Dicas

Leucemia: a importância de doar medula

18 dezembro 2013

18 dezembro 2013

A leucemia atinge cerca de mil portugueses todos os anos. Para muitos, o transplante de medula óssea de um dador compatível é a única possibilidade de cura.

leucemia (ou “sangue branco”, em grego) é um cancro do sangue que afeta os glóbulos brancos. A doença tem origem nas células da medula óssea, tecido esponjoso dentro dos ossos responsável pela produção das células sanguíneas, mas desconhecem-se as suas causas específicas.

A doença atinge cerca de mil portugueses todos os anos, segundo a Associação Portuguesa contra a Leucemia. Por ano, surgem 60 a 100 novos por cada milhão de habitantes. Na última década, muitos progressos foram feitos nos tratamentos, nomeadamente ao nível das técnicas de transplantação de medula, que permitiram aumentar a taxa de sobrevivência dos doentes de 30 para 80 por cento. Para muitos, esta é mesmo a única possibilidade de cura. Quando não existe um dador compatível na família, dependem da disponibilidade de todos os que se inscrevem nos registos nacionais e internacionais de dadores de medula óssea.

Precauções de doentes e familiares
Durante e após os tratamentos, o sistema imunitário fica fragilizado. Os doentes devem respeitar com rigor algumas medidas de higiene básicas para prevenir infeções e complicações, como lavar as mãos com frequência (também válido para os familiares), evitar locais com grande afluência, estar próximo de doentes ou usar máscara nessas situações.

Não se recomenda a ingestão de fruta e legumes crus. A fruta deve ser descascada e os legumes e alimentos muito bem cozinhados, para destruir eventuais germes.

Os pacientes e familiares podem obter apoio psicológico e aconselhamento sobre a doença e os tratamentos junto das associações de doentes, como a Associação Portuguesa Contra a Leucemia e a Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas. Podem ainda contar com a ajuda dos grupos de voluntários que se deslocam aos hospitais.

Registe-se hoje como dador de medula óssea
Até 2003, os doentes portugueses dependiam quase exclusivamente de dadores de outros países, por falta de dadores locais. Desde então, na sequência de casos mediáticos, como o do filho do jogador de futebol Carlos Martins, há cada vez mais inscritos no registo de dadores de medula.

Em dez anos, o Centro Nacional de Dadores de Células de Medula Óssea, Estaminais ou de Sangue do Cordão (CEDACE) passou de último lugar nos rankings mundial e europeu para o 2.º maior registo da Europa e 3.º do mundo, por milhão de habitantes. Do registo português têm saído células de dadores nacionais para ajudar a salvar, todos os anos, centenas de vidas de doentes em Portugal e em mais 20 países espalhados pelo Mundo.

A dádiva de medula consiste cada vez mais numa simples colheita de sangue. O potencial dador faz uma primeira análise ao sangue, cujos dados são enviados para uma base informática nacional e internacional. Caso se verifique que pode ser compatível com um doente, o dador é contactado para fazer exames suplementares. Confirmada a compatibilidade, avança-se para a colheita. Hoje em dia, opta-se geralmente pela recolha de células progenitoras através de uma colheita de sangue, método menos invasivo e menos doloroso do que a recolha de medula óssea. Já em laboratório, procede-se à recolha das células estaminais, que são de seguida congeladas até ao transplante.

Para ser dador, basta ter entre 18 e 45 anos e mais de 50 quilos, ser saudável e não ter recebido transfusões de sangue desde 1980. Se reúne estas condições, inscreva-se no CEDACE, nos Centros de Histocompatibilidade do Sul, Centro ou Norte ou num hospital e ajude a salvar a vida de muitos doentes.