Dicas

Atenuar os sintomas da menopausa com medicamentos e cuidados diários

Afrontamentos, irritabilidade, cansaço e problemas de sono são alguns sintomas associados à menopausa. Conheça os tratamentos médicos e os cuidados diários que ajudam a minimizar os incómodos.

  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Carla Mateus e Fátima Ramos
18 outubro 2021
  • Dossiê técnico
  • Joana Almeida
  • Texto
  • Carla Mateus e Fátima Ramos
Senhora de meia-idade a refrescar-se com um leque vermelho

iStock

Ainda que seja natural e inevitável, a menopausa traz, na maior parte dos casos, mudanças significativas à vida das mulheres. Determinada pela idade em que a mulher teve a última menstruação, a menopausa assinala o fim da fertilidade e só é confirmada após 12 meses consecutivos sem qualquer fluxo menstrual. 

Em causa está a cessação da produção de estrogénios e progesterona (hormonas femininas) pelos ovários, que acontece de forma progressiva e provoca alterações a diferentes níveis. Ao longo deste processo, a capacidade reprodutiva da mulher vai ficando diminuída e as menstruações tornam-se irregulares até cessarem por completo, podendo surgir sintomas, como os afrontamentos ou a irritabilidade. 

Com que idade se entra na menopausa?

Geralmente, ocorre entre os 45 e os 55 anos, mas em alguns casos pode manifestar-se mais cedo, antes dos 40 anos (menopausa prematura), ou mais tarde (menopausa tardia). Tudo depende da mulher e da sua história clínica e familiar. Pode resultar de um acontecimento natural relacionado com o envelhecimento ou ser consequência de tratamentos médicos (por exemplo, quimioterapia e radioterapia) ou cirúrgicos (remoção dos ovários e, às vezes, do útero).

Fumar, trabalhar à noite, ter pouco peso e sofrer de doenças como epilepsia, hipotiroidismo ou diabetes de tipo 1 são fatores que também se associam a menopausa precoce. Já a ocorrência de mais do que uma gravidez a termo, o uso de contracetivos orais e a primeira menstruação a partir dos 13 anos relacionam-se com a menopausa tardia.

Afrontamentos entre os principais sintomas

Algumas mulheres atravessam esta fase praticamente sem queixas, enquanto outras a vivenciam de forma conturbada. A transição para a menopausa implica alterações nos níveis das hormonas estrogénio e progesterona, e com ela chegam as manifestações características do período, muitas vezes desconfortáveis e com impacto na qualidade de vida. Os afrontamentos, que podem ser acompanhados de suores - mais frequentes à noite –, calafrios e ansiedade, são algumas delas. Comuns são também as alterações de humor, associadas a um estado de maior ansiedade e irritabilidade, dificuldade em dormir, diminuição da qualidade do sono, fadiga, depressão e problemas de concentração e de memória.

A diminuição da produção hormonal, em particular de estrogénio, provoca ainda atrofia vulvovaginal, causando secura, ardor e/ou dor durante as relações sexuais, bem como a diminuição da libido. Por vezes, há também maior tendência para infeções urinárias recorrentes. A longo prazo, o risco de aparecimento de doenças cardiovasculares e de osteoporose aumenta, e torna-se mais difícil a mulher manter o peso habitual.

Terapia hormonal de substituição e outros tratamentos

Quando os sintomas da menopausa reduzem a qualidade de vida, não há que ter medo de recorrer a tratamentos para os atenuar. Não existem truques ou terapêuticas que resultem com todas as mulheres, mas, com acompanhamento médico e os cuidados adequados, é possível ultrapassar ou minimizar a maioria das queixas.

A terapêutica hormonal de substituição (THS), que consiste na reposição das hormonas em falta no organismo, continua a ser a mais eficaz no alívio dos sintomas vasomotores e da atrofia vulvovaginal. Pode ser feita apenas com estrogénios, nas mulheres sem útero, ou estrogénios combinados com progestagénios, nas restantes, e por via oral (comprimidos), transdérmica (adesivo, gel, loção) ou vaginal. A primeira deve ser tomada diariamente, sem qualquer intervalo, enquanto a segunda (estrogénio mais progestagénio) tanto pode ser administrada de forma cíclica como contínua. Esta terapêutica comporta riscos, pelo que a decisão de segui-la deve ser partilhada entre o médico e a paciente, depois de bem informada, com base nos benefícios e nos riscos individuais.

Quando os riscos superam os benefícios, como é o caso de mulheres com cancro da mama, doenças cardiovasculares ou risco de tromboembolismo venoso, o plano de tratamento é outro. No controlo dos afrontamentos, podem ser usados, por exemplo, antidepressivos, antiepiléticos ou clonidina e, para alívio da atrofia vulvovaginal, soluções hidratantes e lubrificantes. Nalguns casos, a par do tratamento farmacológico, são recomendados suplementos alimentares, por exemplo, com ómega-3 ou vitamina E e fitoestrogénios, apesar de existir evidência limitada sobre a sua eficácia.

Cuidados no dia-a-dia para minimizar sintomas

Ao alcance da mulher está a adaptação dos hábitos de vida, de forma a atenuar os sintomas da menopausa. Deixamos algumas dicas.

  • Para enfrentar calores e afrontamentos, vista-se por camadas, de forma a poder ir tirando peça a peça. Evite tecidos sintéticos e roupas apertadas.
  • Se sente stresse, ansiedade, irritabilidade e dificuldade em dormir, dedique-se a atividades relaxantes, como ioga, tai chi ou mindfulness.
  • Pratique exercício físico. A atividade física promove a saúde mental e a sensação de bem-estar, ajudando no combate às alterações de humor e à ansiedade. Contribui ainda para manter o peso e diminui o risco de doenças cardiovasculares e de fraturas devido a osteoporose.
  • Siga uma dieta saudável. Para um melhor controlo dos afrontamentos e do peso, fique longe do açúcar e evite alimentos muito processados e ricos em gordura, bem como os muito condimentados e com cafeína. Estes podem acentuar alguns sintomas da menopausa.
  • Evite o consumo de refeições muito pesadas e picantes à noite, pois podem potenciar os afrontamentos e os distúrbios de sono. O mesmo acontece com as bebidas alcoólicas e as que incluem cafeína.
  • Durma num ambiente calmo. Para ter um sono descansado, evite usar dispositivos eletrónicos antes de se deitar e procure um ambiente silencioso. Com o quarto ventilado e a uma temperatura amena, diminui a probabilidade de suores noturnos.

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