Notícias

Autoridade espanhola alerta para protetores solares que não cumprem fator de proteção

As autoridades espanholas pediram a vários fabricantes de protetores solares a retirada voluntária de alguns dos seus produtos por não cumprirem o fator de proteção solar anunciado.

  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Ana Rita Costa e Alda Mota
06 agosto 2021
  • Dossiê técnico
  • Susana Santos
  • Texto
  • Ana Rita Costa e Alda Mota
embalagem de protetor solar

iStock

A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (AEMPS) pediu a retirada voluntária do mercado de 14 protetores solares por não cumprirem o fator de proteção solar (FPS) anunciado. Contactámos o Infarmed, para saber se os produtos em causa estão disponíveis e se serão recolhidos no mercado português. A autoridade nacional já respondeu, afirmando que depois da nossa denúncia abriu um processo e que agirá "em conformidade com os procedimentos e normativos legais aplicáveis".

A decisão de pedir a retirada voluntária destes produtos do mercado espanhol surge depois de uma campanha de monitorização do mercado, realizada pela AEMPS, ter revelado que o fator de proteção solar dos protetores testados não corresponde ao anunciado pelos fabricantes.

Os testes concentraram-se em 19 protetores solares com fórmulas em creme, gel ou spray e com FPS 50 ou FPS 50+ — que devem ter, respetivamente, um fator de proteção solar entre 50 e 59,9 e igual ou superior a 60 — e revelaram que apenas cinco dos produtos testados oferecem a proteção solar reivindicada no rótulo. Os restantes 14 produtos testados não cumpriram com o fator de proteção solar anunciado.

Protetores solares debaixo de olho

A AEMPS testou diversos protetores solares, seguindo a norma ISO 24444:2019 – Sun protection test methodsIn vivo determination of the sun protection factor (SPF), e aconselha a realização de testes adicionais a outros lotes de alguns destes produtos para garantir a segurança dos consumidores.

Em cinco produtos foi medido um valor de FPS inferior a 29,9, o que levou a AEMPS a pedir a retirada voluntária dos produtos do mercado. Em causa estão os protetores solares:

  • Abelay Protector Solar FPS50 de Ab7 cosmética;
  • Mussvital fotoprotector spray aerosol ultra light 50+ de Peroxfarma;
  • Eucerin sun protection sensitive protect sun spray transparent dry touch SPF 50 alta de Beiersdorf AG;
  • Hawaiian Tropic Silk Hydratation Bruma Solar air soft SPF 50+ (Alta) de Wilkinson Sword;
  • Australian gold SPF Botanical SPF 50 continuous spray de Biorius.

Quanto aos restantes nove produtos, com um FPS medido entre 30 e 49,9, os fabricantes terão de retirar os lotes testados do mercado, de forma voluntária. Além disso, deverão, ainda, assegurar a realização de testes a outros lotes do mesmo produto para garantir a segurança da sua utilização pelos consumidores. Trata-se dos seguintes protetores solares:

  • Les Cosmetiques sun ultimate sensitive SPF 50+ spray solar pieles sensibles de Centros Comerciales Carrefour, SA;
  • Belle&Sun bruma solar invisible FPS 50 de Perseida Belleza;
  • ISDIN fotoprotector fusion water SPF 50 – Fotoprotector facial de uso diario de ISDIN;
  • Farline spray solar SPF 50+ 200 ml Protección muy alta de FarlineComercializadora de Productos Farmacéuticos SA;
  • Babaria solar bruma protectora SPF 50 de Berioska;
  • Seesee spray solar transparente SPF 50+ de Cosmetrade;
  • Piz Buin hydro infusión crema solar en gel SFP 50 Protección alta de Johnson & Johnson Santé Beauté;
  • Ladival piel sensible FPS 50+ de STADA Arzneimittel AG;
  • Lancaster sun sensitive luminous tan crema confort SPF 50+ de Coty.

Os fabricantes de dois destes protetores solares já facultaram, entretanto, estudos adicionais que permitiram à AEMPS fazer uma nova avaliação e concluir que estes são seguros, podendo continuar a ser comercializados.

Um dos produtos em causa é o ISDIN fotoprotector fusion water SPF 50 – Fotoprotector facial de uso diario de ISDIN, que nos testes realizados pela autoridade espanhola obteve um FPS de 46,3. De acordo com a marca, o lote analisado foi distribuído em 2020, pelo que já não devem existir unidades disponíveis no mercado. Além disso, a empresa apresentou os resultados de nove estudos, realizados com o seu produto, que demonstram que este cumpre o fator de proteção anunciado no rótulo (FPS 50). Com estes dados, a AEMPS diz que não será necessário retirar outros lotes do protetor solar dos pontos de venda.

O fabricante do protetor solar Ladival piel sensible FPS 50+ de STADA Arzneimittel AG, que no teste realizado pela autoridade espanhola obteve um FPS de 46,6, também já fez saber que o lote testado pela AEMPS nunca chegou a estar disponível no mercado. A empresa disponibilizou ainda os resultados de dois estudos ao produto que revelam que cumpre o fator de proteção anunciado e, por isso, continuará a ser comercializado.

A AEMPS sublinha, no entanto, que apesar da decisão de pedir a recolha voluntária dos protetores solares testados, até agora “não foram comunicados ao Sistema Espanhol de Cosmeticovigilância quaisquer queimaduras solares relacionadas com qualquer destes produtos”.

Proteja-se do sol

Recentemente, a organização de defesa dos consumidores britânica Which? também testou vários protetores solares e verificou que a proteção contra a radiação ultravioleta do tipo A (UVA) do protetor solar Garnier Ambre Solaire Clear Protect Spray SPF30 não estava a ser cumprida. Este protetor solar está disponível no mercado português, com a mesma composição. Nesse sentido, contactámos o Infarmed para saber se a autoridade nacional irá averiguar se, em Portugal, este protetor solar também não cumpre com a proteção contra os UVA. Em resposta à DECO PROTESTE, o Infarmed refere que já abriu um processo.

Lembre-se: a exposição excessiva ao sol provoca o envelhecimento da pele e pode ser responsável pelo aparecimento de lesões cancerígenas. Siga as nossas recomendações quanto aos cuidados a ter com o sol e consulte o nosso comparador para escolher o protetor solar mais adequado. Se um protetor solar, ou qualquer outro produto cosmético, lhe provocar um efeito indesejável, como irritação na pele, urticária ou inchaço, deve notificar o Infarmed para que estes sejam identificados. Efeitos ligeiros numa pessoa podem ter consequências mais graves noutra. É, por isso, essencial, que comunique qualquer efeito adverso.

Junte-se à maior organização de consumidores portuguesa

A independência da DECO PROTESTE é garantida pela sustentabilidade económica da sua atividade. Manter esta estrutura profissional a funcionar para levar até si um serviço de qualidade exige uma vasta equipa especializada.

Registe-se para conhecer todas as vantagens, sem compromisso. Subscreva a qualquer momento.

Junte-se a nós

 

O conteúdo deste artigo pode ser reproduzido para fins não-comerciais com o consentimento expresso da DECO PROTESTE, com indicação da fonte e ligação para esta página. Ver Termos e Condições.