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Conselhos práticos para rentabilizar mais o seu negócio

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    Poupe 100 euros por ano com a melhor conta à ordem para empresas Há 5 meses - quinta-feira, 10 de maio de 2018
    Também nas contas à ordem para empresas as comissões bancárias pesam nos custos. O que paga em comissões ao longo do ano pode mesmo justificar mudar de banco. Siga as nossas recomendações e poupe 100 euros anuais.

    Há que pagar salários, passar cheques aos fornecedores, efetuar pagamentos online e ainda... pagar uma comissão ao banco por cada salário suportado, outra por cada livro de cheques pedido, outra ainda pelo cartão multibanco e mais outra por cada transferência interbancária realizada através da internet.

     

    Ah... e mais uma. Há que pagar a comissão só pela simples existência dessa conta à ordem. É assim o dia-a-dia de uma microempresa, que, na maioria dos casos, não tem poder negocial para convencer o banco a atribuir-lhe isenção nas mais variadas comissões. E, por isso, paga como qualquer cliente particular. Para ter conta e para poder usá-la.

     

    Dependendo da relação que mantêm com o banco, algumas empresas conseguem escapar às comissões. Algumas terão lá os seus créditos. Outras mantêm saldos médios generosos. Outras ainda preferem subscrever uma conta-pacote, que agrega um conjunto de serviços bancários estandardizados, a troco de uma mensalidade. Cada caso é um caso e a melhor conta para cada empresa será negociada individualmente.

     

    Para lhe dar uma ideia da oferta do mercado, analisámos as contas à ordem de 15 bancos. Apresentamos as mais baratas de cada: em seis instituições, são contas-pacote; nas restantes, a clássica conta à ordem é a melhor opção.

     

    Posso transferir sem pagar?

    O cenário que criámos para este estudo bem podia ser o de um pequeno café de bairro, de um cabeleireiro, de um negócio familiar que vende a produção própria através do Facebook ou até de uma start-up de amigos que se encontram após a universidade para explorar as potencialidades da aplicação que criaram.

     

    E que uso dão à conta à ordem? No nosso cenário, todos os meses pagam cinco vencimentos, usam 10 cheques e realizam outras tantas transferências interbancárias através do homebanking.

     

    Têm ainda um cartão de débito para fazer levantamentos e pagamentos, e cumprem o requisito de manter um saldo médio de 5 mil euros.

     

    Há contas-pacote que encaixam neste perfil e que compensem? Em seis bancos, há. Em média, as 12 mensalidades custam 145 euros, mas, em compensação, alguns serviços passam a ser gratuitos, como as transferências interbancárias realizadas através da net.

     

    No BBVA, Montepio, Millennium bcp e Caixa Geral de Depósitos, as contas-pacote incluem ainda um cartão de débito isento de anuidades, e o Montepio oferece também o processamento de salários.

     

    Tendo em conta as comissões que seriam cobradas por cada um destes serviços, justifica-se o pagamento da mensalidade da conta-pacote. E para o cenário que criámos, são a solução mais barata para os clientes do BBVA, Caixa Geral de Depósitos, EuroBIC, Montepio, Millennium bcp e Santander Totta.

     

    Conta-pacote nem sempre vale a pena

    E porque não optar por esta solução nos restantes bancos? O Novo Banco e o Crédito Agrícola também disponibilizam este produto para empresas. Mas só compensa para determinados perfis de negócio, seja pelo saldo médio, seja pela quantidade de vencimentos a processar mensalmente ou por outros requisitos que não cumpra, como ter um terminal de pagamentos automáticos, por exemplo.

     

    Aliás, para algumas empresas, subscrever uma conta-pacote pode até revelar-se um desperdício. Algumas incluem seguros ou descobertos autorizados que podem não ter utilidade. Nestes casos, compensa contratar uma conta à ordem convencional.

     

    Comissões e mais comissões

    Não encontrando, no mercado bancário, uma conta-pacote que encaixe no perfil do negócio, procure a solução mais barata entre as clássicas contas à ordem para empresas. Mas conte com todo um rol de comissões, uma por cada operação que realiza. No cenário que criámos, nunca gasta, no total, menos de 100 euros por ano.

     

    Destaca-se, pela positiva o BPI, a nossa Escolha Acertada. Não cobra por transferências e disponibiliza o preçário mais em conta nos restantes serviços. São 112,44 euros despendidos no final de cada ano, entre a anuidade do cartão de débito, o livro de cheques e as comissões pelo processamento dos vencimentos e pela manutenção da conta à ordem.

