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Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019
Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019

Foram confirmados 36 casos de febre-amarela no Brasil, desde o início do mais recente surto. A Direção-Geral da Saúde recomenda a vacina contra a doença a quem viaja para este país.

Zika

O alerta surgiu em janeiro de 2016, depois de um aumento anormal de casos de bebés com microcefalia no Brasil, cujas mães tinham contraído o vírus durante a gravidez. Os casos de microcefalia congénita suspeitos de estarem associados a esta infeção eram, à data, de 3 530, segundo a Autoridade para o Controlo e Prevenção da Doença da Europa, quando em períodos anteriores só se verificavam cerca de 160 casos por ano.

Embora a relação de causa e efeito entre a infeção pelo Zika durante a gravidez e a microcefalia nos recém-nascidos ainda não esteja comprovada, "as provas circunstâncias são muito preocupantes", confirma a Organização Mundial da Saúde.

Apenas uma em cada cinco pessoas infetadas pelo Zika fica doente e as manifestações são geralmente moderadas, por isso, muitas pessoas não sabem que contraíram o vírus. Portugal teve quatro casos confirmados, que ocorreram em cidadãos portugueses que regressaram do Brasil, mas todos evoluíram favoravelmente.

Como se transmite 

O vírus Zika é transmitido pela picada do mosquito Aedes, o mesmo que está na origem das infeções por dengue e chikungunya, mas nunca levantou grandes preocupações porque os seus sintomas são ligeiros e de curta duração. Estes mosquitos, que vivem tanto no interior como no exterior, geralmente depositam os seus ovos em águas paradas (baldes e vasos de plantas, entre outros locais).

Para além da picada de insetos infetados, os investigadores acreditam que poderão existir outras formas de propagação. A transmissão fetal ainda esta a ser investigada, mas sabe-se que a mãe pode passar o vírus ao bebé no momento do parto, embora isso seja raro (a amamentação não constitui perigo). Existe ainda uma notificação de transmissão por sangue e por contacto sexual, mas ainda não há certezas de que sejam formas de contágio. O vírus não se transmite de pessoa para pessoa.

Sintomas e sinais após 2 a 7 dias

Os mais comuns são febre baixa, erupções cutâneas (lesões na pele), dores nas articulações, conjuntivite, dores de cabeça e musculares, mas, com menor frequência, podem ainda ocorrer problemas gastrointestinais. Estas manifestações costumam ocorrer entre 2 a 7 dias depois da picada. Se existir um agravamento dos sintomas, o que é raro, pode ser necessária a hospitalização.

Em 80% dos casos, a infeção não chega a ter manifestações, no entanto, as autoridades apelam a que os viajantes provenientes de uma área afetada que apresentem, até 12 dias após a data de regresso, os sintomas acima referidos, contactem a linha Saúde 24 (808 24 24 24), referindo a viagem recente. As mulheres grávidas que tenham permanecido em áreas afetadas devem consultar o seu médico assistente mencionando a viagem, mesmo que não apresentem sintomas. O vírus pode ser confirmado através de análises ao sangue.

Outra doença que sofreu um aumento nas áreas com surtos do vírus Zika foi a Síndrome de Guillan-Barré. É uma doença autoimune, que pode ter origem após infeção por vários vírus e bactérias: o sistema imunológico ataca o sistema nervoso periférico, causando inflamação nos nervos e fazendo com que estes deixem de funcionar. Os principais sintomas são fraqueza muscular, dor e formigueiro. As autoridades ainda estão a efetuar mais estudos para tentar perceber se existe alguma relação entre o vírus e a doença.

Tratar os sintomas

Tal como para a maior parte das doenças provocadas por picadas de mosquito, também não existe vacina nem tratamento específico para a infeção por vírus Zika. Os pacientes infetados podem tratar os sintomas através de paracetamol, devem descansar bastante e beber muitos líquidos para evitar a desidratação. O ácido acetilsalicílico ou outro anti-inflamatório não esteroide, como o ibuprofeno ou naproxeno, não deve ser tomado até estar descartada a infeção por dengue, de modo a evitar o risco de hemorragia.

Grávidas em alerta

Até 2015 acreditava-se que a doença não trazia complicações. Mas o aumento de casos de microcefalia em bebés cujas mães contraíram o vírus durante a gravidez vem pôr em causa essa ideia. 
A microcefalia é uma condição neurológica rara caraterizada por um crescimento menor da cabeça comparativamente com outros bebés da mesma idade e sexo, durante a gestação ou após o nascimento. Crianças com microcefalia geralmente têm problemas de desenvolvimento.

Aposte na prevenção

Como não há vacina nem tratamento profilático para a infeção pelo vírus Zika, a solução passa pela prevenção da picada de insetos. As grávidas e as mulheres que estão a pensar engravidar devem adiar as viagens para países com casos confirmados do vírus. Se não puder evitar a viagem, as autoridades de saúde, incluindo a Direção-Geral da Saúde recomendam a todos:

  • antes da viagem, procure aconselhamento em Consulta do Viajante, em especial, as mulheres grávidas; 
  • no destino, siga as recomendações das autoridades locais;
  • utilize vestuário adequado para diminuir a exposição corporal à picada (camisas de manga comprida, calças);
  • opte preferencialmente por alojamento com ar condicionado;
  • tenha especial atenção aos períodos do dia em que os mosquitos do género Aedes picam mais frequentemente (a meio da manhã e desde o entardecer ao pôr-do-sol) e utilizar redes mosquiteiras se não se conseguir proteger dos insetos em casa ou no hotel;
  • aplique repelentes de insetos com intervalos de 3 a 4 horas e siga as instruções do fabricante. O DEET é considerado o repelente de insetos mais eficaz e com maior duração de ação (outras alternativas são a icaridina, o IR3535 ou o p-metano-3,8-diol - PMD, também conhecido por citrepel ou citriodiol). As crianças devem usar as formulações próprias e conforme o indicado na embalagem (não utilizar repelentes com DEET - N,N-dietil-m-toluamida - em bebés com menos de dois meses. A icaridina só deve ser utilizada em crianças com idade superior a 2 anos, enquanto os produtos à base de óleo de eucalipto e seus derivados - p-metano-3,8-diol ou PMD- só são indicados a partir dos 3 anos);
  • se tiver de utilizar protetor solar e repelente, aplicar primeiro o protetor solar e depois o repelente de insetos;
  • evite a concentração de mosquitos dentro e fora de casa (ou do quarto de hotel) eliminando todos os recipientes com água parada, como vasos de plantas.