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Como financiar o seu negócio?

Há 2 anos - terça-feira, 20 de setembro de 2016
Procura uma solução para financiar o seu negócio ou gerir a tesouraria? Se seguir as nossas Escolhas Acertadas pode poupar 82 euros por mês num empréstimo bancário e 31 euros por mês numa conta-corrente.

A conta-corrente é a estratégia mais comum das micro e pequenas empresas portuguesas para a gerir as suas tesourarias. Empresas estas que representam mais de 99% do tecido empresarial nacional.

Escolher o banco em que já se confia é a postura típica de muitos portugueses, empresários ou não. Para abrir uma conta, nem sempre comparam as várias taxas anuais efetivas (TAE), que traduzem, na prática, o custo do crédito. 

Fizemos os cálculos para uma conta-corrente de 25 mil euros a seis meses nos vários bancos que disponibilizam este tipo de produtos para empresas. Com spreads a variar entre os zero e os 16%, estas contas estão também, em regra, sujeitas a comissões de abertura, de estudo e de renovação, podendo ainda o banco cobrar pelo processamento da prestação ou pela gestão do processo. 

Fidelidade compensa?

No final, a TAE pode chegar, na pior das hipóteses, aos 39,4%, no Millennium bcp. Por mês, a empresa pagará 4432,25 euros se usar todo o plafond disponível logo no primeiro mês. Mas, optando pelo BPI, não obterá uma TAE acima de 18,8%, o que faz deste banco a nossa Escolha Acertada. Mesmo não tendo grande envolvimento com o banco e esgotando inicialmente todo o capital disponível, a prestação mensal será sempre inferior a 4306,85 euros. Por mês, poupa 30,64 euros face à média praticada no mercado e no final dos seis meses do contrato, já totaliza perto de 184 euros de poupança.

Mas ainda pode conseguir melhor. A prestação mensal no BPI pode baixar até aos 4234,91 euros, se o banco lhe aplicar o spread mínimo, de 4,75 por cento. Geralmente, tal acontece, neste e noutros bancos, quando o cliente tem um acentuado envolvimento com a instituição, que lhe oferece, em troca, condições privilegiadas de acesso ao crédito. Por isso, pode valer a pena consultar o seu banco de sempre (se tiver um) e negociar um spread vantajoso. Até pode conseguir isenção de uma ou outra comissão. Porque a fidelidade quase sempre compensa. 

Empréstimo: evite as garantias pessoais

Mas há despesas avultadas, como, por exemplo, a compra de um novo balcão frigorífico para um café, que podem requerer um investimento impossível de suportar pela contabilidade do dia-a-dia. Pontualmente até são criadas linhas de crédito bonificado, mas nem sempre as empresas reúnem os requisitos exigidos. Quando não é possível aceder a essas facilidades, as soluções mais comuns passam, tipicamente, por pedir um empréstimo ao banco ou celebrar um contrato de leasing.

Partimos, por isso, à procura de um empréstimo de 30 mil euros a cinco anos, acreditando que será suficiente para comprar, por exemplo, o balcão frigorífico. Uma vez mais, o envolvimento da empresa com o banco é fundamental para obter um bom spread, já que de comissões quase nenhum empresário se livra.

Na maioria dos contratos, os empresários também não escapam à prestação de uma livrança, mas podem ser exigidas outras garantias (aval, fiança ou hipoteca, por exemplo). Mas quando as garantias prestadas pela empresa se adivinham insuficientes, os bancos recorrem às garantias pessoais dos sócios e, por vezes, às dos cônjuges. E todos os bens do casal passam a responder pela dívida, em caso de incumprimento. Ora, apesar de a maioria das microempresas ser de cariz familiar, o património da empresa e o do agregado não devem confundir-se. Logo, sempre que possível, os empresários devem evitar o recurso às garantias pessoais. 

Poupe quase 5 mil euros em 5 anos

A partir deste pressuposto, continuámos à procura do empréstimo com melhores condições. E colocámos duas hipóteses: ou o empresário não prescinde do “seu banco” e para ele recolhemos as ofertas mais favoráveis em cada instituição. Ou o empresário não se importa de procurar outra instituição, desde que lhe disponibilize condições mais vantajosas de crédito. E para esses clientes traçámos o pior cenário possível, sem envolvimento com a marca, sem histórico de bom ou mau pagador e sujeitando-se à TAE mais elevada que o preçário da instituição prevê. 

É para esta segunda hipótese que o Crédito Agrícola se revela a Escolha Acertada. O cliente nunca pagará mais de 612,78 euros por mês num financiamento de 30 mil euros a cinco anos. Consegue uma poupança mensal de 82 euros face à média do mercado e, no final dos cinco anos, terá acumulado uma poupança de quase 5 mil euros. 

Cada banco, seu vocabulário

Para os empresários que estão dispostos a procurar a melhor solução de financiamento, há uma dificuldade à partida: não há uniformidade na informação pré-contratual. Cada banco apresenta a sua proposta com formato personalizado e diferentes designações para comissões similares. Cabe ao cliente fazer as devidas comparações. Certamente não seria difícil instituir uma ficha normalizada, tal como já acontece para o crédito a particulares. Mas tal não é obrigatório e já está na hora de a banca avançar nesse sentido.

O nível de literacia financeira dos empresários portugueses está longe de ser homogéneo e todos os clientes têm direito a ser devidamente informados sobre as condições dos empréstimos que possam vir a contratar. Ganham os empresários e ganham os consumidores que beneficiam dos produtos e serviços dessas empresas.

Além disso, há que uniformizar as designações dadas a cada comissão e limitar os respetivos valores, para que as instituições deixem de repercutir nos clientes as perdas dos últimos anos, encarecendo o acesso dos pequenos empresários ao crédito. 

Mas as nossas críticas não ficam por aqui. Com as taxas Euribor em terreno negativo e a empurrar as prestações dos empréstimos para baixo, alguns bancos estão a estabelecer limites para a descida das taxas, deixando do lado dos empresários o ónus de se oporem a esta cláusula. Ora, quando uma das partes precisa mais de financiamento do que a outra de financiar, é natural que os empresários comecem a ceder nesta negociação. 

Quanto aos spreads, estamos perante um caso flagrante de regras que podem mudar a meio do jogo. Ou seja, nada impede o banco de agravar a sua margem ou qualquer uma das comissões durante a vigência do crédito. Só tem de avisar o cliente com 90 dias de antecedência, um prazo manifestamente curto para procurar alternativas. Mas ao empresário não resta mais do que isso: ou aceita as novas condições ou põe fim ao contrato e procura novo banco. Mais uma vez, a corda rebenta sempre do lado mais fraco.

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