SER CORTÊS É FIXE

A CORTESIA NUNCA SAI DE MODA

O mundo digital cria novos desafios e oportunidades para interagirmos socialmente. Mas é muito mais difícil ler o tom nas comunicações digitais do que numa conversa cara a cara. E claro que, por estarmos constantemente ligados, isso nos traz conforto e ansiedade ao mesmo tempo.

A cortesia não é uma fantasia

A cortesia é um pilar fundamental nas interações positivas no mundo digital e, em particular, nas redes sociais. É também uma das melhores armas contra a maldade e negativismo que grassam na Internet.

Nunca deves esquecer que atrás de um “username” está uma pessoa real, com sentimentos reais. A regra de ouro é que devemos tratar os outros como gostaríamos que nos tratassem.

Já sabes que a Internet e as redes sociais podem amplificar a bondade e a maldade. Por isso é importante aprenderes a transmitir empatia – mas também como deves responder a comentários maldosos e ao assédio – porque isso é essencial para construíres relações saudáveis e reduzires possíveis sentimentos de isolamento que podem conduzir a situações de bullying, depressão, dificuldades nos estudos e outros problemas.

Acreditamos que mais importante do que te dizer que não deves ser negativo nas redes sociais, a prevenção passa por encorajar os jovens a interagirem de forma positiva online, bem como mostrar-lhes as melhores formas para lidarem com a maldade e o assédio quando elas surgem. A melhor forma de transmitir cortesia passa por expressares os teus sentimentos e opiniões de forma positiva e responderes a comentários e publicações negativas de forma construtiva e civilizada.

O bullying é uma triste realidade

O assédio, seja como bullying, cyberbullying, intimidação ou gozo cruel e ofensivo, é uma realidade que te pode afetar a ti e aos teus colegas..

O bullying pode ser descrito como um comportamento maldoso propositado e reiterado. A vítima ou alvo de bullying tem muitas vezes dificuldades em defender-se do agressor.

O cyberbullying é o bullying que acontece online, nas redes sociais ou através de dispositivos eletrónicos.

Há geralmente quatro tipos de pessoas envolvidas numa situação de bullying ou de cyberbullying:

- O agressor, que é quem pratica o bullying

- A vítima ou alvo, que é quem sofre as consequências do bullying

- O observador passivo, que é quem vê o bullying mas opta por não intervir

- O observador ativo, que é quem vê o bullying e decide apoiar, publicamente ou em privado, a vítima, podendo até tentar pôr um fim à agressão e/ou reportar o que testemunhou

Se fores vítima de bullying ou de outros comportamentos negativos online, tens algumas opções:

- Podes optar por não responder

- Podes bloquear a pessoa em questão

- Podes reportar as pessoas que te estão a importunar, seja aos teus pais, irmãos, professores ou qualquer outra pessoa em quem confies, e utilizar as ferramentas de reporte na rede social ou na aplicação em questão e denunciar a publicação, o comentário ou a foto que te está a causar mal-estar

Se testemunhares um caso de assédio ou de bullying tens a capacidade de intervir e reportar esse comportamento negativo. Muitas vezes, os observadores passivos não tentam pôr um travão à situação de bullying, nem ajudam a vítima, mas quando o fazem transformam-se em observadores ativos. Para seres um observador ativo basta que te oponhas a comportamentos negativos e que apoies a bondade e a cortesia. Um bocadinho de bondade pode ir muito longe online. E pode impedir que a maldade se propague e se transforme em crueldade.

Para te transformares num observador ativo, basta que:

- Encontres uma forma de ser cortês para a vítima de bullying ou a apoies de alguma forma

- Que chames a atenção para o comportamento negativo num comentário ou numa resposta – mas lembra-te que deves focar-te no comentário ou na publicação e não na pessoa – se te sentires confortável com isso e se for seguro

- Decidas não apoiar o agressor, bastando que não divulgues o bullying nem partilhes as publicações ou os comentários negativos nas redes sociais

- Reúnas um grupo de amigos para criar uma pilha de cortesia, ou seja, que publiques muitos comentários positivos sobre a pessoa que está a ser alvo de bullying (mas não comentários negativos sobre o agressor, porque estás a dar o exemplo e não a retaliar).