     

    No final dos mesmos 12 meses, os clientes do Crédito Agrícola pagam 196,76 euros, os do Novo Banco mais de 200 euros e os do Best Bank 310,20 euros. Neste último caso, pelos mesmos serviços, são quase mais 200 euros do que no BPI. E esta diferença de custos pode ser fulminante para o bem-estar da tesouraria de uma microempresa que luta por um lugar ao sol.

     
     

    Já não uso cheques

    Nem todas as empresas precisam de usar dez cheques por mês. Algumas até dispensam por completo este meio de pagamento. No final do ano, são menos 73 euros, em média.

     

    Mas há, de facto, negócios em que ainda é mais prático recorrer ao cheque. E, aqui, os clientes do Best Bank são os mais prejudicados. Pagam 126 euros por 120 cheques anuais. Mais de 1 euro por cada cheque. Pelo contrário, é no Bankinter que os livros de cheques têm preços mais reduzidos. Cada cheque custa 34 cêntimos. 

     

    No multibanco é gratuito

    Não será exequível para todas as empresas, mas pode valer a pena transferir dinheiro através do multibanco em vez de fazê-lo na internet, sobretudo se o banco lhe cobrar por essa operação online.

     

    A anuidade suportada por um cartão de débito empresarial varia entre 8,84 e 17,68 euros, e todas as transferências e pagamentos efetuados através de uma caixa multibanco são gratuitos.

     

    O Abanca e o Atlântico Europa, por exemplo, cobram 1,04 euros por cada transferência interbancária online. No cenário de dez transferências por mês, a anuidade do cartão de débito paga-se em dois meses.

     

    Há desvantagens? Claro que sim. O comprovativo emitido no multibanco tem o formato (e a qualidade de papel) que se conhece e as informações complementares sobre quem paga e quem recebe, que é possível introduzir em operações feitas através do homebanking, ficam obviamente limitadas.

     

    Se para a sua empresa isso não é um problema, então, prefira o cartão de débito. Não é, no entanto, uma recomendação válida para os clientes do Best Bank, Atlântico Europa e Deutsche Bank, uma vez que estes bancos não disponibilizam cartões de débito nas contas à ordem para empresas.

     

    E depois há que contar ainda com as comissões de manutenção. Aquelas que se pagam ao banco só pelo facto de a conta existir e permitir a contratação de outros produtos e serviços bancários. Em média, representam um custo de 73 euros por ano. Há alternativas? Mais uma vez, dependerá do seu poder negocial. Que será certamente maior quando a sua microempresa deixar de ter o prefixo micro.

     

    Consulte aqui o estudo completo sobre as melhores contas à ordem para empresas.

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    Empresa online: o domínio é a alma do negócio Há 8 meses - segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
    Onde deve alojar o seu negócio online? As regras são diferentes das lojas físicas? É rentável? Conheça os testemunhos de dois investidores no mercado virtual.

    Hoje em dia já não se vai à loja, navega-se até ela. Mas não é por certo necessário construir um barco para lá chegar. Por outras palavras, pode definir com mais precisão os clientes potenciais e, ao mesmo tempo, multiplicá-los quase sem se dar conta disso. Mais: uma loja virtual permite descentralizar tarefas e serviços que antes estariam limitados a um espaço físico e geográfico. Os consumidores adquirem mais liberdade de escolha, podem comparar, apreciar produtos e pagar de forma imediata, sem saírem do conforto do lar.

     

    Tudo isto é muito bonito, mas ainda é a realidade que se impõe: se, entre os europeus, comprar online já é quase tão natural quanto, no passado, ir à loja, os portugueses ainda estão alheados destas práticas virtuais. Segundo o Eurostat, apenas três em cada dez compram produtos e serviços desta forma, enquanto o rácio europeu é de quase sete em cada dez. Talvez por isso seja necessário ao investidor nacional manter uma loja física enquanto tenta despontar na virtual. Ou, pelo menos, começar pelo mundo real.

