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Transplante capilar: mais de 4500 euros de diferença nos orçamentos para a mesma cabeça

Visitámos 11 locais que realizam transplantes capilares e, para a mesma cabeça, recebemos orçamentos entre 1550 e 6150 euros. A operação permite cobrir com sucesso zonas da chamada calvície comum, mas não serve para todos. Deve haver sempre uma avaliação médica prévia.

  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
27 julho 2021
  • Dossiê técnico
  • Teresa Rodrigues
  • Texto
  • Fátima Ramos
Profissional a marcar uma zona calva da cabeça de um homem com vista ao transplante capilar

iStock

Atores, apresentadores de televisão, futebolistas... são muitas as figuras públicas que se renderam ao transplante capilar e fazem questão de mostrar os resultados, associando a imagem a locais que oferecem este serviço. Mas a intervenção será tão fácil e vantajosa como se quer fazer parecer? Servirá para todas as cabeças? Nem sempre. O transplante aplica-se, sobretudo, a casos de alopecia androgénica, calvície quase sempre de origem hereditária, e só poderá ser feito se houver folículos capilares saudáveis em quantidade suficiente para repovoar a cabeça. Estes são uma espécie de fábrica celular da pele, que produz entre um e quatro fios de cabelo.

O transplante capilar é uma cirurgia

O transplante é uma operação cirúrgica, com anestesia local, que transfere folículos capilares, em geral, da parte de trás da cabeça para uma zona calva. São possíveis transferências de outras zonas do corpo, como é o caso da barba, desde que os folículos sejam suficientemente grossos. 

A excelência da obra final depende de uma boa avaliação do candidato, assim como do saber, da experiência e da arte de quem chama a si o trabalho. Quando todas as condições são respeitadas, a maioria dos pacientes fica satisfeita com os resultados do transplante, revela a investigação realizada nesta área. Além da melhoria estética, verifica-se, geralmente, o aumento da confiança e da autoestima.

Antes de o paciente tomar uma decisão, deve ser avaliado por um dermatologista. Convém ainda que se certifique de que, durante o transplante, estará nas mãos de um médico, de preferência, com conhecimentos em tricologia, a área da dermatologia que trata dos distúrbios capilares. Importa ainda ter informação sobre as várias técnicas possíveis, a forma como se vai processar a cirurgia, a recuperação e o acompanhamento médico posterior. 

A experiência de Manuel (nome fictício), um colaborador nosso que visitou anonimamente 11 estabelecimentos da Grande Lisboa, à procura de soluções para tapar as suas “entradas”, mostra que não é fácil identificar a opção certa.

Visita sem médico

Ao marcar a consulta por telefone, Manuel teve o cuidado de perguntar quem iria recebê-lo. Apenas em quatro estabelecimentos lhe disseram que seria um médico. Nos restantes, as honras da clínica estariam a cargo de “assistentes do médico”, “gestores de clientes” e um enfermeiro.

Em três estabelecimentos que proporcionaram atendimento médico, a consulta custou entre 10 (Clínica Dr. Well’s) e 60 euros (Instituto Português da Face). Nos restantes, foi gratuita. Segundo o nosso candidato ao transplante, “a diferença mais evidente foi os médicos dizerem que seriam os próprios a fazer o transplante”. 

Com uma avaliação mais ou menos aprofundada, todos os profissionais consideraram o transplante viável. Em dez locais, indicaram que seria aplicada a técnica FUE (do inglês follicular unit extraction). Na Clínica Svenson, informaram que tanto poderiam recorrer à FUE como à FUT (do inglês follicular unit transplant), os principais métodos de transplante capilar usados. Distinguem-se sobretudo pela forma de extrair os folículos a enxertar: a FUE exige que se rape o cabelo e forma múltiplas microcicatrizes circulares, uma por cada folículo retirado; a FUT dispensa o cabelo rapado e deixa uma cicatriz mais longa e linear.

Quase 5 mil euros de diferença nos orçamentos

Se a técnica de transplante reúne o consenso das clínicas, o mesmo não se pode dizer das propostas de orçamento. A solução para cobrir as “entradas” do nosso Manuel tanto pode custar 1550 euros como 6150 euros.  Algumas clínicas indicaram que o valor a pagar depende do número de folículos a transplantar, enquanto outras informaram que uma coisa não tem que ver com a outra.

Decida já! Vai ficar mais caro

Nas clínicas Replace, Saúde Viável e Master Group, havia “campanhas do mês”, que, segundo a informação de quem atendeu, permitiriam “poupar”, respetivamente, 450, 500 e 2000 euros, se o orçamento fosse aceite até determinada data. Uma forma de pressionar o cliente a tomar uma decisão rápida e, quem sabe, pouco refletida. Aliás, na opinião de Manuel, todo o ambiente está montado para convencer o cliente a comprar: vídeos com testemunhos positivos na sala de espera, demonstração da técnica de execução fácil e resultados incríveis”... tudo parece simples e seguro. Nem mesmo a falta de condições financeiras constitui uma barreira. Com a exceção da Replace, todas as clínicas oferecem linhas de crédito, próprias ou através de um banco, ou propõem o pagamento em prestações.

Analise, compare e peça outras opiniões, sem pressões

As consultas grátis, as promoções e os créditos facilitados são “anzóis” para levar os consumidores aos estabelecimentos. Redobre a atenção.

  • O ideal é analisar cuidadosamente a proposta fora da clínica e, se possível, compare com outras ou peça uma segunda opinião.
  • Se pensa aderir ao crédito, analise a proposta e compare-a com outros meios de pagamento, como o crédito pessoal ou o cartão de crédito.
  • Antes de avançar para o transplante, fale com o médico que vai fazê-lo. Não entre na sala de operações sem esclarecer todas as dúvidas. Certifique-se de que recebeu explicações sobre o procedimento, as possíveis reações após a cirurgia, os cuidados a ter e o acompanhamento médico posterior.
  • É recomendada uma consulta na semana seguinte ao transplante e, depois, pelo menos, uma vez por ano.
  • Não se esqueça de que o transplante é uma cirurgia e, como tal, deve ser feito por um médico com conhecimentos em tricologia.

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