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Tintas para cabelo: guia de compras

25 setembro 2018
tintas cabelo

25 setembro 2018
Alegações do tipo “sem parabenos”, “sem amoníaco” ou “dermatologicamente testado” nada garantem. Outras, como “sem glúten”, são absurdas. Todas as tintas testadas contêm substâncias que podem causar alergia em peles sensíveis.

Para mudar a cor do cabelo ou cobrir os fios brancos, existem tintas temporárias, semipermanentes e permanentes. As primeiras, indicadas sobretudo para aplicar nuances, saem à primeira lavagem, enquanto as segundas, que se fixam aos fios, duram quatro a seis lavagens. Produtos de origem vegetal, como a hena, têm uma ação semipermanente. Já as tintas permanentes, que entram na estrutura do cabelo e são resistentes às lavagens e secagens, são as mais populares, representando 70 a 80% das opções disponíveis na Europa.

Ingredientes sob suspeita 

As tintas estão sujeitas à diretiva dos cosméticos, da União Europeia. Não só refere os ingredientes permitidos e os seus limites, como exige a indicação na embalagem da presença de certas substâncias sensibilizantes ou alergénicas. Alguns ingredientes, pela sua toxicidade, foram banidos.

As maiores preocupações estão associadas às alergias de contacto e à possibilidade de provocarem problemas de saúde a longo prazo. A Comissão Europeia classificou 56 substâncias segundo o grau sensibilizante: extremo, forte ou moderado. Os produtos com menos estrelas no critério “Sensibilizantes” são os que incluem mais substâncias com estas características. Todas as tintas testadas contêm, pelo menos, um sensibilizante extremo.

Depois, existe preocupação com os desreguladores endócrinos, ou seja, substâncias que podem provocar alterações na ação das hormonas. A suspeita recai sobre ingredientes como os parabenos, mas os estudos não são conclusivos. Além disso, a quantidade absorvida quando se pinta o cabelo é ínfima. Ainda assim, a União Europeia preparou uma lista com as substâncias que suscitam mais hesitações. Também assinalámos no quadro os produtos que incluem desreguladores endócrinos. Nas tintas testadas, detetámos resorcinol, um derivado da benzina.

Rotulagem criativa

No geral, as tintas incluem na embalagem a informação exigida por lei, nomeadamente no que respeita à segurança, ainda que na Khadi nada esteja em português, uma ilegalidade. Mas a lei, de forma incompreensível, não obriga a indicar a data de validade. O período após abertura não faria sentido, uma vez que as tintas se destinam a um uso único. Contudo, a data de validade é essencial: na compra, nunca se sabe há quanto tempo está o produto nas prateleiras e se sofreu alterações.

Em vez disso, as marcas são muito “coloridas” em termos de alegações que a lei não pede, mas que deveria controlar para evitar que o consumidor as tome como garantia de qualidade. “Sem amoníaco”, “sem parabenos”, “testado dermatologicamente” e, sinal das modas, até “sem glúten” não têm credibilidade científica alguma. Tintas sem amoníaco incluem ingredientes substitutos para fixar a cor, pelo que estão longe de serem mais seguras. Quanto aos parabenos, a sua ausência também nada garante, pois as alternativas podem ter efeitos menos estudados ou até desconhecidos. “Testado dermatologicamente” é outra alegação vazia: não há regras legais para ensaios científicos com tintas. Mas a mais absurda, exibida pelo Herbatint, é “sem glúten”... como se uma tinta devesse conter glúten ou, a incluí-lo, a quantidade absorvida pudesse prejudicar a saúde.