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Consumo de álcool: lei defrauda expectativas

17 abril 2013 Arquivado

17 abril 2013 Arquivado

Em vigor a partir de hoje, 17 de abril, a lei sobre a venda de álcool a menores carece de bom senso. Não contribui para prevenir a iniciação precoce às bebidas alcoólicas, revelando um profundo desconhecimento da realidade e do padrão de consumo dos jovens.

O diploma proíbe a venda e consumo de bebidas espirituosas e equiparadas a jovens com menos de 18 anos, como vodca, rum e licores. Contudo, continua a autorizar a cerveja e o vinho a partir dos 16 anos.

A exceção mereceu o nosso desacordo desde início. A saúde pública não pode subjugar-se a interesses particulares de um qualquer setor industrial.

Em nome do bem-estar dos jovens e da prevenção do alcoolismo, sempre defendemos a proibição da venda de álcool a menores, sem distinção das bebidas, porque não há álcool inócuo. Há ainda que considerar que muitos jovens consomem grande quantidade de bebidas num curto período (binge drinking). A cerveja é acessível e cada dose de 20 cl (uma imperial) inclui um teor alcoólico idêntico a uma dose de uísque com 5 cl. Neste sentido, o presente diploma não contribui de forma eficaz para prevenir a iniciação precoce ao consumo de álcool.

As exceções admitidas não têm fundamento científico e ignoram em grande medida os hábitos de consumo dos mais novos: a cerveja é a bebida mais consumida pelos rapazes europeus de 15 e 16 anos. As organizações internacionais, como a Organização Mundial de Saúde, apoiam o combate ao consumo de qualquer bebida alcoólica antes dos 18 anos. Nestas idades, o organismo tem menos capacidade para metabolizar o álcool e é mais sensível aos seus efeitos. Os riscos de saúde a curto e longo prazo são mais preocupantes.

Quando se esperava um progresso nesta matéria, em linha com a maioria dos países europeus, o Governo desvia-se da rota e insiste em manter a porta aberta ao consumo precoce.

 

 


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