Como testamos

Pastas de dentes: como testamos

25 janeiro 2021
Tubo aberto, a verter pasta de dentes

Verificamos se as pastas eliminam as manchas superficiais sem desgastarem os dentes. O desperdício de produto é um dos aspetos que avaliamos quanto ao impacto ambiental.

Em laboratório, determinámos a quantidade de flúor, o nível de abrasão e a capacidade de limpeza e remoção de manchas superficiais.

Na medição da quantidade de flúor total e disponível, seguimos os métodos recomendados pelo organismo americano Food and Drug Administration. O flúor disponível é aquele que vai efetivamente mineralizar os dentes e prevenir cáries.

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Determinação do flúor total e disponível.

Já o nível de abrasão foi analisado segundo a norma internacional ISO 11609:2010 e as recomendações da Associação Dentária Americana. Por cada pasta de dentes, usámos oito amostras de dentina, que foram escovadas mecanicamente 1500 vezes com 25 miligramas de produto. O nível de abrasão obtido foi comparado com um valor standard.

 

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Medição do nível de abrasão, isto é, da capacidade de desgaste dos dentes. 

Para determinarmos a capacidade de limpeza e remoção de manchas, recorremos a dentes de bovino artificialmente corados, escovados por uma máquina com os produtos em teste. Comparámos os resultados com dados prévios de ensaios clínicos controlados.

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Limpeza e remoção das manchas. 

Outro aspeto importante é o impacto ambiental. Algumas pastas incluem ingredientes que, não sendo prejudiciais para o ser humano nas quantidades legais, podem ser nocivos para o ambiente. Apesar de não haver normas que regulem a sua presença nestes ingredientes, procurámos microplásticos e 60 das substâncias mais agressivas em termos de desregulação endócrina, toxicidade, degradabilidade e bioacumulação. Mas não só. Analisámos o impacto ambiental da embalagem de cartão.

O desperdício de pasta, que depende da conceção do tubo, foi o terceiro aspeto sobre que nos debruçámos no que ao impacto ambiental diz respeito. Cada tubo foi pesado antes do teste, ainda fechado. Entretanto, foi sendo esvaziado de acordo com uma utilização normal. No final, foi pesado, cortado e lavado, para remover restos, e deixado a secar. Uma vez seco, voltou a ser pesado. Calculámos, por fim, a quantidade de pasta no tubo após um uso normal.

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Pesagem da quantidade residual de pasta no tubo. 

Completámos as análises em laboratório com um teste de uso. Cada pasta foi testada por 30 utilizadores, que a receberam na embalagem original, mas descaracterizada, para manter o anonimato da marca. Durante sete dias, usaram cada produto normalmente e, no final, preencheram um questionário em que deram a opinião sobre a experiência. Avaliaram, entre outros, a facilidade de remover a pasta da embalagem, o sabor, a textura, a sensação de hálito fresco e a quantidade de espuma formada.

Como alguns ingredientes das pastas de dentes envolvem potencial alergénico ou de desregulação endócrina, avaliámos a sua presença nas 14 pastas.

Verificámos, por fim, as informações na rotulagem. Nome e contacto do fabricante, importador ou distribuidor, conteúdo indicado por peso ou volume, data de durabilidade mínima (ou período após abertura), lote e ingredientes são obrigatórios. Dicas de higiene oral e avisos, assim como o nível de abrasão, também deveriam ter caráter de lei.

 

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