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Alergias: como tratar e prevenir

20 junho 2019
alergias

20 junho 2019

Medicação e cuidados no dia-a-dia ajudam a reduzir os sintomas das alergias. Se é alérgico ao pólen, há uma ferramenta online que pode ajudar.

Alimentos mais alergénicos

Mesmo com a alimentação mais saudável do mundo, todos estamos sujeitos a que uma alergia alimentar invada a nossa vida e mude para sempre a nossa dieta. Calcula-se que cerca de 2% dos adultos portugueses e 5 a 10 % das crianças seja afetada por este tipo de alergia. Sem outra cura, a única solução passa por eliminar da dieta todos os alimentos a que é sensível. O que está longe de ser tarefa simples. Os rótulos das embalagens tornam-se de leitura obrigatória e é preciso estar atento aos perigos escondidos noutros alimentos.

Urticária generalizada, lábios ou língua inchados, respiração sibilante e dificuldade em respirar, dores de estômago, vómitos e diarreia podem surgir após ingerir um alimento a que é alérgico. Por vezes, nem é preciso comer para ter sintomas. A inalação durante a preparação ou o contacto com a pele podem ser suficientes para uma reação do organismo. Nalguns casos mais graves, o contacto com a substância alergénica pode ter outras consequências, como inchaço da laringe, asma aguda ou choque anafilático, que obrigam o doente a recorrer, de imediato, às urgências hospitalares.

Como saber se tem alergia alimentar

Nenhum teste pode dizer, com rigor, qual o alimento causador da alergia. Esta hipersensibilidade pode ter existido sempre, desde a infância ou aparecer numa altura em que as defesas do organismo estão mais débeis. Com o avançar da idade, as alergias tendem a atenuar-se ou até mesmo a desaparecer. É o caso, por exemplo, das alergias ao leite de vaca, aos ovos, ao peixe e aos cereais, que são as mais frequentes nas crianças, mas raras nos adultos. Nestes, predomina as alergias aos frutos secos, como as nozes e as avelãs, à fruta fresca, ao peixe e ao marisco.

Muitas pessoas alérgicas ou hipersensíveis não sabem que o são. Até porque nem sempre consultam o médico quando surgem os sintomas. Para descobrir o "inimigo", numa primeira fase, o doente é aconselhado a anotar, durante algumas semanas, tudo o que come e bebe, bem como os ingredientes indicados na embalagem dos alimentos que consome. Também deve registar os sintomas, a altura em que surgem e o tempo que duram. Depois de eliminar da dieta, por algum tempo, os potenciais culpados, o doente deve reintroduzi-los, um a um, na sua alimentação. Caso os sintomas reapareçam, será necessário fazer análises e/ou testes cutâneos para chegar ao responsável pela alergia.

As crianças e as alergias alimentares

Detetar, prevenir e tratar são as palavras-chave de um tormento que começa, para alguns, logo ao nascer. Os primeiros meses de vida são os mais sensíveis às alergias, pois a parede intestinal do recém-nascido permanece imatura até aos 2 anos.

Dos 0 aos 4 meses de idade, a alergia ao leite de vaca é a mais frequente. Possível, mas mais rara, é a alergia ao leite materno. O tratamento passa por eliminar todos os produtos lácteos, substituindo-os por leite especial (hidrolisado de proteínas). Nalguns casos, a alergia desaparece entre os 18 meses e os 3 anos. Ovo e peixe são também causas frequentes de alergias em crianças com menos de três anos. Contudo, uma alergia alimentar pode manifestar-se em qualquer idade. Se os novos alimentos forem introduzidos muito cedo na dieta da criança, há um risco maior de desenvolver uma alergia. Da mesma forma, os filhos de pais alérgicos têm também uma maior predisposição para sofrer deste problema.

O plano de prevenção deve ser concertado com o pediatra do seu filho. Alguns conselhos:

  • amamentar exclusivamente durante o maior tempo possível;
  • evitar o leite de vaca, pelo menos, durante o primeiro ano de idade;
  • introduzir um alimento novo de cada vez, de preferência, depois do sexto mês de idade. Para reduzir o risco de alergia, os frutos e legumes devem ser sempre cozidos.
  • mesmo a partir de 1 ano, continue a oferecer novos alimentos faseadamente. Não abra exceções, mesmo que o bebé ou a criança queira experimentar os petiscos dos "crescidos", como caracóis ou mariscos. Molhar um pedacinho de pão no molho e oferecer-lhes pode não ser boa ideia. Siga as indicações do pediatra e veja as nossas dicas sobre quando introduzir novos alimentos

Rótulos de leitura obrigatória

Antes de comprar, leia com atenção os rótulos dos produtos, para verificar se existem ingredientes alergénicos. É obrigatória a indicação, na lista de ingredientes, de substâncias alergénicas, por mínimas que sejam. Mas, infelizmente, tal não é uma garantia. Num teste a várias amostras de alimentos, por exemplo, encontrámos vestígios de avelã, um dos ingredientes alergénicos, sem que nada se dissesse na embalagem. O grupo dos alimentos mais suscetíveis a desencadear alergias deve ser revisto periodicamente, para permitir a inclusão ou supressão de certos ingredientes ou substâncias alergénicas, à luz de novos conhecimentos científicos. Esta revisão deve basear-se em critérios estabelecidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Alergénios obrigatórios no rótulo

Fazem parte da lista estabelecida pela diretiva comunitária os seguintes ingredientes alergénicos:

  • cereais com glúten (trigo, centeio, cevada, aveia);
  • crustáceos;
  • ovos;
  • peixes;
  • amendoins;
  • frutos de casca rija (avelã, amêndoa, nozes, caju, etc.);
  • soja;
  • aipo;
  • leite e derivados (incluindo lactose);
  • mostarda;
  • sementes de sésamo;
  • dióxido de enxofre e sulfitos acima de 10 mg/l, e produtos à base dos anteriores.