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Cigarros eletrónicos com aromas perigosos

12 janeiro 2016

12 janeiro 2016

Novo estudo alerta que alguns e-cigarros com aromas contêm substâncias perigosas para a saúde. Se optou por cigarros eletrónicos para deixar de fumar, os e-cigarros são tão eficazes como pensos de nicotina.

Os e-cigarros são mais seguros do que os cigarros “normais”, pois não há combustão do tabaco. Contudo, estudos revelam que estes dispositivos são tão eficazes como os pensos de nicotina e comportam riscos para a saúde.

E-cigarros com aromas perigosos
Foram analisados os vapores de 51 modelos de e-cigarros pela Universidade de Harvard. Em 47, os investigadores detetaram pelo menos um dos químicos nocivos: diacetil, acetoina ou 2,3-pentanediona. Estas substâncias têm sido associadas a doenças respiratórias graves. Existem cerca de sete mil modelos de cigarros eletrónicos no mercado americano. Alguns apelam especialmente a um público jovem, como os que sabem a algodão doce ou cupcake.

A lei que regulamenta os produtos de tabaco proíbe os cigarros com aromas, embora alguns, como os de mentol, possam permanecer no mercado até 2020. Estas regras não se aplicam aos cigarros eletrónicos, apesar de os modelos que contêm até 20 miligramas de nicotina por mililitro serem equiparados a produtos de tabaco.

Os e-cigarros sem nicotina continuam fora da lei, pelo que são vendidos sem qualquer controlo. A DECO defende que os e-cigarros devem ser sujeitos às regras dos produtos com nicotina, enquanto não se conhecerem os riscos associados a algumas das substâncias que os integram. Os resultados do estudo da Universidade de Harvard são um novo alerta: é urgente obrigar os fabricantes a comunicar a composição de todos os e-cigarros às autoridades de saúde e a divulgá-la na respetiva embalagem. A lei já determina esta obrigação para os modelos com nicotina. 

Nova lei restringe venda de cigarros eletrónicos  
Desde 1 de janeiro de 2016, os e-cigarros com menos de 20mg/ml de nicotina e sem alegações de saúde passaram a ser considerados como produtos do tabaco e são regulamentados como cigarros normais, ficando proibida a sua venda a menores de 18 anos. Por questões de segurança, só os que têm menos de 20 mg/ml podem ser comercializados como produtos de tabaco. Os que têm mais são considerados medicamentos, sendo o seu uso monitorizado por um profissional de saúde.

Os cigarros eletrónicos, ou e-cigarros, com propriedades alegadamente curativas ou preventivas de doenças (usados enquanto terapia de substituição de nicotina) só são autorizados e comercializados como medicamentos, se cumprirem as obrigações legais a que estes estão sujeitos.

Fabricantes e importadores ficam também obrigados a fornecer às autoridades competentes a lista de todos os ingredientes presentes nos dispositivos. Também a publicidade a cigarros eletrónicos está sujeita às mesmas restrições que a publicidade a produtos de tabaco.  

Os e-cigarros sem nicotina não são regulados pela nova lei, o que é de lamentar. Sendo o seu risco ainda desconhecido, é inadmissível que continuem a ser vendidos livremente, sem enquadramento legal específico.

Cigarros eletrónicos com eficácia relativa
Um estudo divulgado pela revista The Lancet no final do ano de 2014 comparou a eficácia dos cigarros eletrónicos com os pensos de nicotina (sistema transdérmico) no processo de deixar de fumar. Realizado na Nova Zelândia, o estudo envolveu 657 fumadores: 292 receberam cigarros eletrónicos com 16 miligramas (mg) de nicotina, outros 292 receberam pensos com 21 mg de nicotina e 73 fumaram cigarros eletrónico sem nicotina (placebo).

Os resultados obtidos pelos dois primeiros grupos revelam poucas diferenças entre os dois sistemas. Só 7,3% e 5,8% dos participantes, respetivamente, continuavam sem fumar ao fim de seis meses. Dos participantes que fumaram cigarros eletrónicos sem nicotina, apenas 4,1% abandonaram o tabaco.

O estudo mostrou ainda que 57% dos participantes que fumaram e-cigarros reduziram o consumo diário, quando voltaram ao tabaco normal. Já entre os participantes que utilizaram os pensos de nicotina, só houve uma redução no uso de cigarros em 41% dos participantes.