Dossiês

Alergias: como tratar e prevenir

01 julho 2020
mulher a assoar-se num campo de flores

Medicação e cuidados no dia-a-dia ajudam a reduzir os sintomas das alergias. Se é alérgico ao pólen, há uma ferramenta online que pode ajudar.

Alergia a medicamentos

As reações alérgicas a medicamentos têm aumentado, sobretudo a antibióticos com penicilina, às sulfamidas, aos relaxantes musculares e aos anti-inflamatórios. O diagnóstico é ainda mais difícil do que nas alergias alimentares.

Nem sempre se distingue a alergia das restantes reações adversas aos medicamentos, como a intolerância e os efeitos secundários (por exemplo, dores de estômago, sonolência e falta de apetite). A alergia envolve uma resposta do sistema imunitário que entende um medicamento como uma ameaça e reage em consequência. Por vezes, os medicamentos podem provocar os mesmos sintomas das alergias, sem envolver o sistema imunitário. Nestes casos, fala-se de intolerância. Para ter a certeza da alergia, só mesmo voltando a submeter o doente ao medicamento, o que pode gerar uma reação ainda mais grave.

Além da tendência genética e hereditária, este tipo de alergia é mais frequente nas mulheres. O risco de desenvolver alergias aumenta com a idade. A existência de outras alergias ou certas doenças infecciosas, como a sida ou a mononucleose infecciosa, também aumenta a predisposição para as alergias aos medicamentos.

Sintomas e culpados

Erupções cutâneas e urticária podem surgir imediatamente ou aparecer horas, dias ou mais de uma semana após a toma do medicamento. Com o tempo, podem ser acompanhados por náuseas e outros problemas gastrointestinais, febre e dores nas articulações.

Quase todos os medicamentos podem provocar alergias. Mas existem alguns grupos que são mais problemáticos. É o caso dos antibióticos, onde se incluem as penicilinas e as sulfamidas, do ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroides, utilizados como analgésicos, dos relaxantes musculares, dos medicamentos antiepiléticos, de produtos de contraste (para exames radiológicos, por exemplo), entre outros.

Também com os medicamentos pode dar-se uma alergia cruzada. O mesmo tipo de alergia pode surgir quando se tomam outros medicamentos com uma composição química semelhante à do medicamento que provocou a reação. Se tiver uma alergia à penicilina, por exemplo, tem mais probabilidade de ser alérgico a outros antibióticos do mesmo grupo, como a amoxicilina e a ampicilina.

Diagnosticar e tratar

Para descobrir se se trata de uma verdadeira alergia, o médico socorre-se da história clínica do doente. A lista dos medicamentos que tomou recentemente e uma descrição detalhada dos sintomas (início e duração) são informações essenciais. Nalguns casos, como o da alergia à penicilina ou à insulina, pode também recorrer-se aos testes cutâneos.

Depois de identificado, deve-se parar a toma do medicamento responsável pela alergia. Muitas vezes, pode também ser necessário recorrer a medicação com corticosteroides ou anti-histamínicos, para tratar as erupções cutâneas e a urticária, ou com broncodilatadores, para sintomas de asma. Outro tratamento possível é a dessensibilização, que consiste na administração de doses crescentes do medicamento que provoca a alergia, para induzir no organismo uma tolerância ao medicamento.

Cuidados a ter

  • Comunique sempre ao seu médico qualquer reação adversa a medicamentos.
  • Nunca tome medicamentos como antibióticos e penicilinas por iniciativa própria. Leia sempre o folheto informativo, para verificar se o medicamento que vai tomar não contém a substância a que é alérgico.
  • Sempre que consultar um médico pela primeira vez, informe-o das suas alergias ou outras reações a medicamentos.
  • Para saber se há medicamentos com uma estrutura química semelhante ao qual é alérgico e evitar alergias cruzadas, esclareça-se junto do seu médico ou farmacêutico. 
  • Faça uma lista dos produtos a que é alérgico e traga-a sempre consigo na carteira. Se tiver uma alergia grave, em caso de acidente, também pode ser útil utilizar uma pulseira com indicação da substância "perigosa" ou colocar uma etiqueta na sua identificação.
  • O Sol e os medicamentos não são bons companheiros e podem dar origem a reações fotoalérgicas ou fototóxicas. No primeiro caso, a radiação absorvida pelo medicamento torna-o um alergénio, provocando reações como urticária ou eczema. Já as reações fototóxicas não implicam o sistema imunitário. A pele pode tornar-se mais sensível à luz, por ação do Sol e dos medicamentos que são absorvidos pela pele. Por isso, enquanto estiver a tomar um medicamento, reduza a sua exposição ao Sol.