     

    Para Vladimiro Nunes, que gere uma pequena editora, a existência do estabelecimento físico era uma espécie de compromisso não escrito: “Desde o início que percebemos que seria importante complementar a receita obtida através do distribuidor com algumas vendas diretas”, recorda. “Tentámos até criar uma pequena livraria na nossa sede, mas rapidamente percebemos que, além de gerar muito poucas vendas, estava a prejudicar a nossa disponibilidade para a expansão do catálogo da editora”. Aqui entrou, então, o site, que tinha já sido, de resto, uma ideia desde o início. “Tem sido o site a fazer esse papel, e com resultados bem mais animadores do que os da extinta loja física”.

     

    Mas parece que a presença do espaço tradicional dá algum conforto. “O facto de as pessoas saberem onde estamos e que existe uma porta aberta (já não está aberta, mas nós estamos lá, sempre disponíveis para receber quem nos quiser visitar) ajuda a criar-lhes confiança para comprarem online”. A editora, na verdade, são duas. Uma é a Ponto de Fuga e consagra-se a autores como Natália Correia, Faulkner ou Gertrude Stein. A outra, a PIM! Edições, “remete para um imaginário um pouco mais vintage, irreverente, um pouco “série b”, com a cor, a ilustração e o humor a serem mais assumidos”. Publicar em Portugal, já se sabe, é um desígnio mais literário do que rentável. À falta de leitores, que vem de tempos imemoriais, soma-se a estranheza perante o mercado online. As vendas sob esta forma, admite o editor, “têm sido muito residuais no total da nossa faturação. De resto, seria de esperar que assim fosse. Dada a natureza deste negócio, mau seria que os livros não se vendessem mais nas livrarias”. Mas o site tem de existir, nem que seja como montra. As vendas, “embora pouco expressivas”, acabam por ser “muito importantes, porque nos permitem estabelecer uma ligação direta com os leitores, além de serem significativamente mais rentáveis, ao eliminarem a margem do distribuidor, que é de 60%”. Deixando de existir, o intermediário não fica com mais de metade das receitas.

     

    Pedro e a tribo do oceano

     

    Noutro plano completamente distinto está Pedro Vargas. Este professor de Almeirim lançou-se na aventura online com uma marca de artigos desportivos, a Ocean’s Tribe. Tal como Vladimiro Nunes, também utiliza a divulgação nas redes sociais, um elemento importante na criação de elos mais fortes com o seu público. Neste caso, talvez com maior intensidade do que o editor.

     

    E, como ele, também ainda espera pela galinha dos ovos de ouro da net. Mas por motivos diferentes: “Neste momento, porque estive um ano fora do país, apesar de o website estar ativo, a atividade da Ocean’s Tribe está em stand-by e estamos a decidir sobre o futuro rumo da marca”. Esse futuro terá de ser estudado. “Curiosamente, até este ano, os clientes consultaram a loja online para escolher os produtos e tentaram evitar os gastos de envio, entrando em contacto connosco para uma entrega em mão. Como a grande maioria deles são da região centro do país, fomos conseguindo atender todos estes pedidos. No entanto, no futuro, em caso de expansão do mercado, estamos a analisar várias possibilidades de redução dos custos de envio”.

     

    Não é preciso um curso

     

    Teve de partir do zero. Mas será assim tão difícil, para os leigos, começar um site? Este ramo de atividade é só para leigos? Nem por isso, mas dá trabalho. “No momento de criação da marca, não tinha qualquer experiência na criação de websites. O primeiro passo que efetuei após registar a marca foi criar uma página no Facebook para a divulgação inicial e só depois efetuei o registo da Oceans Tribe na Wix, sob o dominio oceanstribe.com”.

     

    A escolha do nome para o domínio não pode ser deixada ao deus-dará. É preciso que ele se cole à memória de quem chega ao site pela primeira vez, para garantir o regresso e a compra. “Quando construí o website no Wix, foi-me pedido imediatamente para associar o domínio e foi aí que escolhi o oceanstribe.com. A escolha do domínio “.com” no início não foi muito refletida, confesso, mas basicamente teve que ver com o objetivo futuro de internacionalização da marca”.

     

    Já para Vladimiro Nunes, a internacionalização (descontando, talvez, o mundo lusófono) não será, por certo, um objetivo, dada a natureza do negócio. A experiência inicial foi diferente, já que foi o domínio a ir ter com o empresário e não o contrário. “O domínio era oferecido, por um ano, no ato de constituição da empresa. Tivemos a sorte de o domínio português pretendido, com o nome da empresa (www.pontodefuga.pt), estar disponível. Registá-lo logo foi a opção lógica.”

