Dicas

Controlar a febre: como agir

11 março 2016
O que deve fazer para melhor lidar com a febre

11 março 2016

A febre é uma reação natural do organismo que alerta para algo que não está bem com o corpo. Embora o paracetamol e o ibuprofeno sejam antipiréticos muitas vezes úteis, a administração destes medicamentos a crianças com febres baixas pode, por vezes, ter efeitos adversos.

Definida como uma elevação da temperatura corporal acima dos valores considerados normais, a febre é uma reação fisiológica benéfica no combate às infeções. Resulta da “luta” do corpo contra certos males ou anomalias, como uma infeção ou inflamação. Pode também ser provocada por medicamentos, vacinas, traumatismos ou queimaduras.

Outros aspetos que influenciam a temperatura corporal incluem: o ritmo circadiano (ritmo biológico do corpo humano durante aproximadamente 24 horas, sendo que se constata que a temperatura é regra geral mais baixa por volta das 4 horas e mais elevada pelas 18 horas), a temperatura ambiente, o vestuário, a atividade física e as alterações emocionais.

Diferentes temperaturas em diferentes pontos de medição
A temperatura corporal obtida depende de vários fatores, como a zona do corpo onde é medida e até a hora do dia em que a medição é feita.

A medição retal é a mais adequada para bebés e a mais fidedigna de todas. Nesse cenário, uma temperatura corporal de 38º C ou mais é considerada febril.

Já a medição no ouvido, embora mais cómoda, implica o uso de um termómetro adequado e apresenta uma margem de erro maior; neste caso consideram-se febris as temperaturas a partir dos 37,6º C. Saiba mais sobre os diferentes tipos e aparelhos de medição, nas nossas dicas sobre termómetros.

Combater as altas temperaturas sem abusar dos medicamentos
Crianças ou adultos com febre costumam exibir um comportamento apático, irritável e ter menos apetite. Genericamente falando, a febre não é considerada significativa abaixo dos 38ºC.

Caso a subida de temperatura seja moderada, abaixo de 39ºC, é importante beber muitos líquidos, usar roupa leve e repousar num ambiente com temperatura amena (cerca de 20ºC). Um banho com água morna também ajuda a diminuir a febre.

Se a temperatura não baixar, podem ser administrados antipiréticos comuns, como o paracetamol ou o ibuprofeno. No caso das crianças, a toma deve ser feita em doses adequadas para a idade e com o objetivo de lhes proporcionar maior conforto. Se desconhecer a causa da febre, evite o ácido acetilsalicílico (presente na Aspirina e no Aspegic, por exemplo), pois, em casos raros, pode provocar vómitos, confusão ou coma.

Segundo um novo guia lançado pela Academia Americana de Pediatria, uma organização integrada por 64.000 pediatras que é uma referência para os profissionais da especialidade, estes medicamentos tendem a ser administrados excessivas vezes ou de forma incorreta pelos pais aos filhos. O risco de sobredosagem parece ser maior quando é observado o uso de terapias combinadas, como alternar entre paracetamol e ibuprofeno.

A organização afirma que tal quadro se verifica sobretudo em cenários de febre baixa ou não febris, sendo também frequente a utilização de doses desadequadas. De acordo com as diretivas desta organização, se a criança está a dormir confortavelmente não deve ser acordada para tomar antipiréticos.

Destes erros podem advir consequências como o prolongamento do estado febril. Consulte o nosso simulador de analgésicos para crianças para saber quais as doses certas a administrar, consoante o peso e tipo de medicamento.

A subida muito rápida da temperatura pode dar origem a convulsões, sobretudo entre os 6 meses e os 5 anos. Neste cenário, a criança treme com movimentos abruptos que podem envolver todo o corpo ou apenas um dos lados. Para evitar que se magoe, deve deitá-la sobre uma superfície plana, de lado, com uma almofada debaixo da cabeça, e afastar objetos que possam magoá-la.

Muitos dos episódios febris duram entre 1 e 3 dias e não têm complicações graves. Deverá, contudo, consultar o médico de família ou o pediatra se:
  • a febre for acompanhada por sintomas significativos;
  • a criança padecer de uma doença crónica;
  • a temperatura for demasiado elevada (40ºC) e persistir por mais de 3 dias, apesar da toma de medicação.

Imprimir Enviar por e-mail