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Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019
Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019

Foram confirmados 36 casos de febre-amarela no Brasil, desde o início do mais recente surto. A Direção-Geral da Saúde recomenda a vacina contra a doença a quem viaja para este país.

Malária

Também chamada paludismo, a malária é uma doença infeciosa transmitida geralmente através da picada do mosquito Anopheles. Existem quatro espécies capazes de infetar o ser humano: a grande maioria das mortes é provocada por Plasmodium falciparum e Plasmodium vivax, enquanto que as Plasmodium ovalo e Plasmodium malariae geralmente provocam uma forma menos agressiva de malária e que raramente é fatal.

É atualmente endémica nas regiões equatoriais, em certas partes da América, algumas da Ásia e grande parte de África, devido ao clima tropical que se faz sentir nesses locais. Chuva intensa, temperatura elevada constante e humidade elevada são fatores que proporcionam água estagnada em abundância propícia à reprodução contínua de larvas de mosquito.

Houve uma altura em que o vírus estava disseminado pelo continente europeu, nomeadamente em Itália, onde chegou a ser conhecida como febre romana.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que em 2010 tenham ocorrido 219 milhões de casos de malária que provocaram a morte a 600 mil pessoas, 200 mil das quais crianças. Cerca de 85% a 90% dos casos na África subsariana, sendo Moçambique, Mali e Burkina Faso os países com maior taxa de mortalidade. Embora os números sejam assustadores, a OMS salienta que representam uma diminuição de um terço face ao ano 2000. Este progresso deve-se, em grande parte à disseminação do uso de redes mosquiteiras tratadas com inseticida e da terapia combinada de artemisinina. A maioria dos casos (65 por cento) ocorre em crianças com idade inferior a 15 anos. Na Europa e na América do Norte, a doença está praticamente erradicada. Em 2011 houve apenas 102 casos adquiridos restritos a cinco países. 

Como se transmite

Em Portugal, os últimos casos de malária desenvolvidos no país foram diagnosticados em 1959, e desde então a totalidade das ocorrências são casos importados por pessoas que visitaram países tropicais (em 2011 foram notificados 58 situações). É provável que as alterações climáticas venham a criar novos habitats para o mosquito vetor de malária em regiões mais frias e de maior altitude, provocando alterações na sua distribuição geográfica e o aumento de surtos epidémicos.

Sintomas semelhantes aos da gripe

Na maioria dos casos, os sintomas começam 10 a 30 dias após a picada do mosquito e são semelhantes aos da gripe:
  • calafrios;
  • suores;
  • febre alta (primeiro contínua e depois de 3 em 3 dias);
  • dores de cabeça;
  • dores musculares;
  • cansaço.
No entanto, algumas situações são graves, e potencialmente mortais, dado que o paciente pode sofrer: 
  • alteração do estado de consciência ou coma;
  • fraqueza significativa, de tal forma que a pessoa não é capaz de caminhar;
  • incapacidade de se alimentar;
  • mais de dois episódios de convulsões em menos de 24 horas;
  • descida significativa da pressão arterial;
  • respiração descompensada e acumulação de líquidos no pulmão; 
  • icterícia;
  • insuficiência renal;
  • sangue na urina;
  • hemorragia espontânea;
  • hipoglicemia;
  • desequilíbrio do metabolismo com alteração do pH e dos iões no sangue;
  • anemia grave.

No caso de infeção por Plasmodium falciparum, também existe 10% de probabilidade de se desenvolver o que se chama de malária cerebral, responsável por cerca de 80% dos casos letais da doença. Além dos sintomas correntes, aparece ligeira rigidez na nuca, perturbações sensoriais, desorientação, sonolência ou excitação, convulsões, vômitos e dores de cabeça, podendo o paciente chegar ao coma.

Qualquer pessoa que apresente sinais de febre ao regressar há menos de um mês de um país onde a malária é endémica deve procurar ajuda médica sem se esquecer de referir a estadia nesse local.

 

Como tratar

A malária é tratada com medicação anti malárica. A escolha do fármaco depende do tipo e gravidade da doença. O tratamento de malária grave envolve medidas de apoio que são melhor realizadas numa unidade de cuidados intensivos onde se possam vigiar os sintomas e administrar os fármacos por via endovenosa. 

Redes mosquiteiras salvam milhões

Têm sido muitos os esforços para eliminar o parasita de várias partes do mundo, mas, até ao momento, ainda não existe uma vacina disponível no mercado (embora várias estejam em desenvolvimento). Entretanto, os medicamentos usados no tratamento da doença servem também para a prevenção da mesma. No caso dos viajantes, e uma vez que o efeito protetor não começa logo, devem iniciar a medicação antes da chegada e alguns dias após terem deixado a região (seguindo sempre as indicações do médico. O recurso à farmacologia preventiva não é, no entanto, viável para os habitantes das regiões afetadas, não só devido ao preço dos medicamentos, mas também por causa dos efeitos secundários resultantes do seu uso prolongado e à dificuldade em obter anti maláricos fora dos países desenvolvidos.

O uso de repelentes de insetos à base de DEET ou icaridina; a vaporização residual de interiores com inseticida (os mosquitos descansam no interior das casas durante a noite) e o uso de redes mosquiteiras às quais é aplicado também inseticida, são outras técnicas de erradicação que têm demonstrado resultados muito positivos em regiões endémicas. Estima-se que as redes tratadas com inseticida, por exemplo, sejam duas vezes mais eficazes que as não tratadas e que ofereçam mais 70% de proteção quando comparadas com a ausência de qualquer rede. Mas, infelizmente só estão presentes em cerca de 13% dos lares nos países subsarianos.