     

    Pedro Vargas lamenta, um pouco, a falta de conhecimentos técnicos para dar outro “lustro” à sua webpage, na fase inicial. “Não foi fácil, exigiu muito trabalho, investigação e contei com a ajuda de alguns amigos conhecedores de informática que me esclareceram algumas dúvidas”.

     

    Vladimiro Nunes recorreu a uma profissional para essa fase de arranque, a combinar design e funcionalidades para o site. O acesso a plataformas pré-feitas e a facilidade de se definirem modos de pagamento são mais um impulso que garante a rapidez para pôr a andar um negócio. Neste aspeto, o editor foi a todas: “O Paypal, por ser muito fácil de usar; o Multibanco, que é o rei dos modos de pagamento em Portugal e, por isso mesmo, uma inevitabilidade em qualquer negócio, físico ou online; até a mais clássica transferência bancária, entre outras formas criativas, por vezes improvisadas, de lidarmos com encomendas de clientes que têm hábitos muito específicos, como o envio de um cheque, por exemplo”.

     

    Pedro Vargas só disponibiliza, para já, duas opções, por transferência ou à cobrança, na sua Ocean’s Tribe. Ainda recupera da ausência de um ano. Deu uma volta ao mundo e documentou-a online, num blogue. Feito o regresso, pode dedicar-se a outras voltas ao mundo, mas no e-commerce.

     

    Na revista PROTESTE INVESTE de fevereiro mostramos cinco passos para começar o seu negócio no mercado virtual.

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    Empresas vencem processos contra o fisco Há 9 meses - quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
    Em cerca de 60% dos casos movidos contra o Fisco, em 2017, através do Centro de Arbitragem Administrativa Tributária (CAAD), os contribuintes saíram vitoriosos. Desta fatia, apenas 8% dos processos foram objeto de recurso.

    Na sua esmagadora maioria, os contenciosos fiscais que dão entrada na arbitragem tributária são movidos por empresas, estando mais de metade relacionados com o IRC.

     

    Desde que foi criado, em 2011, o CAAD já recebeu cerca de 3600 processos, envolvendo 840 milhões de euros. Neste período, os 836 processos relacionados com o IRC foram os que movimentaram valores mais elevados − 438 milhões de euros. Mas foi o Imposto do Selo que gerou mais processos, com um total de 1062.

     

    No último ano, o número total de processos cifrou-se em 650, no valor recorde de 230 milhões de euros. Ainda em 2017, o processo que envolveu a soma mais elevada chegou aos 7,4 milhões de euros, próximo do máximo registado − 9 milhões de euros. A celeridade das decisões é um dos fatores que explicam a crescente procura deste serviço pelos contribuintes. Em média, a resolução dos litígios leva 4,5 meses, sendo que nenhum processo demorou mais de 365 dias a estar concluído.

     

    Nos casos em que o CAAD não dá razão aos contribuintes, estes optam por recorrer aos tribunais comuns.

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    Ai, se aparece a ASAE! Há 11 meses - sexta-feira, 24 de novembro de 2017
    Não é caso para abrir a porta aos inspetores a tremer que nem varas verdes. É preciso aceitar uma fiscalização por parte de quem tem esse poder. Mas também saber agir, se receber um castigo que considera injusto.

    “ASAE apreende 300 quilos de pescado”, “ASAE multou 23 vendedores em mercados municipais retalhistas, “ASAE instaurou sete processos de contraordenação na venda de manuais escolares”, “ASAE suspende...”, “ASAE fecha...”, “ASAE detém...” Basta uma pesquisa na Internet por notícias relacionadas com a atividade da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, que todos conhecem por ASAE, para associar, quase sempre, um verbo que denota prevaricação. Ora, por associação involuntária de ideias, ser alvo de uma fiscalização é meio caminho andado para ir buscar o terço e começar a rezar a todos os santinhos para que tudo esteja nos conformes. Mas quem tem um estabelecimento comercial aberto ao público ou desenvolve uma atividade económica está, à partida, sujeito a uma fiscalização da ASAE, que é um órgão de polícia criminal. Logo, há que abrir a porta e colaborar com as autoridades. Mas também é preciso saber reagir, se lhe for aplicada uma sanção que considera injusta.

     

    Sou avisado com antecedência se a ASAE vier fiscalizar o meu negócio?

