Dossiês

Alergias: como tratar e prevenir

Rinite

Muitos doentes convivem com a rinite alérgica durante vários anos, sem a tratarem, confundindo os seus sintomas com os de uma simples constipação.

Intermitente ou persistente

A rinite é uma alergia frequente, mas nem sempre diagnosticada rapidamente e que pode dar origem a problemas mais graves, como asma, sinusite e pólipos nasais. Tentar perceber em que altura os sintomas surgem permite-lhe saber se é alérgico aos pólenes ou a outras substâncias, como pó, ácaros e tabaco.

Apesar do incómodo, muitos dos que sofrem do problema são afetados de modo intermitente, em especial na primavera, e sem consequências de maior para as atividades diárias ou para o sono. Outros quadros não são apenas sazonais, têm maior gravidade, podem envolver mais alergénios, como ácaros, e acabam por reduzir a qualidade de vida. Mas também aqui existem estratégias para controlar os sintomas.

Como a rinite alérgica sazonal se manifesta sempre no mesmo período, pode prevenir-se antes de surgirem os sintomas, com medicação prescrita, por exemplo. Quem sofre de rinite sazonal não é alérgico a todos os tipos de pólenes. Em Portugal, de janeiro a maio, são geralmente as árvores, como o pinheiro, a oliveira e o ulmeiro que dispersam pólen. Entre maio e fins de Junho, as gramíneas são responsáveis pelas maiores concentrações de pólen no ar.

O calendário polínico, disponível no sítio da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica na Internet, é uma ajuda preciosa para saber quando são libertados diversos tipos de pólenes e em que zonas do país as concentrações são mais elevadas.

Também as condições meteorológicas têm um papel decisivo. O tempo quente, seco e ventoso é mais nefasto para as pessoas que sofrem de rinite. Pelo contrário, a chuva e o frio impedem a dispersão do pólen. Junto ao mar, a concentração dos pólenes no ar é menor do que no interior do país.

Diagnóstico e tratamento

Além da história de alergias na família, o médico faz uma avaliação, em função dos sintomas: espirros sobretudo de manhã e à noite, corrimento nasal transparente que, ao descer para a garganta, provoca tosse, comichão no nariz e nos olhos e, por vezes, congestão nasal. O diagnóstico depende da presença destes sinais, mas também importam a severidade e a duração dos mesmos.

Através de análises ao sangue, é possível quantificar a imunoglobulina E, um tipo de anticorpos produzidos pelo sistema imunitário, quando se desencadeia uma reação alérgica, e detetar a alergia. Com os testes cutâneos, conseguem identificar-se as substâncias responsáveis (pólenes ou ácaros, por exemplo).

Se já sabe a que é alérgico, o primeiro passo para evitar as crises é tentar reduzir o contacto com a substância (alergénio) a que é sensível. Limpar regularmente a sua casa, evitar que os animais entrem nos quartos e não fumar em casa são algumas das medidas a tomar. Quando não são suficientes, pode recorrer também à medicação, prescrita pelo médico. Anti-histamínicos em comprimidos, para tomar oralmente ou aplicar no nariz ou nos olhos, aliviam a comichão e o corrimento nasal, mas não são eficazes para a obstrução nasal. Neste caso, podem ser combinados com corticosteroides intranasais, sob a forma de nebulizadores.

Se a rinite não melhorar com os medicamentos, há ainda a hipótese da imunoterapia (só aconselhável nos casos não controláveis com fármacos) ou dessensibilização. Esta vacina para alergias visa habituar o sistema imunitário, de forma progressiva e controlada, aos agentes supostamente agressores (pólen, pó, fungos, etc.), através da exposição a doses cada vez maiores de alergénios a que o doente é sensível.

São tratamentos à base de injeções ou de gotas que se colocam na língua. O paciente fica sob vigilância durante algum tempo, para o caso de desencadear um choque anafilático. Por isso, a imunoterapia não é indicada para crianças com menos de 5 anos.