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Protetores solares são seguros

Usar protetor solar continua a ser benéfico. Um estudo norte-americano lançou a suspeita de possíveis riscos, mas a forma como foi feito tem limitações.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
24 maio 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Sofia Frazoa e Filipa Nunes
protetor solar

iStock

Um estudo conduzido pela Food and Drug Administration (FDA), a agência reguladora do medicamento norte-americana, concluiu que os filtros solares presentes em quatro protetores solares vendidos nos EUA entram na corrente sanguínea em menos de um dia de utilização e podem ser prejudiciais para a saúde.

Os filtros solares analisados foram o butyl methoxydibenzoylmethane (também conhecido como avobenzone), o benzophenone-3 (ou oxybenzone), o octocrylene e o terephthalylidene dicamphor sulfonic acid (ou ecamsule). 

Segundo os testes a protetores solares que temos feito nos últimos anos, um dos filtros solares referido no estudo (benzophenone-3) não tem estado presente nos produtos vendidos em Portugal.

Os protetores solares têm de proteger contra as radiações UVB (ultravioleta B, de comprimento de onda mais curto) e UVA (ultravioleta A, de maior comprimento de onda). A queimadura solar e o avermelhamento da pele que daí resulta são causados, principalmente, pela radiação UVB. No caso do cancro, embora a radiação UVB seja a principal responsável, a radiação UVA também tem riscos e causa o envelhecimento prematuro da pele. Ambas as radiações podem ter impacto no sistema imunitário.

Para a função protetora, os protetores solares têm como ingredientes filtros solares que podem ser de dois tipos: orgânicos (ou químicos) e inorgânicos (ou minerais).

Os filtros químicos (ou orgânicos), como os testados no estudo da FDA, são globalmente considerados seguros para os humanos. Apenas o benzophenone-3 (cuja presença não temos encontrado nos últimos testes a protetores solares) tem suscitado algumas dúvidas sobre a sua segurança, sobretudo sobre o seu possível efeito como desregulador endócrino.

O dióxido de titânio e o óxido de zinco são filtros minerais altamente toleráveis (sem risco de reação), por isso, usam-se preferencialmente em produtos infantis. As únicas questões de segurança relacionam-se com o seu uso como nanopartículas e o risco de inalação, pelo que não podem ser usados em protetores solares em spray.

Os dados do estudo da FDA são importantes e mostram a necessidade de continuar a estudar a segurança dos filtros solares usados nos protetores. No entanto, o estudo apresenta algumas limitações e os benefícios do uso dos protetores solares continuam a ser superiores aos possíveis riscos. 

Estudo a protetores solares com limitações

De acordo com o estudo da FDA, os quatro protetores analisados foram usados como recomendado (de 2 em 2 horas, na quantidade de 2 mg/cm2) e logo após o primeiro dia de uso ocorria absorção e surgiam concentrações no sangue superiores às recomendadas por esta entidade.

Os dados reforçam a necessidade de mais estudos para perceber os efeitos para a saúde destes resultados. Porém, há vários fatores a ter em conta:

  • o estudo foi feito com um número reduzido de voluntários e cada produto foi apenas testado em 6 participantes; 
  • as condições de uso no estudo são diferentes das reais: foi realizado dentro de portas e sem exposição à humidade e ao calor, que podem alterar a taxa de absorção pela pele;
  • não foi considerada a remoção do produto devido a banhos, suor e limpeza da pele com a toalha.

Como refere a própria FDA, o facto de as quantidades medidas estarem acima das recomendações não significa que os ingredientes não sejam seguros. É preciso perceber os resultados clínicos destes dados.

A FDA reforça que os resultados não indicam que os indivíduos devam evitar usar protetor solar.

Na Europa, a legislação regula o tipo de filtros solares que podem ser usados nos protetores solares e em que concentrações. No caso de surgirem dúvidas sobre a sua segurança, a SCCS (Scientific Committee on Consumer Safety) da Comissão Europeia fará uma avaliação do risco e a sua conclusão poderá levar à alteração da legislação, caso se justifique.

Iremos acompanhar os avanços científicos e novas publicações sobre o tema. Para já, consideramos que os benefícios do uso dos protetores solares para evitar os escaldões, envelhecimento da pele e cancro da pele continuam a ser superiores aos possíveis riscos. Mantemos a nossa recomendação: use e abuse do protetor solar.

 

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