Dicas

Mindfulness: técnica de meditação para o equilíbrio da mente

25 setembro 2013

25 setembro 2013

Stresse, dor e perturbações alimentares são situações em que o mindfulness, intervenção psicológica de inspiração budista, tem sido usado com sucesso.

Conservar a mente “aqui e agora” e identificar o maior número possível de estímulos exteriores e interiores a si próprio, sem se concentrar em nenhum em particular: é mindfulness, uma técnica de meditação que treina a capacidade de focar o momento. Esta prática exige um grande equilíbrio entre a concentração e a descentração: pede-se atenção a tudo o que os sentidos e o pensamento são capazes de contemplar e, ao mesmo tempo, abstração de cada componente desta “experiência”.

O objetivo do mindfulness é obter uma observação neutra do que se passa, sem sentimentos de tristeza ou euforia, conduzindo o praticante a uma nova forma de ver e de interpretar os problemas e as emoções. Pode ser usado em contexto terapêutico, para lidar melhor com doenças físicas e psicológicas, ou no dia-a-dia, como forma de promover o autocontrolo e o bem-estar.

Para obter o máximo benefício do exercício, é preciso aprender mindfulness com um profissional habilitado e treinar muito. A técnica não é fácil de dominar, porque estamos habituados a focar-nos em estímulos particulares, sobretudo nos que mais nos perturbam.

Escolher o profissional
Em Portugal, o treino de mindfulness está mais associado a práticas orientadas por mestres ou gurus das culturas indiana e nepalesa, entre outras, ou em contexto de práticas associadas a religiões. Na área clínica e fora dela, haverá profissionais competentes no ensino da técnica. Contudo, esta não está regulamentada nem é fiscalizada, pelo que qualquer um pode ter um “consultório”. Por isso, a escolha deve ser cautelosa.

Se pretende recorrer à técnica como forma de terapia de um problema físico ou psicológico, deve consultar um profissional de saúde, como médicos, psicólogos clínicos ou psiquiatras com formação nesta área, até porque a solução do problema pode não passar apenas pelo treino mental. Nem todos os profissionais estão habilitados para ensinar a técnica, pelo que terá de fazer uma pesquisa.

Caso não tenha problemas de saúde, tanto pode optar por um psicoterapeuta como profissionais ligados a centros de budismo ou de mindfulness. A referência por uma pessoa da sua confiança que já tenha experimentado é uma forma de escolher.

Mais do que um placebo
Apesar de desconhecida da população e pouco utilizada pelos profissionais de saúde, esta é uma técnica milenar, com origem no hinduísmo e no budismo, que nos últimos anos mereceu a atenção da medicina dita convencional e tem sido sujeita ao escrutínio da ciência.

Os estudos revelam que a prática de mindfulness está associada a alterações neurológicas, nomeadamente em zonas do cérebro relacionadas com a regulação de emoções. Verificaram-se também mudanças no funcionamento de áreas centrais e frontais do cérebro, responsáveis pelo controlo das ações. A meditação conduz ao aumento do fluxo sanguíneo no coração e diminui o metabolismo, a frequência cardíaca e o ritmo respiratório, alterações que podem justificar as melhorias sentidas ao nível das emoções negativas, como tristeza e ansiedade, encontradas em ensaios clínicos.

Por permitir que ganhemos consciência sobre a forma como habitualmente lidamos com os estímulos e abrir a porta a novas interpretações dos mesmos, o mindfulness é também uma ferramenta útil na gestão do stresse e em situações de burnout (esgotamento no trabalho) ou de stresse pós-traumático.

O tratamento de dores nas costas, disfunções alimentares (anorexia, bulimia e obesidade), de problemas de sono e de abuso de drogas e álcool, e de distúrbios da personalidade também beneficia do uso deste tipo de meditação. As investigações revelam ainda que esta aumenta a capacidade de ajustamento e gestão de patologias incuráveis ou de difícil tratamento.


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