     

    Não. O objetivo é que as fiscalizações sejam feitas sem o conhecimento dos agentes económicos à porta dos quais a ASAE vai bater. Como é que surge uma inspeção? Por exemplo, em articulação com órgãos regionais (como uma administração regional de saúde ou uma direção geral de agricultura), de modo a responder a uma necessidade específica. Ou depois de a autoridade ter detetado problemas em alimentos à venda, através de testes em laboratório ou da análise de rotulagem. Ou ainda no contexto de uma emergência, como o surgimento de infeções originadas por algum produto ou género alimentício.

     

    Posso ser fiscalizado na sequência de uma denúncia?

     

    Sim, pode haver investigações que resultem de denúncias, reclamações recebidas pela ASAE, alertas, pedidos de colaboração de outras entidades ou englobadas numa operação mais vasta de dimensão nacional ou até mesmo europeia.

     

    Infração é sempre sinónimo de coima?

    Não. Se a ASAE entender que a transgressão não é grave, pode limitar-se a fazer uma admoestação por escrito. Faz apenas uma advertência e não aplica nenhuma coima.

     

    A ASAE multou-me, mas eu desconhecia que estava a cometer uma ilegalidade...

    Considera-se que alguém atuou sem culpa quando não tem consciência de que o que fez é contra a lei. Mas apenas desde que esse erro tenha resultado de ter sido mal informado ou mal aconselhado pelas autoridades em relação a um determinado procedimento, por exemplo. Havendo atenuantes, a coima aplicada pela ASAE pode ser reduzida para metade.

     

    Como se define o valor e a “gradação” das coimas?

    Tudo depende da gravidade da infração, da culpa do empresário, da sua situação económica e do benefício económico que retirou da transgressão. Numa escala de castigos com muitos degraus, o valor das coimas varia entre apenas alguns euros e dezenas de milhares. Nos casos mais graves, pode haver sanções acessórias, como a interdição da atividade, a perda de subsídios ou benefícios públicos, o encerramento do estabelecimento ou a suspensão de autorizações de funcionamento, licenças e alvarás. Em princípio, estas punições têm a duração máxima de dois anos.

     

    A haver coima, o que deve constar da decisão da ASAE?

     

    A identificação do infrator, a descrição dos factos de que é acusado e respetivas provas, a indicação das normas violadas, a coima e sanção acessória eventualmente aplicadas e a fundamentação da decisão. O empresário deve também ser informado de que, se não contestar, a pena torna-se definitiva.

     

    E se eu não estiver de acordo com a pena que me foi aplicada?

     

    Pode contestar judicialmente a ação da ASAE. Atenção ao prazo: o recurso pode ser interposto pelo empresário ou por um advogado em 20 dias úteis e deve ser entregue na ASAE. Cenário 1: a autoridade dá razão ao queixoso e o caso fica por aqui. Cenário 2: a ASAE envia o processo para o tribunal de primeira instância da área do estabelecimento alvo de coima ou sanção acessória. O tribunal pode ordenar o arquivamento do processo, absolver o arguido ou manter a condenação, com ou sem alterações. Por sua vez, esta decisão pode motivar novo recurso, agora para a Relação, mas apenas no caso de a coima aplicada ser superior a 249,90 euros, ou se a ação judicial tiver sido rejeitada, ou ainda se tiver havido uma sanção acessória.

     

    Cuidado novamente com o prazo: este recurso deve dar entrada no prazo de 10 dias a contar da sentença ou do despacho do tribunal de primeira instância.

     

    Tenho de pagar algo mais além da coima?

     

    Sim. Decidida a coima ou a sanção acessória (e não conseguindo fazer valer a sua posição caso tenha interposto recurso), vai ter de pagar as custas relacionadas com o processo de contraordenação. Só fica livre desta despesa se tiver sido alvo apenas de uma admoestação ou se o processo for arquivado. O valor das custas varia consoante a coima aplicada. Se a coima for paga de forma voluntária, as custas são reduzidas para metade.

     

    É possível regularizar os valores de forma faseada?

