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Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019
Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019

Foram confirmados 36 casos de febre-amarela no Brasil, desde o início do mais recente surto. A Direção-Geral da Saúde recomenda a vacina contra a doença a quem viaja para este país.

Virus do Nilo

O alerta surgiu com a deteção de um caso de infeção por vírus do Nilo num cidadão português residente no Algarve. Consequência: a Direção-Geral da Saúde teve de implementar um plano de monitorização e de combate às larvas dos mosquitos no raio de 20 quilómetros da área de residência do homem afetado e a emitir um comunicado com um conjunto de medidas preventivas. O vírus do Nilo Ocidental é um flavivírus da mesma família da febre amarela e do dengue e é transmitido por mosquitos do género Culex, que alimentam de aves infetadas. Mas, ao contrário da maioria das infeções deste tipo, em que há uma ou duas espécies de mosquito envolvidas, este pode ser transmitido por mais de 50 tipos.

Como se transmite

O vírus não se transmite de pessoa para pessoa, de animal para pessoa, nem pelo consumo de carne de animais infetados. Em casos raros, a contaminação pode surgir de mãe para filho através do nascimento ou amamentação, de transfusões de sangue e transplante de órgãos.

Embora seja um vírus originário de climas quentes, como África e Ásia tropical ou mediterrânica, desde 1990 as suas características epidemiológicas sofreram alterações, o que tem contribuído para o surgimento de mais surtos noutras zonas. Nos Estados Unidos, por exemplo, o vírus surgiu em 1999 e desde então tem dado origem a epidemias durante o verão. Portugal teve dois casos diagnosticados também em 1999, outros dois em 2004 e em 2010 um novo caso, pelo que os especialistas pensam ser possível que o vírus se instale no Sul do nosso país. A epidemia na Grécia foi, talvez, a mais grave de sempre na Europa com um registo de nove vítimas mortais até ao final de agosto de 2010. Os surtos surgem geralmente em função das rotas das aves migratórias (que são o hospedeiro do vírus) e da quantidade de mosquitos existente nos locais de passagem. Pessoas que trabalham ou realizam atividades ao ar livre estão mais expostas a picadas de mosquitos e, consequentemente, a contrair o vírus.

Sintomas passam despercebidos

Cerca de 80% das pessoas infetadas com o vírus não fica doente e a restante maioria não valorizará os sintomas pois pensa tratar-se de uma simples gripe. O período de incubação é de 2 a 14 dias e inclui manifestações como:
  • febre;
  • dor de cabeça;
  • dores no corpo;
  • náuseas e vómitos;
  • gânglios linfáticos inchados;
  • erupções cutâneas no corpo.

Apesar disso, em cerca de um por cento dos casos podem surgir complicações graves (como encefalite ou meningite), principalmente em pessoas com um sistema imunológico enfraquecido ou com doenças crónicas (cancro, diabetes, doenças cardíacas, por exemplo), em bebés muito pequenos e em indivíduos com mais de 60 anos. Estes casos incluem febre alta, dor de cabeça, torcicolo, confusão, coma, tremores, convulsões, dormência e paralisia, que podem durar várias semanas. Cerca de 10 por cento das pessoas com sintomas neurológicos acabam por morrer.

Como prevenir

Ainda não existe vacina, nem medicação contra o vírus do Nilo Ocidental, pelo que a solução passa por adotar comportamentos que previnam as picadas de insetos, como:

  • usar roupas leves e frescas mas que cubram o corpo;

  • aplicar repelentes nas áreas expostas;

  • utilizar redes mosquiteiras se o local não tiver ar condicionado (nesse caso não deve abrir as janelas);

  • evitar sair às ruas no momento de maior movimentação dos mosquitos (entardecer e amanhecer);

  • eliminar locais de propagação de mosquitos (águas paradas, lixo orgânico).

Como tratar

Às pessoas diagnosticadas é geralmente recomendado descanso, hidratação e medicação para a febre, mas para os casos mais graves pode ser necessário internamento, de modo a fazer reposição intravenosa de líquidos, manejamento das vias aéreas e prevenção de infeções secundárias.

Aposte na prevenção

Como não há vacina nem tratamento profilático para a infeção pelo vírus Zika, a solução passa pela prevenção da picada de insetos. As grávidas e as mulheres que estão a pensar engravidar devem ponderar adiar as viagens para países com casos confirmados do vírus, mas, se não o puderem evitar, as autoridades de saúde, incluindo a Direção-Geral da Saúde recomendam a todos:
  • antes da viagem, procure aconselhamento em Consulta do Viajante, em especial, as mulheres grávidas; 
  • no destino, siga as recomendações das autoridades locais;
  • utilize vestuário adequado para diminuir a exposição corporal à picada (camisas de manga comprida, calças);
  • opte preferencialmente por alojamento com ar condicionado;
  • tenha especial atenção aos períodos do dia em que os mosquitos do género Aedes picam mais frequentemente (a meio da manhã e desde o entardecer ao pôr-do-sol) e utilizar redes mosquiteiras se não se conseguir proteger dos insetos em casa ou no hotel;
  • aplique repelentes de insetos com intervalos de 3 a 4 horas e siga as instruções do fabricante. O DEET é considerado o repelente de insetos mais eficaz e com maior duração de ação (outras alternativas são a icaridina, o IR3535 ou o p-metano-3,8-diol - PMD, também conhecido por citrepel ou citriodiol). As crianças devem usar as formulações próprias e conforme o indicado na embalagem (não utilizar repelentes com DEET - N,N-dietil-m-toluamida - em bebés com menos de dois meses. A icaridina só deve ser utilizada em crianças com idade superior a 2 anos, enquanto os produtos à base de óleo de eucalipto e seus derivados - p-metano-3,8-diol ou PMD- só são indicados a partir dos 3 anos);
  • se tiver de utilizar protetor solar e repelente, aplicar primeiro o protetor solar e depois o repelente de insetos;
  • evite a concentração de mosquitos dentro e fora de casa (ou do quarto de hotel) eliminando todos os recipientes com água parada, como vasos de plantas.