Dossiês

Infertilidade: causas e tratamentos

04 agosto 2020
Casal a verificar um teste de gravidez

Se não conseguir engravidar após um ano de tentativas, é altura de pedir ajuda. A procriação medicamente assistida, cujas técnicas têm evoluído muito nos últimos anos, é a solução para muitos casos de infertilidade.

Início

Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva são afetados por problemas de infertilidade. Entre os fatores que mais se associam a este problema estão a idade da mulher, sobretudo a partir dos 35 anos, o consumo de tabaco, álcool ou drogas, alimentação desequilibrada, alterações de peso e certos tipos de trabalho ou de lazer.

Para engravidar, é importante manter um ritmo de vida descontraído e relações sexuais regulares no período fértil. Se a mulher tiver mais de 30 anos e não obtiver resultados após um ano, convém consultar o médico de família ou o ginecologista. No caso de ter mais de 35 anos, recomenda-se consultar um médico após seis meses de relações regulares e desprotegidas sem resultados.

No Serviço Nacional de Saúde (SNS) a referenciação dos casais (heterossexuais ou de mulheres) e de mulheres sem parceiro para consultas de apoio à fertilidade é efetuada pelo médico de família.

Como calcular o período fértil

Identificar o período fértil é o primeiro passo para engravidar. Em geral, o óvulo pronto a ser fecundado liberta-se 14 dias antes da menstruação. Apontar a data do primeiro dia do ciclo menstrual durante alguns meses e usar testes de ovulação, à venda em farmácias e supermercados, podem ajudar a definir o período fértil.

O dia da ovulação e os 2 ou 3 anteriores são os mais propícios para tentar o encontro perfeito entre o espermatozoide e o óvulo. A posição de “missionário” com o homem por cima e a permanência da mulher na horizontal durante, pelo menos, 15 minutos após a relação sexual, facilitam a viagem ao esperma. O duche deve ser retardado, para dar tempo aos genes masculinos mais preguiçosos de chegarem ao destino.

Quando procurar ajuda para engravidar?

Se a mulher tiver mais de 30 anos e não engravidar após um ano de relações sexuais regulares e desprotegidas, deve consultar o médico de família ou o ginecologista. Consoante o diagnóstico, a mulher ou o casal poderão ser referenciados para uma consulta de apoio à fertilidade. 

O médico irá avaliar a duração da infertilidade, o padrão das relações sexuais, os hábitos alimentares e estilo de vida. Caso se trate de um casal heterossexual, ambos os elementos serão avaliados e serão pedidos exames complementares. O médico deve ser informado caso haja diabetes e doenças genéticas na família.

Há situações em que as dificuldades podem ser investigadas mais cedo, nomeadamente em caso de:
• ausência de menstruação ou ciclos muito irregulares, já que estes são indicadores de desequilíbrio hormonal, prejudicam a libertação do óvulo e alteram a implantação de um eventual embrião na mucosa que cobre as paredes do útero (endométrio);
• dores fortes na menstruação ou durante as relações sexuais;
• história de infeções ou de intervenções cirúrgicas no aparelho genital, no homem e na mulher;
• problemas de ejaculação;
• varizes nos testículos (varicocelo).

Causas de infertilidade estão identificadas

As causas de infertilidade são múltiplas e podem, ou não, estar associadas a anomalias do sistema reprodutor masculino ou feminino. Como tal, caso se trate de um casal heterossexual, a investigação das causas deve abranger simultaneamente os dois elementos do casal, já que, em cerca de 30% dos casos, ambos contribuem para o problema.

Normalmente, na mulher, doenças como a endometriose, a obstrução das trompas de Falópio, entre outras, estão presentes em 30% a 40% das situações, sendo que, na mesma percentagem de casos (30% a 40%), é possível identificar um fator masculino. Em 10% do casos, não é possível estabelecer uma causa para a infertilidade.

A infertilidade tem solução, mas, por vezes, são necessários vários tratamentos. O médico deve ser claro na informação sobre as taxas de sucesso: dependendo do tipo de tratamento, podem oscilar entre os 10% e os 25% por cada tentativa.

Exames complementares

O especialista pode pedir exames para verificar se existe ovulação (com medições da temperatura corporal) e análises ao sangue. Pode também ser efetuado um espermograma, em que é avaliada, por exemplo, a quantidade, mobilidade, vitalidade e morfologia dos espermatozóides. Conhecer a compatibilidade entre o muco cervical e o esperma, através do chamado teste de Huhner (ou pós-coital), é a tarefa seguinte. É feito no consultório médico e consiste na recolha de muco vaginal até 12 horas após uma relação sexual no período fértil.

