Doença de Parkinson: contornar obstáculos do dia-a-dia
Casa sem tapetes, roupa sem botões e luzes de presença no quarto ajudam os doentes de Parkinson a fintar as dificuldades quotidianas.
- Especialista
- Susana Santos
- Editor
- Ana Santos Gomes e Fátima Ramos

Lentidão dos movimentos voluntários, rigidez e tremores, geralmente em repouso, são os principais sintomas de quem sofre de doença de Parkinson. Estima-se que esta doença degenerativa crónica do sistema nervoso central afete 1% da população mundial com mais de 60 anos. Em Portugal, cerca de 20 mil pessoas sofrem de doença de Parkinson.
À medida que a doença progride, os pacientes tendem a desenvolver dificuldades em andar e em manter o equilíbrio. Outros sintomas, como problemas a engolir e falar, perturbações do sono e comprometimento cognitivo, também podem surgir com a evolução da doença.
A adaptação à nova realidade obriga a fazer algumas mudanças no ambiente que rodeia o doente. Algumas medidas simples ajudam a contornar as dificuldades no dia-a-dia.
- O piso da casa deve manter-se livre de obstáculos, como tapetes soltos e objetos que possam originar escorregadelas e quedas.
- Instale pegas ou corrimãos em vários pontos da casa, para que a locomoção possa ser feita com apoio.
- Afaste mesas, cadeiras os bancos com pernas inclinadas, que possam levar o doente a tropeçar quando os contorna.
- A roupa deve ser fácil de vestir. Evite botões com casas muito apertadas ou fechos difíceis de utilizar.
- O calçado deve ser antiderrapante e fácil de descalçar.
- Evite o uso de lâminas de barbear. Se possível, prefira máquinas de barbear elétricas, caso o doente tenha autonomia para as utilizar.
- A consistência dos alimentos pode ser adaptada caso existam dificuldades em mastigar ou engolir. As refeições devem ser feitas sem pressão de tempo, para que seja possível comer e beber de forma segura e calma.
- Se os músculos estiverem muito tensos, procure uma cadeira reclinável, que ajudará o doente a relaxar. Verifique se o mecanismo de controlo pode ser manuseado pelo doente.
- Facilite o acesso a interruptores. Coloque lâmpadas de presença no quarto e noutras divisões da casa que o doente possa vir a utilizar durante a noite. Assim evita que o doente tropece e caia desamparado.
Causa da doença de Parkinson está no cérebro
A destruição progressiva de alguns neurónios do cérebro, que produzem dopamina, levam ao aparecimento da doença. O défice de dopamina condiciona o controlo do tónus muscular e dos movimentos.
Não há cura para a doença de Parkinson, mas a medicação aos doentes com Parkinson ajuda a diminuir os tremores e a melhorar o controlo dos movimentos corporais. Em complemento, recomenda-se um estilo de vida ativo, com prática regular de exercício, que melhore a qualidade de vida do doente. A fisioterapia é indicada nos casos em que há necessidade de corrigir a postura, apostando em alongamentos e estimulação muscular. Em alguns casos, a terapia da fala também pode ser útil para corrigir dificuldades na oralidade. Já a terapia ocupacional é recomendada para quem tem dificuldade nas atividades quotidianas, como vestir, despir, cozinhar ou trabalhar.
Quando a cirurgia é uma opção
A cirurgia de estimulação cerebral profunda é uma das terapêuticas possíveis para doentes com Parkinson, mas está longe de ser a primeira linha de tratamento.
Há doentes com quadros de doença agravada, em que a medicação já não é suficiente para garantir uma qualidade de vida aceitável. Não havendo outras contraindicações, pode recomendar-se uma cirurgia de estimulação cerebral, que consiste na introdução de um elétrodo nas estruturas profundas do cérebro. O elétrodo é ligado a um neuroestimulador colocado debaixo da pele, na zona do peito. Ao enviar estímulos elétricos para a área do cérebro que controla os movimentos, o neuroestimulador ajuda a melhorar a qualidade de vida do doente, já que reduz os tremores e a lentidão de movimentos, além de minimizar dores corporais, alterações do sono e até os momentos de tristeza.
Apesar de ser um procedimento seguro, há risco de hemorragia cerebral ou AVC durante a cirurgia. Em regra, são submetidos a este procedimento os doentes sem alterações cognitivas ou psiquiátricas, sem alterações estruturais na ressonância magnética cerebral e com idade inferior a 70 anos.
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