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Anona e graviola não curam cancro

Há anúncios e e-mails a circular na internet que prometem a prevenção e cura do cancro se beber chá ou sumo de anona ou graviola. A informação, sem fundamento científico, pode levar a hábitos perigosos.

09 março 2018
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Thinkstock

Existem várias notícias e até um e-mail a circular que referem a anona ou a graviola como cura milagrosa para o cancro. Segundo a informação de um dos e-mails, atribuída ao Instituto de Ciências da Saúde americano e escrita em português do Brasil, a anona ou a graviola são “mais potentes do que 10 mil quimioterapias a matar células cancerosas” e são uma forma de prevenir vários tipos de cancro. Os benefícios destas frutas para a saúde são conhecidos, mas este tipo de informação de possível “cura milagrosa” desinforma os consumidores e pode levar a práticas que põem em risco a saúde.

Desconfie de promessas de “cura milagrosa”

A mensagem que circula na internet parece credível pela referência a entidades e a estudos, que não são bem citados nem fundamentados. Há várias contradições nestas mensagens, a que um consumidor deve estar atento antes de adotar alguma prática que ponha em risco a saúde. Quando vir estas informações, verifique a credibilidade. A maior parte delas não tem nenhum apoio de organizações dedicadas ao estudo e tratamento do cancro.

Os benefícios conhecidos da anona e da graviola

A anona (de nome científico annona cherimola) é um fruto de pele verde clara, com superfície escamuda, produzido nos Açores, Madeira e Algarve, mas que também se importa de Espanha e da América do Sul. Rica em açúcares, potássio, vitamina C, ácido fólico e fibras, por dentro tem uma polpa branca com sementes e um sabor doce. Utiliza-se em saladas de fruta, compotas e geleias ou para comer ao natural.

A graviola (de nome científico annona muricata) é um fruto maior do que a anona, de pele verde mais escura e com uma espécie de ‘picos’ na casca. Originária de África, da América do Sul e do Sudeste Asiático, a graviola também se produz nos Açores. Por dentro, tem uma polpa branca com sementes e um sabor ácido. Com alto teor de vitamina C, a graviola também é rica em vitaminas, magnésio, cálcio, zinco e sódio, entre outros. Utiliza-se para comer ao natural, fazer sumos ou infusões a partir das sementes e das folhas. Nos países de onde é originária, utilizam-se a casca, as folhas, a raiz e o próprio fruto para tratar infeções, reumatismo, artrite ou depressão.  

Tanto a anona como a graviola são frutas ricas em fitoquímicos, cuja atividade na prevenção e tratamento do cancro tem sido estudada. Em algumas experiências de laboratório, verificou-se que extratos de graviola podem matar algumas células de cancro do fígado e da mama resistentes à quimioterapia. Mas não há estudos destes realizados em humanos, o que não comprova a eficácia da anona e da graviola na cura do cancro.

O consumo de chá das folhas ou das sementes destas frutas não deve ser exagerado, uma vez que as propriedades neurotóxicas prejudicam o sistema nervoso. O consumo destas frutas tem benefícios no reforço do sistema imunitário (são fonte de vitamina C), hipertensão, doenças de pele, insónias e emagrecimento (no caso da graviola, que é um fruto com poucas calorias), entre outros.

Mais do que procurar uma ‘cura milagrosa’ de um medicamento ou produto natural, para reduzir o risco de cancro deve adotar um estilo de vida saudável:

  • ter uma alimentação completa e variada, alternando entre o consumo de carne (de preferência, carnes brancas) e de peixe (se possível, consumir mais do que a carne);
  • reduzir o consumo de gorduras saturadas, presentes sobretudo nas gorduras de origem animal;
  • reduzir o consumo de açúcar e produtos açucarados no geral;
  • moderar o consumo de sal;
  • beber cerca de 1,5 a 2 l de água por dia;
  • moderar o consumo de álcool;
  • fazer atividade física, pelo menos, 3 vezes por semana e durante 20 minutos de cada vez;
  • manter um peso adequado para a sua estatura;
  • deixar de fumar. 

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