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Cremes para mãos: maioria deixa vestígios de gordura

Os produtos testados hidratam e retêm a humidade, mas muitos deixam um rasto gorduroso. E alguns podem desencadear uma reação alérgica em indivíduos sensíveis.

  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
27 setembro 2019
  • Dossiê técnico
  • Susana Costa Nunes e Susana Santos
  • Texto
  • Inês Lourinho
creme para maos

iStock

Ferramentas excecionais que, combinadas com as capacidades cognitivas, têm contribuído para o sucesso do homo sapiens no planeta, as mãos estão, devido à sua natureza, na linha da frente de uma série de agressões. Lavadas continuamente, imersas em água quente e em diversos tipos de detergentes, expostas ao frio e ao calor, sujeitas aos riscos de múltiplas atividades profissionais, com facilidade perdem a barreira que as protege. Pele seca, com descamação, fissuras e comichão, pode ser o resultado. Neste cenário, um creme hidratante não chega a ser um luxo, mas um bem de primeira necessidade. Tanto para mulheres, quanto para homens.

Testámos 18 cremes de mãos para pele seca, e a maioria garante um bom equilíbrio entre hidratação e diminuição da taxa de perda transepidérmica de água ou, em linguagem simples, retenção da humidade. Mas muitos contêm fragrâncias alergénicas. Consumidores com peles mais sensíveis devem escolher produtos que não as incluam.

Nem todos os cremes para mãos deslumbram ao toque

A pele é o órgão mais extenso do corpo humano, guardando para si 15% do peso total no caso de um adulto. Proteção contra microrganismos, regulação da temperatura corporal, absorção ou bloqueio da radiação ultravioleta, transmissão de sensações e controlo das perdas de água e substâncias essenciais ao funcionamento da nossa “máquina” estão entre os seus deveres.

Numa situação normal, a pele é composta por 60 a 70% de água, sendo que 10 a 15% residem na camada exterior, também conhecida como estrato córneo. Quando a água nesta camada cai abaixo de 10%, estamos perante um caso de desidratação.

Consumir água todos os dias é um hábito que, entre outros, ajuda a manter a saúde da pele. Mas o equilíbrio entre ganhos e perdas deste líquido vital também pode ser influenciado por substâncias gordurosas, que conferem suavidade e ajudam a reter a humidade, ainda que só atuem à superfície da pele. É aqui que intervêm os cremes hidratantes. O critério da “hidratação” reflete, pois, a dupla missão dos cremes: hidratar e reter a humidade. E a maioria cumpre-a com distinção.

Mas, ainda que a eficácia seja o critério com maior peso na avaliação, não basta para aferir a qualidade de um creme: este tem igualmente de agradar a quem o utiliza. Por isso, pedimos a um grupo de 30 voluntárias que experimentasse os produtos, que se encontravam descaracterizados, de modo a não serem reconhecidos, e registasse as suas impressões num questionário. Facilidade em espalhar, consistência, absorção, odor, suavidade da pele e efeitos pegajoso ou gorduroso após cinco minutos de aplicação foram alguns dos aspetos sobre os quais se pronunciaram. E os últimos da lista suscitaram mais queixas. Quase todos os cremes deixaram marcas de gordura quando as utilizadoras pegaram num copo de vidro cinco minutos depois da aplicação. E o odor de um terço dos cremes tão-pouco suscitou especial satisfação. Tudo ponderado, só quatro produtos ultrapassaram as três estrelas da mediania no teste de utilização.

Atenção às reações alérgicas

Eficácia e utilização continuam a ser insuficientes para determinar a Qualidade Global, pelo que pesquisámos substâncias potencialmente nocivas nos cremes. Falamos de desreguladores endócrinos, sobre os quais recai a suspeita de perturbarem o sistema hormonal, mas também de ingredientes alergénicos, capazes de suscitar reações em indivíduos sensíveis.

Detetámos desreguladores endócrinos em dois produtos: Vasenol e Shiseido. Já os ingredientes alergénicos encontrámo-los em metade dos cremes.

Os utilizadores com pele sensível devem, pois, evitar as fórmulas com estas substâncias.

Rotulagem poderia ser mais completa

Completámos o estudo com uma análise à rotulagem. Todos os cremes cumprem a lei. Mas esta poderia ser mais exigente, tornando obrigatória a inclusão de elementos como o nome e a morada da empresa que comercializa o produto em Portugal, os contactos do fabricante e o prazo de validade, mudanças simples, mas com interesse para o consumidor.

Truques para pele e mãos hidratadas

Um creme como os testados pode ajudar a resolver o problema das mãos secas, embora não seja possível definir uma frequência ideal para o uso. Tudo depende da severidade do problema. Portanto, aplique sempre que julgar necessário.

A água quente e os detergentes tendem a ressequir a pele. Ao executar tarefas domésticas, como lavar a loiça, use luvas de borracha. Se as considerar incómodas e preferir trabalhar de mãos nuas, não se esqueça de aplicar um creme hidratante logo depois de terminar os afazeres. Também pode fazê-lo todos os dias, antes de dormir, como se de um creme de rosto se tratasse.

Evite duches longos e com água muito quente, e prefira produtos de higiene pouco agressivos (por exemplo, gel com óleos ou substâncias gordurosas). Depois do duche, tenha o cuidado de aplicar uma loção corporal. Testámos 11 produtos e encontrámos oito boas opções.

No inverno, proteja-se. O ar frio tem o condão de secar a pele. Além do creme hidratante, use luvas. E, já agora, passe um batom hidratante pelos lábios. A Escolha Acertada e Melhor do Teste custa 1,99 euros por embalagem de três unidades.

 

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