Dicas

Parkinson: carinho ajuda a ultrapassar doença

11 abril 2015

11 abril 2015

Apoio da família, fisioterapia e terapia da fala reduzem limitações. Poucos doentes têm acesso a estas armas poderosas para combater o Parkinson.

Tremores involuntários, debilidade mus­cular, partes do corpo inativas, mas com capacidade intelectual intacta, são sinais de Parkinson. Esta doença degenerativa do sistema nervoso central surge quando as células cerebrais produtoras de dopamina (responsável pela troca de impulsos nervosos entre os neurónios) morrem ou sofrem perturbações.

À medida que a doença progride, os pacientes sentem dificuldades em caminhar e manter o equilíbrio. No geral, as zonas que controlam os músculos da cara e os membros supe­riores e inferiores são as mais afetadas. A maioria dos casos ocorre entre os 55 e os 75 anos.

Quatro sinais de alerta
  • O tremor é mais evidente quando o indivíduo está pa­rado, diminui em movimento e está ausente no sono. Aumenta sob tensão emocional e cansaço. No geral, começa numa mão e envolve o pulso e os dedos. Estende-se à outra mão, braços e pernas. Por vezes, suaviza com a progressão da doença.
  • Também surge rigidez muscular. Pode provocar espasmos rítmicos quando as articulações se movem e contribui para dores musculares e sensação de cansaço.
  • Os movimentos tornam-se mais lentos, perdem amplitude e tornam-se difíceis de iniciar, problema que se agrava à medida que a doença avança. O rosto fica rígido, os olhos piscam menos, a boca mantém-se aberta e a fala pode ficar monocórdica. Com frequência, o doente está a ca­minhar e para de repente. Outra característica: a caligrafia passa a ser muito pequena.
  • Com o agravar da doença, desaparecem os reflexos da postura, movimentos automáti­cos que mantêm o tronco reto e combatem a gravidade. Nota-se instabilidade e perda de equilíbrio, o que leva à dificuldade em come­çar a andar, virar e parar. Os passos podem ficar mais pequenos e rápidos. Há tendência para andar mais depressa, a fim de evitar quedas.
Medicamentos eficazes no início
  • Os medicamentos tratam os sintomas, mas não abrandam a progressão da doença. São especialmente eficazes nos primeiros anos. Os comprimidos de levodopa ou L-dopa são o tratamento clássico. Têm grandes benefícios e poucos efeitos adversos no curto prazo. Mas o uso prolongado está as­sociado a complicações motoras, como discinesia, isto é, movimentos excessivos e involuntários. Também podem surgir flutuações no nível de atividade ao longo do dia (por exemplo, momentos em que o doente está muito agitado ou fica “congelado”).
  • Outros medicamentos são sobretudo úteis em fases precoces da doença.
  • Os doentes até aos 70 anos, resistentes à medicação, sem lesões cerebrais, depressão ou demência, são candidatos à cirurgia. Porém, o procedimento é caro, tem riscos, como hemorragia e infeções, e exige acompanhamento.
  • O transplante de células estaminais está em investigação. 
Meses à espera de consulta
  • No setor público, os doentes esperam me­ses por uma consulta de neurologia: 150 dias é o tempo máximo de resposta garantida pelo Serviço Nacional de Saúde para a marcação de uma consulta de primeira vez de neurologia. Se os doentes não con­seguirem aceder ao privado, podem ver a saúde degradar-se.
  • A fisioterapia aumenta a mobilidade, a flexibilidade, a força, o equilíbrio e a postura corporal. A manutenção de uma ativida­de ou ocupação ajuda em termos emocionais. A terapia da fala pode melhorar a potên­cia da voz e a inteligibilidade do discurso. Mas a Asso­ciação Portuguesa de Doentes de Parkinson, sem capacidade para chegar a todos os doentes, é praticamente a única a fornecer tratamen­tos a preço acessível. 
  • Na rede nacional de apoios, o doente e os familiares não têm muitas opções. A Segurança Social e, por vezes, os servi­ços municipais oferecem ajudas.
  • Os serviços de apoio domiciliário prestam auxílio nas tarefas que o doente não pode desempenhar. Nos centros de dia, tem acesso a refeições, cuidados pessoais e terapia ocupacional. Lares de idosos não são opção, dada a falta de pessoal treinado.
  • A rede de cuidados continuados, cujo acesso é feito através do médico de fa­mília, enfermeiro ou assistente social do centro de saúde, proporciona assistência em casa.