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Alergias: como tratar e prevenir

20 junho 2019
alergias

Medicação e cuidados no dia-a-dia ajudam a reduzir os sintomas das alergias. Se é alérgico ao pólen, há uma ferramenta online que pode ajudar.

Intolerância e falsas alergias

Por terem sintomas semelhantes, a alergia e a intolerância são muitas vezes confundidas. Na verdade, fazem intervir mecanismos corporais distintos. Numa alergia, o organismo, habituado a produzir anticorpos para lutar contra as bactérias e os vírus nocivos, reage a substâncias, à partida, inofensivas, mas entendidas como perigosas.

A intolerância é um tipo de hipersensibilidade, em que o sistema imunitário, responsável pelas defesas do organismo, não intervém. O organismo tem carência de uma enzima necessária à digestão de determinado nutriente, como é o caso da intolerância ao glúten.

A reação adversa do organismo a uma substância pode desencadear urticária, problemas digestivos e choque anafilático, tal como uma alergia. Mas, ao contrário das pessoas alérgicas, quem tem uma intolerância consegue suportar pequenas quantidades da substância, sem sofrer uma reação significativa. Um exemplo conhecido deste problema é a intolerância à lactose do leite.

Falsas alergias

São uma variante das intolerâncias alimentares e podem ser provocadas por alimentos que contêm ou libertam grandes quantidades de substâncias, como a histamina. Quando há uma reação alérgica, a histamina é libertada por anticorpos, mas também está presente em alimentos, como é o caso de alguns peixes, mariscos, alimentos fermentados (queijos, por exemplo), ovos, bebidas alcoólicas e morangos.

Quando essa substância é ingerida em quantidades elevadas, pode provocar sintomas semelhantes aos de uma alergia alimentar. Distingue-as o facto de, nas falsas alergias, não se produzirem anticorpos que ajam contra o organismo. Se várias pessoas comeram juntas a mesma refeição (peixe, por exemplo) e todas apresentam sintomas nos minutos ou horas que se seguem, o mais provável é tratar-se de uma falsa alergia e não de uma alergia coletiva.

Alergias cruzadas

Entre os alérgicos, esta é uma situação cada vez mais familiar. Quando alguém tem uma reação alérgica a certa substância, pode ter um efeito idêntico se contactar com um elemento semelhante ou da mesma família. Diz-se, então, que há uma alergia cruzada.

As pessoas alérgicas ao pólen, por exemplo, têm mais probabilidade de terem alergias alimentares. Mais de metade das vítimas de rino-conjuntivites (forma de rinite que engloba perturbações das vias nasais e oculares) por contacto com o pólen de amieiro, aveleira e vidoeiro, são também sensíveis à maçã, à avelã e ao pêssego.

Também frequente é a associação entre a alergia ao látex e alguns alimentos, verificada entre as pessoas que usam luvas de borracha, na sua atividade profissional, por exemplo. Os cruzamentos mais comuns ocorrem com os frutos, como banana, pera abacate, castanhas e quivi.

As associações alérgicas podem ainda surgir entre alimentos. É o que acontece com a soja, a carne de vaca e o leite de cabra, no caso dos alérgicos ao leite de vaca. Também as reações a diferentes frutos secos e entre vários crustáceos e moluscos obrigam os que a eles são sensíveis a um autêntico quebra-cabeças alimentar.

Ao tomar um antibiótico do mesmo grupo daquele que já lhe provocou uma alergia ou outros medicamentos com uma composição química parecida, também se corre o risco de sofrer uma alergia cruzada.