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Cosméticos: veja mais do que o rótulo e as promessas

15 setembro 2020
3 embalagens de cosméticos naturais

Não há definição legal para termos como "eco", "bio", "natural" ou "orgânico". Mas há certificações. Conheça as mais famosas.

Cosméticos naturais

Cada vez mais consumidores procuram cosméticos sem ingredientes sintéticos e que respeitem o ambiente. As empresas respondem com alegações "eco", "bio", "natural" ou "orgânico".

Mas ainda não há definição legal para esses termos. Há apenas orientações definidas pela lei europeia, como o respeito pela veracidade e a honestidade. Os produtos devem apenas garantir a segurança dos consumidores, sejam sintéticos ou naturais.

A ausência de lei abre espaço à criação de certificações privadas, a que as empresas podem aderir voluntariamente. Os ingredientes e os procedimentos de fabrico são alguns dos critérios que o cosmético deve indicar para ser considerado natural.

Regra geral, estas certificações definem uma percentagem mínima de ingredientes que são de origem natural, sendo que essa quantidade varia muito de entidade para entidade, podendo ir dos 20 aos 95 por cento. Todos evitam ingredientes como os silicones, parafinas e outros derivados do petróleo e ingredientes sintéticos, exceto os obtidos a partir de determinados processos, como por exemplo a esterificação. Alguns selos também promovem a utilização de ingredientes provenientes da agricultura biológica. Estas certificações oferecem apenas informações sobre a natureza dos ingredientes e não sobre os outros aspectos da sustentabilidade, como a origem e a produção dos ingredientes, o impacto ambiental das embalagens, ou o impacto social. 

As certificações mais conhecidas são a Cosmebio, Ecocert, BDIH, Nature e Cosmos Natural (que agrupa diversos selos).

Cosméticos naturais: pode confiar nesta moda?

Qualquer empresa pode aderir às certificações privadas dos cosméticos naturais,
mas nada está definido por lei.

Pistas nos ingredientes

Além do selo de certificação, leia com atenção a lista de ingredientes do rótulo. Os ingredientes vegetais estão sempre escritos em latim e ordenados de acordo com a concentração ou quantidade. Se aparecem no fim da lista, é porque estão presentes em menor quantidade, pois os ingredientes são apresentados de forma decrescente. Desconfie: a alegação “cosmético natural” pode ser falsa. Quanto maior a quantidade de ingredientes vegetais no início da lista, maior é a probabilidade de o produto ter mais ingredientes naturais do que sintéticos.

Estes são alguns dos ingredientes que deve procurar no rótulo:

  • extratos vegetais, como Aloe barbadensis e calendula officinalis;
  • óleos vegetais, como de amêndoa (Prunus amygdalus dulcis oil), de girassol (Helianthus annuus oil) e de argão (Argania espinosa);
  • manteiga de karité - Butyrospermun parkii;
  • óleo de jojoba - Simmondsia chinensis;
  • manteiga de cacau - Theobroma cacao.

Outros ingredientes não são vegetais, mas têm origem natural, por isso não são de excluir. É o caso da vitamina B (panthenol), vitamina E (tocopherol ou tocopheryl acetate), dióxido de titânio e óxido de zinco.

Os cosméticos naturais não devem incluir as seguintes substâncias:

  • conservantes que libertam formaldeído, bronopol, parabenos e sais de alumínio (presente em antitranspirantes, por exemplo);
  • parafina líquida, derivados de petróleo ou óleos minerais, que podem conter impurezas tóxicas;
  • silicones, que também podem conter impurezas tóxicas e ter efeitos ambientais negativos;
  • Sodium lauryl sulfate (SLS) ou Sodium laureth sulfate (SLES), usados para fazer espuma;
  • sietanolamina (DEA), monoetanolamina (MEA) e trietanolamina (TEA); filtros UV químicos, como ethylhexilmetoxicinnamate (suspeita-se que esta substância possa afetar o sistema endócrino e alterar o equilíbrio hormonal);
  • corantes ou fragrâncias sintéticas.

A ideia de que os ingredientes naturais são mais seguros do que os sintéticos nem sempre é verdadeira. Algumas pessoas podem ter reações alérgicas aos cosméticos naturais. Muitos apresentam na sua formulação ingredientes conhecidos pelo seu elevado potencial alergénico, como o limoneno ou o citral.

As tintas vegetais recorrem às propriedades de algumas plantas, como é o caso da hena. Mas esta não é totalmente inócua: pode provocar alergias, principalmente em pessoas mais sensíveis ao pólen, a plantas ou ao pó.