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Alergias: como tratar e prevenir

20 junho 2019
alergias

Medicação e cuidados no dia-a-dia ajudam a reduzir os sintomas das alergias. Se é alérgico ao pólen, há uma ferramenta online que pode ajudar.

Insetos e outros animais

Algumas das alergias mais comuns têm origem em picadas de insetos, principalmente nas épocas de calor. Ao picarem, os insetos deixam um veneno na pele. Se for alérgico, a zona afetada incha e pode continuar assim durante um ou dois dias.

Os maiores problemas surgem quando o veneno entra na corrente sanguínea, provocando vómitos, diarreia e, por vezes, asma. Nestes casos, deve procurar o médico de imediato.

Em Portugal, não há referência a espécies de insetos com picadas perigosas. Os ataques mais frequentes são picadas de abelhas, vespas, escorpiões (vulgarmente conhecidos por lacraus), alforrecas, peixes-aranha e até mordeduras de serpentes.

Para prevenir reações, as pessoas alérgicas ao veneno destes insetos podem levar para os passeios pelo campo uma ampola de adrenalina. O médico poderá verificar a utilidade desta medicação. Mesmo que não seja sensível, pode sempre ser útil como socorrista. Veja, caso a caso, como proceder numa situação de ataque de um inseto. E tenha sempre à mão o número do Centro de Informação Antivenenos (800 250 250), para obter ajuda imediata e esclarecimentos.

Tome nota de alguns cuidados básicos:

  • suor e odores adocicados de cremes e perfumes atraem os insetos;
  • não se aproxime de ninhos de vespas e de abelhas. Estes encontram-se, geralmente, no interior de troncos de árvores ocos ou entre molhos de lenha;
  • não enxote os insetos com gestos violentos;
  • no verão, evite comer frutos ao ar livre ou consumir bebidas açucaradas;
  • não ande de pés descalços e não se deite na relva;
  • à noite, não esteja demasiado perto de uma fonte de luz.

Abelhas e vespas

Algumas pessoas são alérgicas ao veneno das vespas e das abelhas. O local afetado incha e podem desenvolver-se outras reações: inchaço da face e membros, crises de asma, erupção cutânea, nariz a pingar, diarreia, vómitos e descida de tensão. 

Em caso de picada de abelha, retire cuidadosamente o ferrão, raspando com a unha ou com um cartão multibanco. Nunca aperte a zona, nem use uma pinça, para evitar espalhar o veneno. Lave com água e sabão. 

Perante dor e inchaço, arrefeça a zona com uma compressa fria ou gelo envolto num pano. Em caso de necessidade, tome um analgésico (paracetamol ou ibuprofeno). Se for alérgico, apresentar dificuldades respiratórias ou a tensão baixar, vá ao médico. 

Lacraus

Este tipo de escorpião frequente no nosso País pode ser encontrado em zonas quentes, secas e de vegetação reduzida. Geralmente, esconde-se debaixo de pedras ou troncos.

A picada de escorpião provoca uma dor intensa e vermelhidão, entre outros sintomas. O membro atacado deve ser imobilizado. O único tratamento consiste em desinfetar o local com cuidado e aplicar gelo, enrolado num pano, para reduzir a dor.

Alforreca

Este animal gelatinoso e transparente pode atacar de surpresa. Os seus tentáculos continuam a ser venenosos durante várias semanas, pelo que as alforrecas são perigosas, mesmo quando aparecem inertes, à beira-mar.

A picada pode ser perigosa e provoca uma dor intensa, comparável a uma descarga elétrica. Lave a ferida com água do mar ou soro fisiológico. Não utilize água doce, pois pode rebentar as células urticantes que restam. Mantenha-se quieto para diminuir o risco de a toxina se espalhar no corpo. Também não deve friccionar a ferida. Retire os filamentos que restam com uma pinça ou uma luva (não toque com os dedos). Raspe a zona com um cartão multibanco ou pedaço de concha, caso detete uma pequena bolsa com veneno sob a pele. Para diminuir a dor, enrole gelo num pano e ponha sobre a picada. Vá às urgências se sentir dificuldades respiratórias, dores no peito ou se a zona atingida for extensa ou sensível, como o rosto ou os genitais.

Peixe-aranha

Regra geral, vive afastado das praias. No entanto, é muitas vezes encontrado à beira-mar, sobretudo no Algarve. Não é fácil detetá-lo, pois enterra-se na areia.

A picada origina dor intensa. Em casos mais graves, pode provocar náuseas, vómitos, dores de cabeça ou diarreia, entre outros. Se for atacado dentro de água, saia imediatamente. Mergulhe o membro afetado em água tão quente quanto possível, durante meia hora a 90 minutos, para aumentar a temperatura no local da picada e destruir o veneno. Normalmente, não é preciso abrir a ferida, pois é raro conter restos do ferrão. O espinho deverá ser removido com uma pinça. Não toque com os dedos. Limpe a ferida com água e sabão, passe por água fresca e deixe secar ao ar. Nunca cubra a zona afetada.

Vá ao médico se não conseguir remover o ferrão, se este se encontrar numa articulação ou se a inflamação e a dor se agravarem. Nalguns casos, é necessário antibiótico e a vacina antitetânica, se não estiver em dia. Para reduzir as dores, tome um analgésico e desinfete regularmente a ferida. 

Serpente

Em Portugal, há o risco de ser mordido por uma serpente venenosa, pois existem duas espécies de víboras, a vipera latasti (víbora cornuda) e a vipera seoanei. Contudo, uma dentada de víbora normalmente não é letal e, na maior parte das vezes, o ferido pode sempre ser levado para o hospital em tempo útil. O risco é maior em idosos, crianças e pessoas doentes.

Depois de chamar os serviços de urgência, deve pôr o membro mordido em repouso (o braço ao peito, por exemplo). Se tiver náuseas, a posição lateral de segurança é indicada para evitar engolir o líquido gástrico. Deve ainda retirar pulseiras, relógio e anéis, já que podem funcionar como garrote na zona atingida. Não faça cortes, nem chupe a ferida. Lave-a e limpe-a com um antissético. Não utilize álcool ou éter, pois favorecem a propagação do veneno. Para combater a dor, envolva gelo num tecido e aplique-o na zona ferida.