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Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019
Viagens: proteja-se de doenças tropicais causadas por mosquitos

06 março 2019

Foram confirmados 36 casos de febre-amarela no Brasil, desde o início do mais recente surto. A Direção-Geral da Saúde recomenda a vacina contra a doença a quem viaja para este país.

Chicungunya

Detetada pela primeira vez na Tanzânia, em 1953, a doença foi buscar o nome a um dos idiomas oficiais do país, a língua maconde, e significa "tornar-se contorcido". Isto porque, dadas as intensas dores articulares e musculares que provoca, os pacientes costumam ter uma aparência curvada. Trata-se de uma infeção causada pelos mosquitos Aedes aegypti, em cidades, e Aedes albopictus, em ambientes rurais ou selvagens.

Até recentemente, os casos estavam restritos a países de climas quentes de África, Ásia Oriental e Índia (quanto mais quente for a temperatura do ambiente, mais curto é o período de incubação), onde a transmissão era principalmente urbana. No entanto, o aumento do número de viagens entre países e intercontinentais facilitaram a disseminação do vírus (que tem um período de incubação de quatro a 7 dias) e a partir de 2006 foram relatados casos esporádicos em diversos países europeus. Em Espanha foi confirmado o primeiro caso em agosto numa pessoa que não tinha viajado para uma zona de risco, mas as autoridades não se revelaram surpreendidas já que o clima é propício para a transmissão do vírus. Em setembro de 2017, a Organização Mundial da Saúde confirmou a ocorrência de um surto de Chikungunya na região de Lazio, em Itália, nomeadamente na cidade de Roma e nas áreas costeiras de Anzio e Latina, e na região de Calábria, município de Guardavalle.

Como se transmite

As picadas de mosquito são responsáveis por praticamente todos os casos de febre chicungunya, mas há outras formas de contaminação, como através do transplante de órgãos, do contacto com sangue de pacientes infetados e de mãe para filho durante o parto. A maioria dos casos não revela complicações de maior, sendo, essencialmente, uma doença limitante pelas prolongadas dores articulares associadas. Mas nos recém-nascidos, o quadro clínico costuma ser mais grave (a mortalidade em menores de um ano é de 0,4 por cento) e indivíduos com outras doenças e idade superior a 65 anos também têm um índice de mortalidade 50 vezes superior.

Sintomas podem durar anos

As intensas dores articulares nas primeiras 48 horas, principalmente nas mãos, punhos, pés e tornozelos, são o sintoma mais característico da doença e afetam cerca de 90% dos infetados, mas há outras manifestações na fase inicial:

  • febre alta de início súbito (40º C);
  • intensa dor lombar;
  • pequenos pontos avermelhados e agrupados na pele, que podem ou não ter algum relevo;
  • dor de cabeça;
  • dor muscular;
  • cansaço;
  • diarreia;
  • vómitos;
  • conjuntivite;
  • dor de garganta;
  • dor abdominal.

Os sintomas começam a desaparecer após 3 a 7 dias, mas em cerca de 80% dos casos o paciente entra na chamada fase subaguda, que se caracteriza pela continuidade ou mesmo exacerbação das dores articulares durante semanas. Quando estas se prolongam por mais de três meses, o paciente entra na fase crónica da doença, que pode durar até três anos.

Como prevenir

Também para esta doença ainda não existe vacina nem medicamentos, pelo que a prevenção volta a ser a única estratégia para evitar o contágio. Tal como para as outras doenças provocadas pela picada de mosquitos, a solução passa por:

  • vestir roupa que tape o corpo;

  • usar repelentes;

  • utilizar redes mosquiteiras;

  • eliminar locais de propagação de mosquitos (águas paradas, lixo orgânico).

Como tratar

Não havendo muito mais que o doente possa fazer, o descanso, a ingestão de 1,5/2 litros de água por dia para evitar a desidratação e a administração de medicamentos para a febre e as dores são as estratégias possíveis.