     

    Excecionalmente, sim. Se o arguido estiver numa situação económica delicada, deve comunicá-lo, por escrito, à ASAE, e solicitar o pagamento dos montantes em dívida em prestações. A autoridade também pode permitir que a coima seja paga, integralmente, num prazo posterior ao definido por lei, no máximo até um ano. Ou autorizar a sua regularização faseada durante dois anos. Se o empresário falhar o pagamento de uma prestação, fica obrigado a pagar as restantes de uma vez só. Dependendo do caso, os prazos e os planos de pagamento inicialmente definidos poderão ser alterados. A título de exemplo: o empresário prova que não lhe é possível regularizar o pagamento naquele momento, mas que em breve poderá fazê-lo (aguarda o pagamento de um cliente, por hipótese). A ASAE ou o tribunal decidem se tal adiamento é possível ou não. Também pode repartir o pagamento das custas, se o valor for igual ou superior a 306 euros. Mas – puxe da máquina de calcular – se optar pelo faseamento, terá de somar mais 5% à conta final. Pode pagar até seis prestações mensais, não inferiores a 51 euros, se o total não exceder os 1224 euros (pessoas individuais) ou 2040 euros (pessoas coletivas). Ou ainda até 12 vezes para montantes superiores, com prestações mínimas de 102 euros. A falta de pagamento de uma coima pode dar origem a um processo executivo, com eventual penhora e posterior venda de bens do empresário.

     

    Quais os prazos de prescrição?

     

    Há um tempo para instaurar um processo pela prática de uma contraordenação. Ou seja, se conviveu com baratas no seu restaurante nos idos de 1987, a ASAE não pode agora vir pedir-lhe contas. A lei determina que os tempos de prescrição estão diretamente relacionados com os valores das coimas, ou seja, com a gravidade da situação. E os prazos são: cinco anos para coimas máximas iguais ou superiores a 49 879,79 euros; três anos, para valores máximos entre 2493,99 euros e 49 879,79 euros; e um ano, nos restantes casos. Há também um prazo para lhe cobrar uma coima. Vamos imaginar que um empresário tem uma dívida superior a 3740,98 euros referente a uma coima e não a paga. Se as autoridades deixarem passar três anos e nada fizerem para a cobrar, deixam de poder fazê-lo. Para sanções inferiores àquele valor, o prazo de prescrição é de um ano. Pormenor importante: a contagem do tempo é interrompida se for iniciado um processo de execução da dívida (com penhora de bens, por exemplo) e fica suspenso se forem concedidas facilidades de pagamento.

     

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    Empreendedorismo: Quer ser Youtuber ou ter o seu Uber? Há um ano - quinta-feira, 19 de outubro de 2017
    Começar um negócio não é para todos mas o que é certo, é que muitos conseguem obter sucesso. As ideias pairam no ar e as tentações vêm de todos os lados: Internet, turismo, feiras de negócios ou através de vários programas e bolsas de empreendedorismo. Conheça alguns desafios para montar um negócio.

    O primeiro desafio está em ter a ideia certa e tentar sobreviver num mundo em que tudo é rapidamente replicado. Analise a procura e a oferta da ideia ou produto que pensou. O segundo desafio é o know-how. Na possibilidade de não ter experiência sobre o negócio que vai lançar, informe-se o máximo possível de forma antecipada. O terceiro desafio passa por fazer uma boa análise da ideia: quais são as suas forças e fraquezas, e que oportunidades e ameaças podem representar.

     

    O quarto desafio é fazer um bom plano de negócios: quais são as receitas e o período de retorno? Por último, resta a angariação de capital para arrancar com a ideia. Hoje, com as bolsas de empreendedorismo, com o crowdfunding, a existência de business angels (um investidor particular que investe diretamente, ou através das suas empresas, o seu próprio dinheiro em empresas embrionárias), essa parte pode estar mais facilitada do que parece à partida desde que a ideia seja válida.

     

    Para além de todos os desafios mencionados vai precisar de tempo e dedicação, pois sem trabalho pouco se consegue alcançar. Analisamos três ideias de negócio que à partida parecem simples de concretizar mas, será mesmo assim?

     

    Ter o seu próprio Uber

     

    Ser parceiro da Uber, Cabify ou Chofer implica ter carta de condução há pelo menos três anos e incorrer em alguns custos iniciais, como por exemplo o de alugar ou comprar um veículo. Precisa de criar uma empresa com uma atividade específica (agência de viagens, animação turística, táxi ou rent-a-car) e de ter uma licença para transportar passageiros no Instituto de Mobilidade e Transportes ou junto do Turismo de Portugal. Também obriga a ter um seguro específico de acidentes pessoais com cobertura mínima de 15 mil euros, que lhe irá custar cerca de 75 euros por ano. Além disso, precisa de um seguro de responsabilidade civil de exploração para a empresa com uma cobertura de 50 mil euros, com um custo anual de cerca de 300 euros. E ainda um seguro automóvel com uma cobertura de responsabilidade civil de 50 milhões de euros e 10 mil euros de proteção para os ocupantes que lhe custará no mínimo cerca de 1000 euros.

