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Protetores solares eficazes, mas com impacto ambiental considerável

Testámos 42 protetores solares, entre produtos com FPS 30 para adultos e FPS 50 e 50+ para crianças, que deram mostras de eficácia. Mas o impacto ambiental é elevado em alguns, tanto ao nível da embalagem, como da incorporação de microplásticos.

  • Dossiê técnico
  • Fábio Aparício e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
26 maio 2021
  • Dossiê técnico
  • Fábio Aparício e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
Mão segura telemóvel apontado a uma embalagem amarela de protetor solar, para verificação do conteúdo, como se fosse um scanner

iStock

Análise ao fator de proteção, incluindo contra raios UVA, teste de uso e verificação da rotulagem são a espinha dorsal dos estudos a protetores solares, que, desta vez, conduziram a resultados muito satisfatórios, como mostra o nosso comparador de protetores solares. Aqui, pode explorar as características, os resultados e os preços de produtos com FPS 30, mas também com 50 e 50+ direcionados para crianças.

Porém, face à urgência de escolhas sustentáveis, a eficácia já não é suficiente. Um protetor solar tem de respeitar também o ambiente. Como? Não facilitando o desperdício. Esta missão começa logo por rejeitar as inúteis caixas de cartão e adequar a capacidade da embalagem à quantidade de produto. Continua com a conceção de embalagens que permitam retirar e usar todo o protetor. E termina com a rejeição dos microplásticos na lista de ingredientes. Substâncias que muito poluem o planeta e, em especial, os oceanos, os microplásticos são dispensáveis em termos de eficácia, como prova o nosso teste.

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Quase todos os protetores solares incluem microplásticos

Partículas com não mais de cinco milímetros, os microplásticos contribuem para a espessura ou a aparência dos protetores, embora também possam funcionar como filtros UV mais baratos. Trata-se, contudo, de uma das mais recentes pragas poluidoras.

Os microplásticos contaminam lençóis freáticos e entram na cadeia alimentar, acabando por chegar às nossas refeições. Ao tomarmos banho no mar, soltam-se e podem absorver outros poluentes que estejam na água. Depois, são ingeridos pelos peixes pequenos, alimento dos que têm maior porte. Quando estes são pescados e nos chegam à mesa, ingerimo-los também.

Alguns (poucos) produtos já conseguem excluir os microplásticos das suas formulações, sem que saiam prejudicados na eficácia: é o caso do Biotherm Waterlover Sun Milk Eco-labelled, do Nivea Sun Protect & Bronze, do Be Beauty Care Bruma Corporal Solar FPS 50+ Kids (Pingo Doce) e do Cosmia Spray Protecteur a l’Huile de Coco.

Ciclo microplástico dos protetores solares

Desperdício de materiais e de protetor solar

O desperdício mais evidente está relacionado com o acondicionamento da embalagem numa inútil caixa de cartão, presente em três protetores testados. Não contribui para a melhor conservação do produto, nem fornece mais informações ao consumidor. Tudo o que lá vem escrito pode figurar também na embalagem primária. E, mesmo que inclua informações importantes ausentes da embalagem primária, como a lista de ingredientes, a caixa é descartada. Se fosse encaminhada para o ecoponto azul, o problema seria menos grave. Mas, não raras vezes, segue para o lixo assim que chega a casa do consumidor. Na prática, é só gasto de cartão sem sentido.

O desperdício de materiais também pode ocorrer quando os protetores vêm acondicionados em embalagens demasiado grandes para a quantidade de produto, o que ocorreu em dois casos no nosso teste. Dimensionar corretamente poupa plástico e metal.

As perdas não se resumem, contudo, aos materiais. Em 11 dos 42 protetores solares analisados, há desperdício de produto: pelo menos, 9% ficam retidos na embalagem. No Cien Sun Loção Solar Classic (Lidl), as perdas chegam quase aos 16% e, no Eucerin Sensitive Protect Sun Lotion Extra Light, são de 19 por cento. Ou seja, no último caso, o consumidor paga, mas não pode usar cerca de um quinto do protetor.

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