Alertas

Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019
Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019

Foram confirmados 36 casos de febre-amarela no Brasil, desde o início do mais recente surto. A Direção-Geral da Saúde recomenda a vacina contra a doença a quem viaja para este país.

Dengue

À semelhança da febre chicungunya, a dengue também é transmitida por várias espécies de mosquito do género Aedes, principalmente o Aedes aegypti. O vírus tem 4 tipos diferentes (DEN-1, 2, 3, e 4) e uma vez infetado por um deles o doente fica imunizado para esse sorotipo e adquire imunidade temporária contra os outros três. No entanto, um contágio subsequente por algum tipo diferente do vírus aumenta o risco de complicações graves.

A dengue é endémica em mais de 110 países, principalmente em regiões tropicais de Oceânia, África Oriental, Caraíbas e América. Mas desde a Segunda Guerra Mundial tem-se espalhado globalmente, levando à disseminação de diferentes sorotipos da doença para novas áreas e ao surgimento da dengue causadora da febre hemorrágica. Esta forma grave da doença foi relatada pela primeira vez em 1953, nas Filipinas, e, na década de 1970, tornou-se uma das principais causas de mortalidade infantil (em contraste com outras infeções, é mais comum em crianças que estão bem nutridas). Elementos do sexo feminino, pessoas com índice de massa corporal elevado e portadores de outras patologias também fazem parte do grupo de risco.

Como se transmite

A dengue não se propaga de pessoa para pessoa, à exceção de situações de transfusões de sangue e doação de órgãos por parte de indivíduos contaminados. O período de incubação varia entre 3 e 14 dias.

Atualmente, mais de cem milhões de pessoas por ano têm dengue ou doenças relacionadas, como dengue hemorrágica e síndrome de choque da dengue, e cerca de três mil milhões correm o risco de contrair a doença.

Hemorragias dão o alerta

Causada por um vírus semelhante ao que provoca a febre chicungunya, a dengue partilha diversos sintomas com essa doença. É, aliás, devido à parecença entre as duas patologias que o diagnóstico se torna tão importante. Ainda que 80% das pessoas infetadas sejam assintomáticas ou apresentem apenas sintomas leves, numa pequena parte dos casos, se a doença não for detetada numa fase inicial, pode avançar para estados hemorrágicos, com consequências fatais. Assim, deve procurar o médico se, após 2 a 7 dias de febre elevada de início súbito, dores de cabeça intensas (normalmente localizadas atrás dos olhos), dores musculares e articulares, hemorragias nasais ou nas gengivas, e erupções cutâneas, tiver:
  • vómitos persistentes;

  • dores abdominais intensas;

  • dificuldade em respirar.

Estes sintomas marcam o início de um período de 24/48 horas em que os vasos sanguíneos mais pequenos se tornam extremamente permeáveis e, por isso, mais sujeitos a hemorragias internas, podendo levar à falência do sistema circulatório e, consequentemente, à morte. Uma diminuição do nível de consciência ocorre entre 0,5% e 6% dos casos graves de dengue, o que é atribuível tanto a infeção do cérebro pelo vírus ou indiretamente como resultado da disfunção de órgãos vitais, como, por exemplo, o fígado. 

Esta fase crítica, apesar de rara, geralmente ocorre mais em crianças e em adultos jovens e apresenta uma taxa de mortalidade de até 10% para pacientes hospitalizados e de 30% para pacientes que não receberam tratamento.

Como prevenir 

Tratando-se de uma doença potencialmente mortal, e uma vez que os cientistas ainda não conseguiram desenvolver uma vacina que a cure nem medicamentos específicos para o seu tratamento, a prevenção é fundamental. Assim, deve:

  • eliminar os locais onde os mosquitos podem depositar os ovos (como vasos ou pratos com águas paradas dentro e em redor das casas);

  • usar repelente;

  • vestir roupa que tape os braços e as pernas;

  • utilizar redes mosquiteiras e ar condicionado para manter a temperatura amena.

Como tratar

Ingestão de fluidos para evitar a desidratação, descanso e recurso a analgésicos e paracetamol para diminuir a febre (anti-inflamatórios não esteroides devem ser evitados pois potenciam o risco de hemorragias) são as indicações de tratamento. Normalmente, os sintomas desaparecem ao fim de duas semanas.