     

    A disponibilidade de tempo e a capacidade de comunicação são essenciais neste negócio e estará sempre sob escrutínio dos seus clientes. A avaliação, feita online, é permanente, e define um bom trabalho pelo número de estrelas que o cliente pode atribuir a um serviço. Atenção: não descure a avaliação que é feita pela Internet pelo passageiro após usufruir do serviço prestado.

     

    Ser parceiro de uma marca poderá ter os seus benefícios, pois isso dá-lhe acesso ao investimento em publicidade da marca, ao desenvolvimento da aplicação para telemóvel e ao número de utilizadores que já têm essa aplicação. Mas também tem pontos negativos, como por exemplo a dependência do tarifário imposto ou a falta de relação com outros colegas ou com a equipa de gestão. Em termos de receitas, ficará com cerca de 75% do valor faturado na viagem, ao qual deverá deduzir 6% do IVA e o combustível. Pode fazer uma estimativa com base nas tarifas cobradas ao cliente.

     

    No caso da Uber e da Chofer, é repartida por valor base por viagem de 1 euro, mais 10 cêntimos por minuto, mais 65 cêntimos por quilómetro. No caso da Cabify, a tarifa tem um valor base que varia entre 50 cêntimos e 1 euro e o resto é cobrado apenas com base na distância entre 1 euro e 1,32 euros.

     

    Ser youtuber

     

    Se a sua “onda” é fazer vídeos e carregá-los para a Internet de modo que estejam disponíveis para toda a gente ver e se frequenta o YouTube, certamente já se deparou com vídeos que foram visualizados por milhões de pessoas, em todo o mundo. Normalmente, este material audiovisual está organizado num canal, que deverá ser subscrito pelos internautas. O humor capta cliques e subscritores portanto, o objetivo deste negócio é fazer vídeos para ter mais e mais subscritores. Quanto maior for número de assinantes e de visualizações, maior será a sua motivação e a probabilidade de ter marcas interessadas em fazer publicidade no seu canal. É nesta perspetiva que ser um youtuber se torna um negócio.

     

    A publicidade pode ser feita através de anúncios, colocação de links para parceiros com possibilidade de compras online ou promoção direta no próprio vídeo de produtos específicos.

     

    No que diz respeito às visualizações, elas apenas se traduzem em retorno financeiro se tiver associado ao canal uma conta Google AdSense por exemplo. No entanto, só a partir das 10 mil visualizações é que será remunerado.

     

    A concorrência é muita por isso não pense que é fácil. O site SocialBlade permite-lhe ter uma ideia do retorno desta atividade. De acordo com este site, um youtuber português com mais de dois milhões de subscritores (e apenas existe uma mão cheia deles), ganhará no mínimo cerca de 50 mil euros por ano. Também poderá ganhar algum dinheiro enquanto faz vídeos em direto através do serviço “Super Chat”. Mas pode criar um canal de YouTube com outros objetivos para além do retorno financeiro imediato. Por exemplo, se estiver na universidade ou em início de carreira, pode por exemplo criar um canal para promover a sua imagem e as suas ideias numa perspetiva curricular.

     

    Máquinas automáticas, mas com comida saudável

     

    O sistema das “vending machines”, as máquinas automáticas de venda de alimentos que vemos em diversos locais públicos, é feito por franchising. Para avançar com este negócio, é preciso precaver alguns pontos que abordamos na revista PROTESTE INVESTE de março: não pense que a marca é tudo; deve ter uma elevada percentagem de capitais próprios (60%) para abrir o franchising; analise a fundo o franchisador; tenha em atenção o contrato que vai assinar e o espaço que vai alugar. O capítulo III do decreto-lei n.º 24/2014, de 14 de fevereiro, regula esta atividade.

     

    Veja se a máquina fornecida pelo “master franchise” cumpre algumas das seguintes obrigações legais: a identificação da empresa comercial proprietária do equipamento — com o nome da firma; sede; número da matrícula na Conservatória do Registo Comercial competente; número de identificação fiscal; endereço; número de telefone — e contactos expeditos que permitam solucionar, rápida e eficazmente, as eventuais reclamações apresentadas pelo consumidor — preço por unidade; instruções de manuseamento e, ainda, sobre a forma de recuperação do pagamento no caso de não fornecimento do bem ou serviço solicitado.

