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Covid-19: 77% dos inquiridos querem ser vacinados

Vacinar a maioria da população cria imunidade de grupo, mas 9% dos inquiridos recusam-se e 14% hesitam, sobretudo por receio dos efeitos secundários. Mais informação sobre as vacinas e maior transparência sobre a aprovação e distribuição têm impacto no sucesso da vacinação.

  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Susana Santos
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Filipa Nunes
04 fevereiro 2021
  • Dossiê técnico
  • Ana Almeida e Susana Santos
  • Texto
  • Cécile Rodrigues e Filipa Nunes
frascos da vacina covid-19

iStock

Há mais de um ano que o coronavírus entrou nas nossas vidas e que, de forma direta ou indireta, nos afetou a todos. O inquérito da DECO PROTESTE revela que poucos acreditam que haja uma retoma da economia e que nos livremos desta pandemia antes de 2022. O processo de vacinação, que arrancou a 27 de dezembro de 2020, vai levar algum tempo a cobrir toda a população. Além disso, sendo a decisão individual, há que garantir que a maioria está informada e vai aderir, sob pena de não se conseguir a desejável imunidade de grupo. 

O inquérito internacional feito, em janeiro, em Portugal, Espanha, Itália e também na Bélgica, e conduzido pela DECO PROTESTE no nosso País, revela que 9% da população recusa a vacina e 14% ainda está indecisa. Apenas metade dos inquiridos afirma querer vacinar-se assim que for possível e um pouco mais de um quarto prefere aguardar. Dos países que participaram no estudo, a Bélgica é o mais cético, com quase um quinto dos belgas a afirmar que recusam a vacina contra a covid-19.

Está disposto a vacinar-se contra a covid-19?

Inquérito vacina covid

Receio dos efeitos secundários das vacinas

Três quartos dos inquiridos defendem que a vacina é fundamental, mesmo junto dos jovens e da população saudável, pois permite reduzir o risco de contágio de toda a população. Metade dos inquiridos considera mesmo que a vacina deveria ser obrigatória. Para se obter imunidade de grupo, fundamental para impedir que uma doença se propague, é necessário vacinar grande parte da população.

Estar bem informado é o primeiro passo para se tomar uma decisão. O inquérito da DECO PROTESTE realça que mais de um quarto dos inquiridos portugueses considera não dispor de informação suficiente.

Mais de um quarto dos inquiridos dizem estar mal informados sobre a vacina da covid-19 

Inquérito vacina covid

 

O receio dos efeitos secundários, o facto de não se fazer parte de grupos de risco e a desconfiança face à rapidez com que as vacinas foram produzidas e aprovadas são as principais razões apontadas pelo grupo dos que ainda não se decidiram, os que não querem de todo e os que querem vacinar-se mas preferem aguardar, de acordo com este estudo estatístico. 

Considero-me bem informado(a) sobre a vacina da covid-19 no que toca a...

Inquérito vacina covid

Verifica-se que a vontade de receber a vacina sem reservas aumenta consideravelmente junto dos inquiridos que se dizem bem informados, que convivem de perto com pessoas de risco ou que perderam amigos e familiares vítimas da covid-19.

Entre os 9% que afirmam não querer vacinar-se de todo, além do receio dos efeitos secundários (67%), 45% não confiam no processo de fabrico da vacina e 37% não acreditam na sua eficácia. Mais de metade destes (54%) pensam que existem interesses políticos e económicos por detrás das vacinas anti-covid. 

A vacina vai ser eficaz?

Mais de um terço dos inquiridos acreditam que a vacina é um meio totalmente eficaz para evitar o contágio e um maior número de participantes defende que irá reduzir a gravidade da doença e dos sintomas e, por conseguinte, a taxa de mortalidade por causa da covid-19. Mas quando questionados relativamente à eficácia face a novas variantes do coronavírus, as certezas parecem esbater-se. 

Acredito que a vacina vai ser eficaz para...

Inquérito vacina covid

Optar pela vacinação é uma decisão individual com peso na sociedade. Vacinar a maioria da população cria imunidade de grupo: caso surja uma infeção, é mais difícil transmiti-la. Quando poucos estão imunizados (vacinados), as doenças contagiosas espalham-se facilmente pela população, como se verificou no passado recente, com alguns surtos de sarampo, por exemplo. 

Todos os medicamentos, incluindo as vacinas, podem provocar efeitos secundários. Mas, na maioria dos casos, os sintomas são ligeiros e passageiros, como dor e inchaço no local da injeção ou, ainda, cansaço e febre, sendo as reações severas muito raras. Importa lembrar que o risco da doença é muito superior ao dos efeitos secundários da vacina, e parece ser essa a perceção dos que viveram de perto situações graves causadas pela covid-19 (com a experiência de familiares e amigos que tiveram manifestações graves da doença ou que acabaram por falecer). Neste grupo de inquiridos, a taxa dos que afirmam querer ser vacinados quanto antes aumenta.   

Fui afetado(a) pela pandemia

Inquérito vacina covid

A vacina vai permitir voltar à normalidade?

Talvez por Portugal ser atualmente o país da Europa mais fustigado pela covid-19, face aos restantes povos analisados neste inquérito, os portugueses são os mais pessimistas quanto à retoma da normalidade. A maioria dos inquiridos prevê um ano de 2021 muito complicado para a economia do País, com 85% a responder que a recuperação financeira não irá ocorrer antes de 2022. Além disso, acreditam que as máscaras vieram para ficar: 79% dos portugueses não pensam que nos livremos delas antes de 2022 (contra 58% na Bélgica).  

Por outro lado, a vacinação é encarada como uma esperança, uma luz ao fundo do túnel neste período negro que atravessamos: 72% dos portugueses considera que a vacina vai ser extremamente importante para retomarmos a nossa vida social e familiar (88% no caso dos que querem ser vacinados quanto antes) e 75% acreditam que vai permitir mitigar a sobrecarga nos serviços de saúde. Esta crença aumenta para 92% junto dos que querem ser vacinados já. 

Informação e transparência é a chave de sucesso da vacinação

Mais informação e transparência são a chave para a confiança dos consumidores nas vacinas da covid-19 e para o sucesso da campanha de vacinação, sobretudo no que toca aos possíveis efeitos secundários e ao processo de aprovação das vacinas. Verificou-se que estar bem informado sobre a vacina tem uma influência direta na decisão de querer ser-se vacinado.

A maioria dos inquiridos concorda com a ordem de prioridades estabelecida para a administração das vacinas, mas cerca de um quinto acha que o Governo não está a organizar de forma eficiente a sua distribuição e um quarto considera haver falta de transparência no processo de compra das vacinas. No que toca ao processo de desenvolvimento das vacinas para a covid-19, 28% dos inquiridos considera que a indústria farmacêutica foi pouco clara. Contudo, 63% dos portugueses acreditam que a Agência Europeia do Medicamento não aprovaria vacinas que não fossem suficientemente seguras. Adicionalmente, consideram que a indústria farmacêutica não deveria lucrar com as vacinas e que deveria ser legalmente responsabilizada por eventuais problemas que venham a surgir.

Concordo que... 

Inquérito vacina covid

 

Como fizemos o estudo

Para este estudo, enviámos, entre 15 e 21 de janeiro de 2021, um questionário online a uma amostra da população adulta portuguesa entre os 18 e os 74 anos. Pararelamente, este inquérito foi feito em Espanha, em Itália e na Bélgica. No total, recolhemos 4015 respostas (1001 em Portugal), ponderadas pelas variáveis sexo, idade, região e nível educacional, de modo a refletirem a realidade de cada país.

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