- Denuncies o assédio. Conta a alguém que possa ajudar, como um dos teus pais, um professor ou alguém em quem confies.

Dependendo do caso concreto, há várias formas de travares uma situação de bullying e defenderes ativamente as vítimas, seja reportando uma situação de assédio ou ignorando uma situação para, desta forma, impedir que a mesma seja amplificada. Todos temos esta capacidade de, com um bocado de bondade, cuidado e cortesia, fazermos uma enorme diferença nas interações nas redes sociais.

O tom que usas não é fácil de decifrar

Sabemos que pode ser difícil perceber como é que outra pessoa se está realmente a sentir quando estás a ler um comentário ou uma mensagem. O tom não é fácil de transmitir num texto, pelo que deves ter particular cuidado com o que escreves.

Os jovens usam diferentes tipos de comunicação para diferentes formas de interação, mas as mensagens enviadas através de um “chat”/fórum podem ser interpretadas de forma muito distinta do que seriam se fossem ditas pessoalmente ou em conversa telefónica.
Por exemplo, já alguma vez escreveste uma piada para um amigo e ele pensou que estavas a falar a sério? Estas situações acontecem a todos e por isso mesmo devemos aprender a minimizá-las.

Deves refletir muito bem sobre a forma como comunicas e quando comunicas – e, em alguns casos, até evitar comunicar de todo. Há situações em que deves esperar e falar cara a cara com uma pessoa, em vez de lhe escrever imediatamente.

A forma como tu e os teus amigos se tratam online vai ter um impacto tremendo na forma como a tua geração vai construir o mundo digital – já para não falar no mundo real.

Sabemos que és exposto a todo o tipo de conteúdos online, alguns dos quais contêm mensagens negativas e que promovem comportamentos incorretos. Mas deves saber que é possível responder a sentimentos negativos através de uma abordagem construtiva que pode passar por reformulares ou refreares os comentários menos amigáveis e assim tornares-te mais consciente do tom nas tuas comunicações online.

Quando reages a um comentário negativo de forma positiva, ficas com o poder de direcionar a conversa para um tom mais divertido ou interessante – o que é muitas vezes melhor do que ter de trabalhar para limpar uma confusão criada por comentários menos abonatórios feitos a quente.

Os bons exemplos ajudam a guiar os outros

Quando vês alguém a ser maldoso para outra pessoa online – com alguma coisa que as faz sentirem-se desconfortáveis, marginalizadas, gozadas, desrespeitadas ou magoadas – tens sempre escolhas. Podes, desde logo, optar por ser um observador ativo, em vez de passivo, e ajudar a vítima.

Claro que sim! Não te esqueças que para ajudar ativamente alguém que se sinta assediado e triste pode bastar ouvires o que têm a dizer – porque isso vai ajudá-los a perceberem que há alguém que se preocupa.

Nem todos se sentem confortáveis em defender os outros em público, seja online ou no refeitório da escola. Se não tiveres problemas com isso, força! Podes:

- Chamar a atenção para o comportamento (e não para a pessoa), dizendo que não é fixe

- Dizer alguma coisa positiva sobre a vítima de bullying num comentário ou numa publicação

- Garantir que os teus amigos também elogiam a vítima nas redes sociais

- Pessoalmente, podes convidar a vítima a estar contigo nos intervalos e/ou a almoçar contigo e com os teus amigos

Se não te sentires confortável em confrontar a situação de bullying em público, não tem problema. Podes apoiar a vítima em privado. Podes:

- Perguntar-lhe como se sentem, numa mensagem privada

- Dizer-lhe um elogio ou um algo simpático num comentário, publicação ou mensagem anónima (se estiveres numa rede social que te permita ficar anónimo)

- Dizer-lhe que estás lá para a apoiar se ela precisar de falar depois da escola

- Conversar com ela, pessoalmente ou por telefone, e dizer-lhe que achas que o comportamento maldoso foi errado e perguntar-lhe se quer conversar sobre o que aconteceu

Não interessa como escolhes ser um observador ativo, tens opções de reporte tanto públicas como privadas. Isto significa que tens meios para denunciar uma situação de bullying ou cyberbullying através do interface de uma aplicação ou rede social ou reportar a situação a um adulto em quem confies.

Também te pode interessar...