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Cosméticos: veja mais do que o rótulo e as promessas

10 julho 2019
3 embalagens de cosméticos naturais

Embalagens de cosméticos com bebés, flores ou fundos com o mar não garantem ingredientes 100% naturais ou que não causam alergias. Saiba como ler o rótulo.

Cosméticos naturais

Cada vez mais consumidores procuram cosméticos sem ingredientes sintéticos e que respeitem o ambiente. As empresas respondem com alegações "eco", "bio", "natural" ou "orgânico".

Mas ainda não há definição legal para esses termos. Há apenas orientações definidas pela lei europeia, como o respeito pela veracidade e a honestidade. Os produtos devem apenas garantir a segurança dos consumidores, sejam sintéticos ou naturais.

A ausência de lei abre espaço à criação de certificações privadas, a que as empresas podem aderir voluntariamente. Os ingredientes e os procedimentos de fabrico são alguns dos critérios que o cosmético deve indicar para ser considerado natural.

Regra geral, estas certificações definem que 50 a 95% dos ingredientes sejam de origem natural, ou seja, não devem conter silicones, parafinas nem outros derivados do petróleo. Os restantes ingredientes podem ser sintéticos, se não houver alternativas naturais. Alguns selos também promovem a utilização de ingredientes provenientes da agricultura biológica.

As certificações mais conhecidas são a Cosmebio, Ecocert, BDIH, Nature e Cosmos Natural (que agrupa diversos selos).

Cosméticos naturais: pode confiar nesta moda?

Qualquer empresa pode aderir às certificações privadas dos cosméticos naturais,
mas nada está definido por lei.

Pistas nos ingredientes

Além do selo de certificação, leia com atenção a lista de ingredientes do rótulo. Os ingredientes vegetais estão sempre escritos em latim e ordenados de acordo com a concentração ou quantidade. Se aparecem no fim da lista, é porque estão presentes em menor quantidade, pois os ingredientes são apresentados de forma decrescente. Desconfie: a alegação “cosmético natural” pode ser falsa. Quanto maior a quantidade de ingredientes vegetais no início da lista, maior é a probabilidade de o produto ter mais ingredientes naturais do que sintéticos.

Estes são alguns dos ingredientes que deve procurar no rótulo:

  • extratos vegetais, como Aloe barbadensis e calendula officinalis;
  • óleos vegetais, como de amêndoa (Prunus amygdalus dulcis oil), de girassol (Helianthus annuus oil) e de argão (Argania espinosa);
  • manteiga de karité - Butyrospermun parkii;
  • óleo de jojoba - Simmondsia chinensis;
  • manteiga de cacau - Theobroma cacao.

Outros ingredientes não são vegetais, mas têm origem natural, por isso não são de excluir. É o caso da vitamina B (panthenol), vitamina E (tocopherol ou tocopheryl acetate), dióxido de titânio e óxido de zinco.

Os cosméticos naturais não devem incluir as seguintes substâncias:

  • conservantes que libertam formaldeído, bronopol, parabenos e sais de alumínio (presente em antitranspirantes, por exemplo);
  • parafina líquida, derivados de petróleo ou óleos minerais, que podem conter impurezas tóxicas;
  • silicones, que também podem conter impurezas tóxicas e ter efeitos ambientais negativos;
  • Sodium lauryl sulfate (SLS) ou Sodium laureth sulfate (SLES), usados para fazer espuma;
  • sietanolamina (DEA), monoetanolamina (MEA) e trietanolamina (TEA); filtros UV químicos, como ethylhexilmetoxicinnamate (suspeita-se que esta substância possa afetar o sistema endócrino e alterar o equilíbrio hormonal);
  • corantes ou fragrâncias sintéticas.

A ideia de que os ingredientes naturais são mais seguros do que os sintéticos nem sempre é verdadeira. Algumas pessoas podem ter reações alérgicas aos cosméticos naturais. Muitos apresentam na sua formulação ingredientes conhecidos pelo seu elevado potencial alergénico, como o limoneno ou o citral.

As tintas vegetais recorrem às propriedades de algumas plantas, como é o caso da hena. Mas esta não é totalmente inócua: pode provocar alergias, principalmente em pessoas mais sensíveis ao pólen, a plantas ou ao pó.