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Corporate Governance

Salários nas empresas cotadas07/02/2011

Apesar das dificuldades em encontrar dados exatos, a remuneração dos administradores chega a superar mais de 100 vezes o vencimento médio praticado na empresa. Além disso, o pagamento dos honorários aos administradores não executivos deixa algumas dúvidas sobre a sua real atuação no controlo dos executivos.

 

Trinta e sete vezes acima do salário médio

De acordo com os dados recolhidos nos relatórios anuais de 2009, o salário do presidente da Comissão Executiva (vertente fixa e outros bónus) é, em Portugal, cerca de 37 vezes superior ao salário médio recebido por cada trabalhador dessa empresa. Um valor elevado, apesar de ser inferior à média de outros países analisados no último estudo do Governo das Sociedades (ver gráfico).

Em média, o líder executivo das administrações de empresas nacionais auferiu, em 2009, mais de 800 mil euros. António Mexia da EDP foi o mais bem pago (3,1 mil milhões de euros) e o que recebeu menos foi Américo Amorim (208 mil euros).

Presidentes executivos mais bem pagos
Empresa
Valor mensal (euros)
Média da empresa (euros)
EDP
221 675
2608
Portugal Telecom
107 559
1022
Galp Energia
102 929
2062
Semapa
91 960
1551
Cimpor
84 725
1388

Menores empresas, mais igualdade

De uma forma geral, as empresas mais pequenas têm um rácio “salário do presidente da Comissão Executiva/salário médio da empresa” menor (ver quadro). Mas, mesmo nas grandes, há boas exceções, como a Brisa.

Como piores exemplos, temos grandes empresas como a Portugal Telecom e a EDP, cujos rácios estão acima da média, que se cifrou em 47 nas empresas alvo do último estudo sobre Corporate Governance a nível internacional. E, apesar da espanhola Telefónica ter um rácio de 188, os valores nacionais estão acima das médias dos respetivos setores.

Empresas com salários médios mais altos
Empresa
Valor mensal (euros)
N.º de empregados
Sonaecom
3439
2047
BES
3063
9359
Inapa
2809
1484
EDP
2608
12 096
Impresa
2519
1328
 
Média das empresas analisadas
 
Valor mensal (euros)
N.º de empregados
25 cotadas nacionais
1776
10 754
 
Empresas com salários médios mais baixos
Empresa
Valor mensal (euros)
N.º empregados
Jerónimo Martins
637
52 156
Ibersol
649
5705
Teixeira Duarte
674
13 530
Mota-Engil
937
19 302
Sonae
946
39 372

Elevado diferencial nas médias salariais

Nas empresas cotadas alvo desta análise, verificámos grandes disparidades entre o salário que um trabalhador (exclui o conselho de administração) recebe. Em média, um funcionário da Sonaecom (telecomunicações) recebe cinco vezes mais do que um da Jerónimo Martins (distribuição).

As empresas cuja exigência de formação profissional é maior têm um salário médio superior. Daí que as empresas ligadas à construção ou distribuição alimentar tenham salários médios inferiores. Também a presença em mercados externos com salários inferiores se reflete nas médias.

Na banca, destaca-se o BES, cujo salário médio mensal é de 3063 euros supera muito o BPI (2229) ou o BCP (1913).

Salário do presidente executivo
vs. salário médio da empresa
Empresa
Capitalização bolsista (1)
Rácio
Portugal Telecom
7773
105
EDP
10 385
85
Sonae
1640
85
Jerónimo Martins
6834
74
Cimpor
3248
61
Semapa
1059
59
Mota-Engil
403
54
Galp Energia
12 538
50
Ibersol
162
41
ZON Multimédia
1137
37
Média
2366
37
Martifer
146
28
Teixeira Duarte
302
26
BES
3523
25
BCP
2803
24
Soares da Costa
91
24
BPI
1272
23
REN
1372
22
Sonaecom
503
21
Glintt
158
20
Sonae Capital
108
15
Brisa
3218
15
Inapa
57
11
Corticeira Amorim
150
11
Novabase
89
10
Impresa
183
10
(1) Em milhões de euros

 

Remuneração variável

Não obstante a remuneração variável poder, em alguns casos, respeitar os princípios de um bom governo societário, consideramos excessivo este tipo de remunerações. Estamos num período de incerteza, no qual o corte de custos tem sido uma das soluções para superar a crise. Em média, 35% da remuneração da administração advém de bónus variáveis, mas no caso da EDP atinge mesmo os 79%. Ou seja, os executivos receberam quase quatro vezes mais em bónus do que no seu salário base.

 

Administradores não executivos

Tendo por função controlar a forma como a Comissão Executiva gere a empresa, nem sempre a independência está garantida, como mostrou o nosso recente estudo de Governo das Sociedades. A sua remuneração é, por vezes, muito elevada, o que pode suscitar dúvidas sobre a independência de alguns membros. Mais grave é o facto de algumas empresas remunerarem os membros não executivos com uma forte parcela variável (por exemplo, Jerónimo Martins e Semapa).

Comparação entre os principais países europeus
(rácio salário do presidente executivo vs. salário médio)

Apesar da média das empresas nacionais ficar aquém dos restantes países europeus, não significa que tudo vai bem. De uma forma geral, as principais empresas nacionais e internacionais chumbam no critério do rácio salarial.

 

À luz do Governo das Sociedades

– A análise do rácio salário do presidente executivo/salário médio é um indicador na avaliação de governo societário. Uma grande diferença face a empresas do mesmo setor, dimensão ou com performances similares pode ser um indicador de que a administração poderá ser excessivamente bem paga, o que retira valor à empresa. De uma forma geral, este foi um indicador onde as empresas falharam. A nível internacional, encontramos rácios superiores a 200. Entre eles, as conhecidas Coca-Cola (470), Time Warner (245) nos EUA, os franceses Carrefour (228) e Danone (214) ou ainda o espanhol Banco Santander (205).

– As boas práticas de Governo das Sociedades permitem que exista um maior controlo sobre a administração e que os mecanismos de controlo de riscos sejam mais eficazes. E há estudos que apontam para que empresas com melhor Governo das Sociedades tenham superado melhor a crise de 2008. Na avaliação, consideramos sempre o nível de governo societário na definição do risco das empresas.

 

As nossas propostas para um melhor governo societário

Consulte as nossas reivindicações para contribuir para uma melhoria do Governo das Sociedades em Portugal.

 

Informação deficitária

Infelizmente, nem todas as empresas têm todos os detalhes em relação à remuneração paga aos administradores ou ao restante pessoal da empresa. Por este motivo, excluímos desta análise Altri, Banif, Cofina, EDP Renováveis, Media Capital, Portucel, SAG e Sonae Indústria.


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