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Champô sólido é eficaz e tem menor impacto ambiental

Com menos impacto ambiental do que as versões líquidas, o champô sólido já não é um produto de nicho, oferecendo opções adequadas a todos os tipos de cabelo. Analisámos dez produtos, e a maioria revelou bons ou excelentes resultados.

27 abril 2022
Mão de mulher com um champô sólido na mão, redondo e esverdeado, com uma bancada em fundo, onde se vê um pente, uma esponja e outros objetos de higiene pessoal

iStock

O líquido com que lavamos o cabelo está a passar ao estado sólido, e tudo indica que a transformação já não é apenas uma tendência, mas uma opção que veio para ficar, em especial devido às vantagens para o ambiente.

De volume, anticaspa, antiqueda, para cabelos brancos, louros ou pintados: uma grande variedade de produtos, disponíveis para todos os tipos de cabelos e acompanhados de amaciadores, pode ser encontrada à venda em perfumarias, farmácias, parafarmácias e lojas de cosméticos, mas também já em supermercados.

Levámos dez champôs sólidos para cabelo normal ao laboratório, onde a maioria revelou bons ou excelentes resultados. Descobrimos cinco motivos que os tornam uma alternativa viável aos champôs líquidos. Primeiro, todos reduzem o tamanho da embalagem, o que leva a uma poupança de recursos naturais. Segundo, contêm os mesmos ingredientes do que os líquidos, mas muito menos água, poupando em recursos. Terceiro, poucos incluem conservantes, o que se traduz em menor poluição dos aquíferos. Quarto, por serem pequenos e pouco volumosos, ocupam menos espaço no transporte, reduzindo as emissões de dióxido de carbono. E quinto, embora alguns sejam mais caros na compra, duram muito mais do que os champôs tradicionais. Consoante as marcas, uma barra de 60 gramas pode ser suficiente para mais de 60 lavagens. Ao lavar o cabelo três vezes por semana, são cinco meses sem ir às compras.

Utilizadores satisfeitos com alternativa ao champô tradicional

Durante três semanas, ao ritmo de, pelo menos, uma lavagem semanal, cada uma das dez barras de champô selecionadas foi experimentada por 22 voluntários, tanto mulheres quanto homens, dos 18 aos 70 anos. Sempre que possível, os participantes receberam os champôs descaracterizados, para que não pudessem perceber a marca, e tiveram de preencher um questionário onde avaliaram uma mão-cheia de critérios.

Utilização, perceção de eficácia e aspeto do cabelo, que incluiu perfume, suavidade, volume, brilho e facilidade de desembaraçar, foram os aspetos analisados. Sete em cada dez participantes no estudo mostraram-se satisfeitos com o champô sólido e revelaram pretender continuar a usá-lo.

Champôs sólidos duram muito, mas menos do que anunciado

A publicidade anuncia estes produtos como superduráveis, suficientes para o dobro das lavagens proporcionadas pelas versões líquidas (com 250 mililitros), argumento que, a confirmar-se, reforçaria o leque de vantagens ambientais

Para averiguarmos a veracidade das alegações, contámos o número de lavagens que cada champô permite em relação ao respetivo peso, e comparámo-lo com o valor anunciado na embalagem.

Descobrimos que, embora as amostras testadas não cheguem ao dobro publicitado, são, de facto, mais duráveis do que as congéneres líquidas. Consoante as marcas, um champô de 60 gramas pode superar as 60 lavagens – os tais cinco meses de uso, fazendo um trio de lavagens por semana.

Fabrico com menor impacto ambiental

O exame aos materiais usados na embalagem primária e às suas dimensões, a análise aos ingredientes quanto a efeitos disruptivos endócrinos para o ambiente, toxicidade, degradabilidade e bioacumulação, a verificação da presença de microplásticos e a comparação do impacto ambiental das versões sólidas com o das líquidas foram as provas que nos permitiram tomar o peso às eventuais vantagens para a natureza dos produtos em teste.

E, de facto, oito das dez barras de champô sólido revelaram bons ou excelentes resultados no impacto ambiental. As duas marcas que falharam o patamar da qualidade superior (a L’Occitane en Provence Gentle & Balance Tous Types de Cheveux e a Lush Jason and the Argan Oil) acusaram microplásticos na sua composição, substâncias muito prejudiciais para o ambiente e que se infiltram nos ecossistemas e nas cadeias alimentares, podendo chegar à mesa dos consumidores e ter consequências na saúde.

Preço e alergénios são os principais problemas

De acordo com as marcas testadas, o custo por lavagem varia entre cinco e 32 cêntimos, intervalo de valores tendencialmente mais elevado do que o associado aos champôs líquidos. Contudo, consoante os casos, é possível que a maior durabilidade dos produtos sólidos compense o preço mais elevado na compra.

Outro senão dos champôs, e os sólidos não são exceção, é a presença transversal de perfumes e fragrâncias alergénicas, substâncias que podem suscitar reações em indivíduos mais sensíveis.

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