Dossiês

Alergias: como tratar e prevenir

19 julho 2022
rapariga com alergia a assoar o nariz a um lenço de papel

Algumas das alergias mais comuns têm origem em picadas de insetos, principalmente nas épocas de calor. Se for alérgico, a zona afetada incha e pode permanecer uns dias desse modo. Veja como agir face a picadas de insetos e outros animais.

Insetos e outros animais

Algumas das alergias mais comuns têm origem em picadas de insetos e outros animais, principalmente nas épocas de calor. Ao picarem, os insetos deixam um veneno na pele. Quem for alérgico pode ver a zona afetada inchar e assim continuar durante um ou dois dias.

Os maiores problemas surgem quando o veneno entra na corrente sanguínea, provocando vómitos, diarreia e, por vezes, asma. Nestes casos, deve procurar-se o médico de imediato.

Em Portugal, não há referência a espécies de insetos ou outros animais com picadas perigosas. Os ataques mais frequentes são de abelhas, de vespas, de escorpiões (vulgarmente conhecidos por lacraus), de alforrecas, de peixes-aranha e de serpentes.

Para prevenir reações, as pessoas com alergia grave ao veneno podem levar para a praia ou passeio uma caneta de adrenalina. Esta só pode ser comprada com receita médica. Veja, caso a caso, como proceder numa situação de ataque de um inseto. E tenha sempre à mão o número do Centro de Informação Antivenenos (800 250 250), para obter ajuda imediata e esclarecimentos.

Tome nota de alguns cuidados básicos:

  • suor e odores adocicados de cremes e perfumes atraem os insetos;
  • não se aproxime de ninhos de vespas e de abelhas. Estes encontram-se, geralmente, no interior de troncos de árvores ocos ou entre molhos de lenha;
  • não enxote os insetos com gestos violentos;
  • no verão, evite comer frutos ao ar livre ou consumir bebidas açucaradas;
  • não ande de pés descalços e não se deite na relva;
  • à noite, não esteja demasiado perto de uma fonte de luz.

Abelhas e vespas

Algumas pessoas são alérgicas ao veneno das vespas e das abelhas. O local afetado incha e podem desenvolver-se outras reações: inchaço da face e dos membros, crises de asma, erupção cutânea, nariz a pingar, diarreia, vómitos e descida de tensão. 

Em caso de picada de abelha, retire cuidadosamente o ferrão, raspando com a unha ou com um cartão multibanco. Nunca aperte a zona, nem use uma pinça, para evitar espalhar o veneno. Lave com água e sabão. 

Perante dor e inchaço, arrefeça a zona com uma compressa fria ou gelo envolto num pano. Em caso de necessidade, tome um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno). Se tiver alergia à picada destes animais, sentir dificuldade a respirar ou a tensão baixar, vá de imediato ao médico. 

Lacraus

Este tipo de escorpião, frequente no nosso país, pode ser encontrado em zonas quentes, secas e de vegetação reduzida. Geralmente, esconde-se debaixo de pedras ou troncos.

A picada de escorpião provoca uma dor intensa e vermelhidão, entre outros sintomas. O membro atacado (em regra, perna ou braço) deve ser imobilizado. O único tratamento consiste em desinfetar o local com cuidado e aplicar gelo, enrolado num pano, para reduzir a dor.

Alforreca

Este animal gelatinoso e transparente pode atacar de surpresa. Os seus tentáculos continuam a ser venenosos durante várias semanas, pelo que as alforrecas são perigosas, mesmo quando aparecem inertes, à beira-mar.

A picada pode ser perigosa e provoca uma dor intensa, comparável a uma descarga elétrica. Se estiver numa praia vigiada, peça ajuda ao nadador-salvador. Se não for o caso, lave a ferida com água do mar ou soro fisiológico. Não utilize água doce, pois pode rebentar as células urticantes que restam. Evite mexer-se, para a toxina não se espalhar pelo corpo. Também não deve friccionar a ferida. Retire os filamentos que restam com uma pinça ou uma luva (não toque com os dedos). Para diminuir a dor, enrole gelo num pano e ponha sobre a picada. Vá às urgências se sentir dificuldades respiratórias, dores no peito ou se a zona atingida for extensa ou sensível, como o rosto ou os genitais.

Peixe-aranha

Regra geral, vive afastado das praias. No entanto, é muitas vezes encontrado à beira-mar, sobretudo no Algarve. Não é fácil detetá-lo, pois enterra-se na areia.

A picada origina dor intensa. Em casos mais graves, pode provocar náuseas, vómitos, dores de cabeça ou diarreia, entre outros. Se for atacado dentro de água, saia imediatamente. Se puder, peça ajuda ao nadador-salvador. Caso contrário, mergulhe o membro afetado em água tão quente quanto possível, durante 30 a 90 minutos, para aumentar a temperatura no local da picada e destruir o veneno. Normalmente, não é preciso abrir a ferida, pois é raro conter restos do ferrão. O espinho deverá ser removido com uma pinça. Não toque com os dedos. Limpe a ferida com água e sabão, passe por água fresca e deixe secar ao ar. Nunca cubra a zona afetada.

Vá ao médico se o ferrão não sair, se estiver numa articulação ou se a inflamação e a dor se agravarem. Nalguns casos, é necessário antibiótico e a vacina antitetânica, se não estiver em dia. Para reduzir as dores, tome um analgésico e desinfete regularmente a ferida. 

Serpente

Em Portugal, há o risco de se ser mordido por uma serpente venenosa, pois existem duas espécies de víboras, a vipera latasti (víbora-cornuda) e a vipera seoanei. Contudo, uma dentada de víbora normalmente não é letal e, na maioria das vezes, o ferido consegue ser levado para o hospital em tempo útil. O risco é maior em idosos, crianças e pessoas doentes.

Depois de chamar os serviços de urgência, deve pôr o membro mordido em repouso (o braço ao peito, por exemplo). Se tiver náuseas, a posição lateral de segurança é indicada para evitar engolir o líquido gástrico. Deve ainda retirar pulseiras, relógio e anéis, já que podem funcionar como garrote na zona atingida. Não faça cortes, nem chupe a ferida. Lave-a e limpe-a com um antissético. Não utilize álcool ou éter, pois favorecem a propagação do veneno. Para combater a dor, envolva gelo num tecido e aplique-o na zona ferida.