Dicas

Como controlar a rinite alérgica

Sem cura, mas controlável

Não existe cura para a rinite alérgica: os tratamentos destinam-se a controlar os sintomas. Nem mesmo a imunoterapia, o único tratamento que age sobre o mecanismo que desencadeia as respostas imunológicas, consegue alcançar este desígnio. E que táticas existem para controlar os sintomas? São basicamente de dois tipos: a chamada evitação (prevenção) e o tratamento dos sintomas.

Ao ataque à rinite alérgica

Reduzir a exposição aos alergénios ajuda, embora nem sempre seja possível, sobretudo quando aqueles têm o dom da ubiquidade: na primavera, os pólenes estão em todo o lado. Ainda assim, algumas medidas, como arejar a casa e moderar a permanência no exterior nesta fase do ano, não são de descartar.

Só os medicamentos, porém, são capazes de aliviar os sintomas e devolver qualidade de vida. Anti-histamínicos, para tomar oralmente ou aplicar no nariz ou nos olhos, e sprays nasais à base de corticosteroides são os mais frequentes. Mas atenção: os últimos podem causar mais efeitos adversos, como irritação ou sangramento. Limpe bem o nariz antes de aplicá-los, retirando todo o muco, se necessário com soro fisiológico ou água do mar.

Os anti-histamínicos e os sprays de corticosteroides podem ser combinados com descongestionantes nasais, que, no entanto, não devem ser usados por mais de três a cinco dias, sob pena de causarem o efeito inverso: a obstrução do nariz.

Nas situações mais graves e/ou persistentes, também é possível tomar preventivamente, uma vez por dia, um medicamento da categoria dos ditos antagonistas do recetor de leucotrieno (por exemplo, o montelucaste). Destinam-se a evitar a produção de leucotrienos pelo sistema imunitário, substâncias que provocam inflamação e estreitamento das vias respiratórias, conduzindo a dificuldade em respirar. O objetivo destes medicamentos é, então, reduzir a frequência e a gravidade das crises. Mas, como todos os fármacos podem provocar reações diferentes de indivíduo para indivíduo, a solução deve ser escolhida por medida.

À medida do doente

As abordagens dependem dos sintomas e da sua severidade e duração. Caso se prolongue por mais de quatro dias por semana durante mais de quatro semanas, a rinite é considerada persistente.

Intermitente

Ligeira. Os sintomas são pouco graves, vão e vêm, e não têm grande impacto na qualidade de vida. O sono é normal e não se verifica perturbação das atividades diárias. Os anti-histamínicos, seja para aplicar no nariz, seja para tomar oralmente, são a opção preferencial. No entanto, como têm um efeito algo modesto contra a obstrução nasal, pode ser necessária a utilização de um descongestionante.

Moderada a severa. Os sintomas já são consideráveis a graves, ainda que episódicos. O sono e as atividades diárias sofrem perturbação, por exemplo, devido a nariz obstruído ou olhos lacrimejantes. O tratamento também é feito, em primeira linha, com anti-histamínicos de administração nasal ou oral. Se a opção não resultar, são receitados corticosteroides nasais. Em caso de obstrução do nariz, podem ser usados descongestionantes por três a cinco dias.

Persistente

Ligeira. Os sintomas são leves, ainda que durem várias semanas. O sono e as atividades diárias mantêm-se normais. Os anti-histamínicos, seja de administração nasal ou oral, voltam a ser a primeira escolha. Quando não resultam, o médico, no geral, opta por corticosteroides nasais. Se o nariz ficar obstruído, pode receitar descongestionantes por três a cinco dias.

Moderada a severa. Não só os sintomas revelam mais gravidade como se prolongam por mais tempo, e a vida é globalmente afetada. Os corticosteroides nasais são a primeira opção. Face a pingo e comichão no nariz, ou se os olhos forem afetados, podem ser combinados com anti-histamínicos. Neste caso, os descongestionantes já podem ser usados por sete dias. Em segunda linha, recorre-se aos chamados antagonistas do recetor de leucotrieno, como o montelucaste.

Imunoterapia e tratamentos termais

A imunoterapia, uma abordagem que deve prolongar-se, no mínimo, por três anos, mas idealmente por cinco, consiste na contínua administração de um alergénio ou misturas de alergénios idênticos àqueles a que a pessoa é sensível, tudo em doses controladas. O objetivo é dessensibilizar o doente, diminuir as reações e, assim, a necessidade de medicamentos.

A administração, uma vez por mês, pode processar-se por injeção, gotas ou um comprimido debaixo da língua. Não é uma cura, mas, por vezes, limita o impacto da doença e da resposta imunológica indesejada. Por exemplo, em crianças, pode evitar que a rinite alérgica progrida para asma. Mas os resultados variam consoante a pessoa. E a imunoterapia só é aconselhável nos casos não controláveis com fármacos.

Alguns estudos científicos sugerem a utilidade da água termal como complemento dos medicamentos e da imunoterapia. Ora, os tratamentos termais voltaram a ser comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde, mediante prescrição emitida por um médico de um centro de saúde. O Estado atribui 35% das despesas, até 95 euros. Não é muito, mas, ao fim de oito anos a zeros, voltou a ser alguma coisa.