Pode ainda ser necessário determinar o nível de determinadas hormonas na segunda fase do ciclo menstrual, através de análises ao sangue, e avaliar a estrutura e o funcionamento do sistema reprodutivo feminino (útero, ovários e trompas de Falópio). Este estudo, em geral, é feito por endoscopia ao útero ou análise raios X, após administrar um produto de contraste.

O estudo completo do sistema reprodutivo exige, no mínimo, três meses.

Caso o médico assistente chegue à conclusão de que está perante um caso de infertilidade, deve referenciar os pacientes para um centro de reprodução medicamente assistida. Aceda à lista de centros públicos e privados autorizados a ministrar técnicas de PMA.

Tratamentos de reprodução assistida

As técnicas de procriação medicamente assistida têm evoluído muito nos últimos anos. Em Portugal, a fertilização in vitro (com ou sem injeção intracitoplasmática de espermatozoides) é uma das técnicas mais usadas e a que garante maior taxa de sucesso (25% a 30%). A indução da ovulação e a inseminação artifical são tratamentos de primeira linha, indicados para casos mais simples. Todos estes tratamentos estão disponíveis no Serviço Nacional de Saúde.

Indução da ovulação

Consiste na toma de medicamentos (via oral ou por injeção subcutânea) para estimular a produção de vários óvulos por ciclo. Usa-se quando as menstruações são irregulares ou há problemas de ovulação. Acarreta o risco de múltiplos embriões, quistos nos ovários e, em casos raros, de síndroma de hiperestimulação ovárica, com dores, dificuldade respiratória, vómitos e aumento de peso. 

Inseminação artificial ou intrauterina

Consiste em promover a ocorrência da ovulação num determinado momento. Nessa altura, os espermatozoides, previamente preparados em laboratório, são introduzidos no útero através de um pequeno cateter. É um tratamento relativamente simples e indolor, com taxas de sucesso que rondam os 10% por cada tentativa. Nos casos de utilização de espermatozoides doados, essas taxas podem ultrapassar os 15%. 

Fertilização in vitro (FIV)

Após o período menstrual, durante cerca de 10 dias, é feita a estimulação dos ovários, com medicação injetável. O objetivo é obter um determinado número de ovócitos (idealmente próximo de 10). Posteriormente, é feita a colheita desses ovócitos (punção folicular), por via vaginal. No mesmo dia, é efetuada a colheita de espermatozoides que, depois de preparados no laboratório, são colocados em incubação com os ovócitos. Após um período de desenvolvimento, que pode durar entre dois a cinco dias, um a dois embriões são transferidos para o útero da paciente. O processo é simples e indolor. Cerca de duas semanas após a transferência embrionária, é realizado um teste sanguíneo que determinará a ocorrência ou não de gravidez. As taxas de sucesso da FIV rondam os 25% a 30% por cada tentativa.

Microinjeção intracitoplasmática de espermatozóides

É em tudo semelhante à FIV, com exceção da técnica utilizada para a fecundação dos ovócitos. Neste caso, é selecionado um espermatozoide para injeção direta no ovócito, daí a designação de microinjeção. A taxa de sucesso é ligeiramente inferior à da FIV. 

Transferência de embriões criopreservados

O objetivo desta técnica é garantir que o útero se encontra nas condições ideais para a implantação de um embrião. Para tal, recorre-se a um suplemento de estrogénios ou, caso a paciente apresente ciclos menstruais regulares, aproveitam-se, simplesmente, as condições naturais do seu organismo. Atualmente, a taxa de sobrevivência dos embriões, após a sua descongelação, é alta, e as taxas de sucesso do tratamento são superiores às da transferência de embriões "a fresco".

Tratamentos no público com regras apertadas

Desde que referenciados pelo médico de família, qualquer mulher (mesmo sem parceiro), casal heterossexual ou de mulheres pode aceder a uma consulta de apoio à fertilidade num centro público de procriação medicamente assistida.

Para iniciar tratamentos de primeira linha, como a indução de ovulação e a inseminação artificial ou intrauterina, a mulher não pode ter mais de 42 anos (41 anos e 364 dias), e, para ter acesso a técnicas de segunda linha (mais avançadas), como a fertilização in vitro e a injeção intracitoplasmática de espermatozoides, não pode ultrapassar os 40 anos (39 anos e 364 dias).

O Estado comparticipa todos os tratamentos de indução da ovulação e até três ciclos de inseminação intrauterina, fertilização in vitro e injeção-citoplasmática de espermatozoides.

Os medicamentos são comparticipados em 69%, mesmo que os tratamentos sejam feitos num centro privado de procriação medicamente assistida.

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