Dicas

Cancro da laringe: prevenir e detectar cedo

23 agosto 2010

23 agosto 2010

Evitar o tabaco e o álcool e incluir muita fruta e legumes na ementa diária reduz o risco. Não deixe arrastar uma rouquidão inexplicada por mais de 15 dias.

Entre os tumores da cabeça e pescoço, o cancro da laringe é o segundo mais frequente, a seguir ao da faringe. Afecta sobretudo homens com mais de 55 anos. Além de factores hereditários, está associado ao consumo excessivo de tabaco e álcool. Representa a quinta causa oncológica de morte a nível mundial, a seguir ao cancro do pulmão, cólon, bexiga e próstata. Portugal é o terceiro país da Europa com maior incidência do cancro da laringe.

Detectado precocemente, tem grandes hipóteses de cura. É importante ir ao médico quando surgem sinais de alarme.

Sinais de alarme
Rouquidão sem causa aparente por mais de duas semanas é motivo para consultar um otorrinolaringologista (especialista dos ouvidos, nariz e garganta) sem tardar:

  • rouquidão ou outra alteração da voz persistente;
  • um gânglio no pescoço;
  • garganta seca ou sensação de ter um corpo estranho recorrente na garganta;
  • tosse persistente;
  • problemas respiratórios;
  • mau hálito persistente;
  • dores de ouvido;
  • perda de peso sem razão aparente;
  • dificuldade ou dor ao engolir.

Do diagnóstico ao tratamento
Regra geral, para excluir a presença de um tumor, o diagnóstico passa por uma laringoscopia. Permite visualizar a laringe de forma clara. Caso detecte uma anomalia (um pólipo, por exemplo), o médico pode extrair um pedaço de tecido para analisar.

Na presença de tecidos cancerosos, o paciente é submetido a exames (geralmente, uma tomografia axial computorizada) para determinar a extensão do problema. Para um tumor detectado numa fase inicial, localizado e de pequena dimensão, a taxa de cura é muito elevada.

Os tratamentos podem passar por cirurgia, nomeadamente com laser, radioterapia e/ou quimioterapia. Por vezes, é necessário remover parte da laringe, ou uma porção das cordas vocais, sem afectar totalmente a voz (laringectomia parcial). A colocação de um orifício (ostoma), entre a traqueia e a superfície, para respirar, é temporário. Com o passar do tempo, o orifício acaba por fechar-se.

Quando o tumor está numa fase mais avançada, o tratamento passa pela remoção total da laringe e cordas vocais (laringectomia total). Os pacientes perdem a voz e a capacidade de respirar pela boca e nariz. A passagem dos alimentos mantém-se.

Cuidados após uma laringectomia
Após a cirurgia, o paciente é informado sobre os cuidados de higiene diária do pescoço, sobre as medidas de protecção do ostoma (orifício) através de filtro, para evitar a entrada de ar frio, pó, insectos, etc. Deve evitar ambientes poluídos e/ou secos e beber bastantes líquidos. Se viver em ambiente muito seco, deverá utilizar humidificadores. Encontrará mais informações práticas na página on-line da Associação Portuguesa dos Limitados da Voz.

A terapia da fala ajuda a recuperar a fala através de uma voz esofágica. A expulsão do ar que vem da parte superior do esófago vibra nas suas paredes, emitindo sons. O paciente aprende progressivamente a emitir sílabas, depois palavras e frases, até ao domínio total da fala. Este processo leva, em média, 6 meses. Os hospitais que efectuam laringectomias têm centros de terapia da fala.

Nos casos em que a reeducação da voz não é eficaz, existem alternativas para voltar a falar, como a prótese fonatória ou laringe electrónica. No primeiro caso, é necessária uma cirurgia para colocar uma pequena prótese entre a traqueia e o esófago.
A laringe electrónica consiste num pequeno aparelho que o utente encosta à garganta e emite vibrações para a produção de sons.

Evite o tabaco e o álcool

  • Evite o consumo excessivo de tabaco e álcool. Estes dois factores associados aumentam 200 vezes o risco de cancro da laringe.
  • Os antioxidantes nos alimentos ajudam a reduzir o risco de cancro. Privilegie o leite, a fruta, os legumes e o chá verde na sua dieta. A fruta e legumes ricos em carotenóides são especialmente benéficos. Reconhecem-se pela cor vermelha-alaranjada ou escura: cenoura, tomate, manga, uvas pretas, laranja, alperce, melancia, espinafre e beterraba são exemplos.
  • Os pesticidas, as tintas e o fumo passivo estão na lista dos factores de risco. Pessoas que trabalhem com estas substâncias devem proteger-se adequadamente, com máscaras, ventilando o espaço de trabalho e não fumando em recintos fechados, por exemplo.
  • Perante uma rouquidão ou alteração da voz que persistem mais de duas semanas, consulte um otorrinolaringologista. Existem muitas causas possíveis. Em caso de tumor na garganta, a detecção precoce garante uma taxa de cura superior a 90 por cento.

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