Como testamos

Champô sólido: como testamos

champos solidos

Analisámos dez produtos sobretudo indicados para cabelos normais, e a maioria revelou bons ou mesmo muito bons resultados. Ótimas notícias: grande parte dos participantes no estudo dizem que pretendem continuar a usar.

Um dos cosméticos mais populares, o produto viscoso com que lavamos o cabelo, está a passar ao estado sólido, e tudo indica que a transformação já não é apenas uma tendência, mas uma opção que veio para ficar, em especial devido às vantagens para o ambiente. Quisemos tirar os champôs sólidos a limpo, e levámo-los ao juízo do laboratório.

Testámos dez champôs sólidos

Dez produtos para cabelos normais e 22 cabeças de voluntários por cada um deles, eis os ingredientes do nosso teste de uso. Durante três semanas, ao ritmo de, pelo menos, uma lavagem semanal, as barras de champô foram experimentadas tanto por mulheres quanto por homens, dos 18 aos 70 anos. Sempre que possível, os participantes receberam os champôs descaracterizados, para que não pudessem perceber a marca, e tiveram de preencher um questionário onde avaliaram uma mão-cheia de critérios.

A facilidade de utilização, que, entre outros, incluiu a análise do formato da barra, a adaptação à mão, a quantidade de espuma e o enxaguamento, foi o primeiro aspeto que pedimos que fosse avaliado. Também central, inquirimos sobre a perceção de eficácia.

Mas lavar não chega. O bom aspeto do cabelo é o grande objetivo. Assim, apelámos aos membros do painel para que examinassem a cabeleira quanto a perfume, suavidade, volume, brilho e facilidade de desembaraçar – e que indicassem se os produtos eram ou não agressivos para o couro cabeludo. Considerando as vertentes observadas, formulámos uma derradeira questão: se estariam dispostos a continuar a usar os champôs em teste.

Durabilidade e ingredientes alergénicos

Outras medições completaram as informações recolhidas por via do teste de uso. A publicidade anuncia estes produtos como superduráveis, o que será mais um ponto nas vantagens ambientais. Por isso, contámos o número de lavagens que cada champô permite em relação ao respetivo peso, e comparámo-lo com o valor anunciado na embalagem. Para esta prova de durabilidade, todos os dias, lavámos duas cabeças de manequim de cabelo médio a longo com os champôs sólidos e com um champô líquido de referência.

Além disso, através da informação disponibilizada na embalagem, verificámos a existência de desreguladores endócrinos e de substâncias alergénicas entre os ingredientes.

Impacto ambiental do champô sólido

Seguimos para o impacto ambiental, uma análise que envolveu várias etapas. Começámos por verificar a embalagem primária ao nível dos materiais utilizados e da sua quantidade face às dimensões da barra de champô. Privilegiámos as marcas que recorrem a materiais reciclados ou fáceis de reciclar e que não se excedem no tamanho da embalagem relativamente ao conteúdo.

Depois, investigámos o impacto dos ingredientes dos champôs: efeitos disruptivos endócrinos para o ambiente, toxicidade, degradabilidade e bioacumulação. Verificámos ainda a presença de microplásticos, compostos muito prejudiciais para a natureza.

Por último, comparámos o impacto ambiental dos champôs sólidos com o das tradicionais versões líquidas, através de três cenários de utilização: uma lavagem semanal, três lavagens semanais e lavagens diárias, durante um ano.

Análise à rotulagem e às alegações

Centrámo-nos, finalmente, sobre a rotulagem. A lei obriga à inclusão do nome e do contacto do produtor, importador ou distribuidor, assim como do conteúdo por peso ou volume, da durabilidade, de precauções quanto ao uso, do lote, da função do produto e da lista de ingredientes, tudo em bom português.

Mas fomos além da legislação. Valorizámos as marcas que vinham seladas e que indicavam ainda um contacto em Portugal, bem legível, na embalagem primária. E pesquisámos alegações como “hipoalergénico” e “sem parabenos”. A primeira não garante a ausência de alergias e a segunda está proibida.

 

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