Dicas

Doença de Parkinson: contornar obstáculos do dia-a-dia

Casa sem tapetes, roupa sem botões e luzes de presença no quarto ajudam os doentes de Parkinson a fintar as dificuldades quotidianas. 

09 dezembro 2021
filha e mãe de costas num banco de jardim

4See/Luís Filipe Catarino

Lentidão dos movimentos voluntários, rigidez e tremores, geralmente em repouso, são os principais sintomas de quem sofre de doença de Parkinson. Estima-se que esta doença degenerativa crónica do sistema nervoso central afete 1% da população mundial com mais de 60 anos. Em Portugal, cerca de 20 mil pessoas sofrem de doença de Parkinson.

À medida que a doença progride, os pacientes tendem a desenvolver dificuldades em andar e em manter o equilíbrio. Outros sintomas, como problemas a engolir e falar, perturbações do sono e comprometimento cognitivo, também podem surgir com a evolução da doença.

A adaptação à nova realidade obriga a fazer algumas mudanças no ambiente que rodeia o doente. Algumas medidas simples ajudam a contornar as dificuldades no dia-a-dia.

  • O piso da casa deve manter-se livre de obstáculos, como tapetes soltos e objetos que possam originar escorregadelas e quedas.
  • Instale pegas ou corrimãos em vários pontos da casa, para que a locomoção possa ser feita com apoio.
  • Afaste mesas, cadeiras os bancos com pernas inclinadas, que possam levar o doente a tropeçar quando os contorna.  
  • A roupa deve ser fácil de vestir. Evite botões com casas muito apertadas ou fechos difíceis de utilizar.
  • O calçado deve ser antiderrapante e fácil de descalçar.
  • Evite o uso de lâminas de barbear. Se possível, prefira máquinas de barbear elétricas, caso o doente tenha autonomia para as utilizar.
  • A consistência dos alimentos pode ser adaptada caso existam dificuldades em mastigar ou engolir. As refeições devem ser feitas sem pressão de tempo, para que seja possível comer e beber de forma segura e calma.
  • Se os músculos estiverem muito tensos, procure uma cadeira reclinável, que ajudará o doente a relaxar. Verifique se o mecanismo de controlo pode ser manuseado pelo doente.
  • Facilite o acesso a interruptores. Coloque lâmpadas de presença no quarto e noutras divisões da casa que o doente possa vir a utilizar durante a noite. Assim evita que o doente tropece e caia desamparado.

Causa da doença de Parkinson está no cérebro

A destruição progressiva de alguns neurónios do cérebro, que produzem dopamina, levam ao aparecimento da doença. O défice de dopamina condiciona o controlo do tónus muscular e dos movimentos.

Não há cura para a doença de Parkinson, mas a medicação aos doentes com Parkinson ajuda a diminuir os tremores e a melhorar o controlo dos movimentos corporais. Em complemento, recomenda-se um estilo de vida ativo, com prática regular de exercício, que melhore a qualidade de vida do doente. A fisioterapia é indicada nos casos em que há necessidade de corrigir a postura, apostando em alongamentos e estimulação muscular. Em alguns casos, a terapia da fala também pode ser útil para corrigir dificuldades na oralidade. Já a terapia ocupacional é recomendada para quem tem dificuldade nas atividades quotidianas, como vestir, despir, cozinhar ou trabalhar.

Quando a cirurgia é uma opção

A cirurgia de estimulação cerebral profunda é uma das terapêuticas possíveis para doentes com Parkinson, mas está longe de ser a primeira linha de tratamento.

Há doentes com quadros de doença agravada, em que a medicação já não é suficiente para garantir uma qualidade de vida aceitável. Não havendo outras contraindicações, pode recomendar-se uma cirurgia de estimulação cerebral, que consiste na introdução de um elétrodo nas estruturas profundas do cérebro. O elétrodo é ligado a um neuroestimulador colocado debaixo da pele, na zona do peito. Ao enviar estímulos elétricos para a área do cérebro que controla os movimentos, o neuroestimulador ajuda a melhorar a qualidade de vida do doente, já que reduz os tremores e a lentidão de movimentos, além de minimizar dores corporais, alterações do sono e até os momentos de tristeza.

Apesar de ser um procedimento seguro, há risco de hemorragia cerebral ou AVC durante a cirurgia. Em regra, são submetidos a este procedimento os doentes sem alterações cognitivas ou psiquiátricas, sem alterações estruturais na ressonância magnética cerebral e com idade inferior a 70 anos.

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