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Ácido hialurónico: disfarçar olheiras a que preço?

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Os seus planos incluem disfarçar rugas, olheiras ou outras imperfeições no rosto? A solução pode passar por aplicar ácido hialurónico, o segundo procedimento estético não-cirúrgico mais usado no mundo. Saiba para que serve, quanto custa e os cuidados a ter.

23 maio 2022
Ácido hialurónico

iStock

O tempo passa ligeiro, mas não resiste a deixar a suas marcas na nossa pele. Para quem se quer ver livre delas, pelo menos, durante algum tempo, há uma panóplia de soluções. E não é só para preencher rugas e sulcos na face; também se pode dar volume aos lábios e às bochechas ou disfarçar olheiras. O botox e o ácido hialurónico estão entre os procedimentos não-cirúrgicos preferidos dos consumidores. Ao contrário do primeiro, este tem efeitos imediatos, mas deve ser evitado nalgumas zona do rosto, como entre as sobrancelhas e o nariz. Apesar de ser relativamente seguro, se mal aplicado, pode causar deformações na pele, entre outros problemas. Esta é uma das razões por que a Ordem dos Médicos defende que o produto só deve ser aplicado por médicos, de preferência, dermatologistas ou especialistas em cirurgia plástica, estética e reconstrutiva.

No nosso estudo, com visitas a 30 estabelecimentos, encontrámos cinco profissionais não-médicos. Entre os restantes, havia um dermatologista, um cirurgião plástico e 16 profissionais com formação em medicina estética.

Dos 30 locais, 26 indicaram preços para preenchimento das olheiras. Quatro não aplicavam o produto naquela área, por ser delicada − Nuna Beauty Academy (Lisboa), Clínica Veríssimo (Oeiras), Living Clinic e Allure Clinic. Os dois últimos, do Porto, sugeriram alternativas: um tratamento de colagénio (350 euros, Living Clinic), e um pacote que incluía ácido hialurónico, entre outros procedimentos (720 euros, Allure Clinic).

O ácido hialurónico tem contraindicações?

Para o estudo, contámos com a participação de uma mulher com cerca de 40 anos, que queria disfarçar as olheiras. Marcou uma consulta, por telefone, com objetivo de “conhecer melhor o procedimento, antes de se submeter” a ele. Em momento algum se identificou como nossa colaboradora.

Na consulta, quis saber se o ácido hialurónico era adequado para o que pretendia ou se aconselhavam outro procedimento. Para responder com conhecimento de causa, o profissional deveria indagar sobre a sua história clínica, o que nem sempre sucedeu. Saliente-se que a técnica não pode ser aplicada em pessoas com doenças autoimunes ou problemas de imunidade, grávidas e mulheres que amamentem. Perturbações psiquiátricas, hipertensão descontrolada e problemas de coagulação também estão entre as contraindicações.

O ácido hialurónico é seguro?

A nossa enviada esperava, ainda, que lhe falassem dos riscos, pois queria tomar uma decisão consciente, como deverá acontecer com qualquer consumidor. Em cinco estabelecimentos, não indicaram nenhum, nem depois de questionados. Nos restantes, falaram de um ou outro, que associaram à má prática e/ou à falta de experiência. 

É verdade que aplicar ácido hialurónico é menos invasivo do que fazer uma cirurgia, mas não está isento de riscos. A história da leitora V. D. é prova disso: a plataforma Reclamar, descreve que o procedimento lhe causou inchaço, hematomas e deformações junto aos olhos, e que foi obrigada a recorrer ao médico para suavizar o problema.

Vermelhidão, inchaço e hematomas são os efeitos adversos mais comuns, mas também pode haver necrose (morte dos tecidos), infeções e cicatrizes. Estes infortúnios não surgem com muita frequência, mas o consumidor deve saber que podem ocorrer.

Cuidados a ter antes e depois de aplicar

Se pretende suavizar as marcas que o tempo deixou no rosto com ácido hialurónico, convém ter alguns cuidados.

  • Visite várias clínicas. Além do preço, pergunte, por exemplo, qual o tratamento mais adequado para o que quer melhorar na aparência; qual o produto a aplicar, quem vai fazê-lo e se há riscos; os cuidados a ter após o procedimento e o que fazer se se sentir mal.
  • Antes de tomar a decisão, fale com o profissional que vai aplicar o produto. Não faça o procedimento de imediato.
  • Certifique-se de que quem lhe vai fazer o tratamento é médico, procurando, pelo nome, no site da respetiva ordem. Os dermatologistas, os cirurgiões plásticos e os especialistas em medicina estética são os mais habilitados.
  • No dia do tratamento e no seguinte, evite fazer desporto, saunas, expor-se ao sol e tocar no rosto.

Falta regulamentação

E voltamos ao princípio: quem não é de medicina pode aplicar ácido hialurónico? Os médicos dizem que não, porque, sendo uma técnica invasiva, tem de ser considerada um ato médico. Só que não há regulamentação, e o nosso estudo mostra outros entendimentos: deparámo-nos com profissionais de várias áreas a fazerem o trabalho.

Em relação aos produtos, estamos desde 2020 à espera da implementação do regulamento europeu. Este indica que a regulamentação dos dispositivos médicos se aplica também ao ácido hialurónico com fins estéticos, atualmente sem enquadramento legal. O Infarmed prevê a publicação no fim de 2022. Que se cumpra o prazo, porque, para os consumidores, já vem tarde.

 

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