve obter junto do médico que o/a segue uma declaração médica comprovativa da sua inclusão na fase 1 da vacinação contra a covid-19 de forma a permitir o agendamento automático num agrupamento de centros de saúde (ACES). A declaração médica é emitida eletronicamente, através da prescrição médica eletrónica, e o utente é informado por SMS. Também existe a possibilidade de o utente preencher um formulário online.

Arestas a limar no plano de vacinação

Até à data, a Comissão Europeia chegou a acordo com seis empresas farmacêuticas para a aquisição das vacinas. Todas as vacinas contra a covid-19 que venham a ser aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento serão seguras e eficazes.

Contudo, achamos necessário clarificar algumas questões do plano de vacinação, nomeadamente definir prioridades para a terceira fase. Esta população sobrante tem também grupos mais urgentes do que outros, como os doentes oncológicos com menos de 50 anos, por exemplo. É, além disso, fundamental prever a necessidade de aumentar os recursos humanos para que o plano seja colocado em prática (por exemplo, enfermeiros nos centros de saúde). 

Consideramos da mesma importância garantir a coordenação entre as diferentes marcas das vacinas. Ou seja, garantir que as pessoas tomam o mesmo tipo de vacina na primeira e na segunda doses. Acreditamos que esta articulação está prevista pelas instituições de saúde. 

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