     

    Se, por exemplo, as máquinas automáticas tiverem comida saudável, a ideia pode diferenciá-lo num mercado muito competitivo, e ainda tem a vantagem de poder ser uma forma de ter o seu próprio negócio sem precisar de mais pessoas para prestar o serviço, nem de despender muito tempo para o gerir. Por outro lado, ainda que esteja dependente de uma estratégia de marketing, este pode ser o seu contributo social para uma alimentação mais equilibrada.

     

    Será o negócio certo? Uma única máquina pode não lhe dar o retorno que pretende mas uma escala maior, ou seja mais máquinas, também lhe pode tirar tempo para trabalhar em outros negócios. Neste tipo de franchising pode optar por alugar um espaço para colocar a máquina ou simplesmente beneficiar de um espaço existente (uma escola, ginásio). Antes de avançar analise previamente os custos que vai ter com royalties, publicidade, assistência técnica, etc.. Verifique duração do contrato e a concorrência. Tenha a certeza de que gosta do que vai vender. O investimento inicial pode estar entre os 12.500 e os 25 mil euros, de acordo com a informação que encontrámos disponível na nossa pesquisa para este tipo de negócio.

     

    É preciso refletir e estar preparado para o negócio

     

    Estas são três ideias que não envolvem grandes encargos financeiros. Ainda assim e acima de tudo, tempo é dinheiro e convém ter a certeza do negócio que vai abrir, bem como das obrigações pessoais e profissionais que vai ter com a abertura desse negócio. É importante medir a sua ambição e saber até onde quer ir. Por exemplo, no franchising quer apenas uma máquina ou dez? No negócio do Uber quer ser o único a conduzir o seu veículo ou partilhar a condução para não ter o automóvel parado? Que tipo de mensagem quer passar enquanto youtuber? Focada ou generalista? Poderá obter ajuda através dos nossos cursos presenciais relacionados com o tema: “Empreender: da ideia ao negócio” e “(Re) Criar modelos de negócio”.

     

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    Acidentes de trabalho: qual o seguro mais barato Há um ano - sexta-feira, 23 de junho de 2017
    Obrigatório por lei, o seguro de acidentes de trabalho é fundamental. Traçámos quatro cenários. Veja em qual se enquadra a sua empresa e siga as nossas recomendações.

    Se tem uma empresa e seguir as nossas recomendações poderá poupar mais de 2200 euros no prémio do seguro de acidentes de trabalho. Mas nem pense em poupar da maneira errada, “esquecendo-se” do seguro. Quem não o contrata, sujeita-se a coimas que podem ir, no caso das pequenas e microempresas, de 2040 a 4080 euros, por negligência, ou de 4590 e 9690 euros se houver dolo, ou seja, se falhar esta obrigação intencionalmente.

     

    Lembre-se, por isso, do seguro. Até porque, além da coima, em caso de acidente de trabalho a entidade empregadora é responsável pelo pagamento das prestações previstas na lei. E, em vez de poupar neste custo obrigatório, o barato pode sair-lhe caro e até causar graves prejuízos à sua empresa.

     

    Basta olhar para as estatísticas para perceber a importância destes seguros. Só em 2014 registaram-se 203 548 acidentes de trabalho em Portugal, 160 dos quais resultaram na morte do funcionário. Mesmo com a lei a obrigar à proteção de quem trabalha, os números ainda são estes.

     

    Os seguros devem ser contratados para todos os trabalhadores ao serviço da empresa, independentemente do vínculo contratual.

     

    Para efetuar o nosso estudo contactámos seguradoras que comercializam seguros de acidentes de trabalho, a quem solicitámos o envio das condições contratuais dos seus produtos. Pedimos, ainda, os prémios para quatro cenários que consideramos representativos do tecido empresarial português, relativos a microempresas a operar em diversos setores de atividade. Obtivemos resposta da parte da Mútua dos Pescadores, Generali e Allianz, que nos enviaram toda a documentação relativa aos seus produtos, bem como os prémios solicitados. Também a Fidelidade acedeu a colaborar connosco, tendo contudo recusado o envio de cotações.

     

    Adicionalmente, e para garantir que a nossa investigação era suficientemente representativa, recorremos a um corretor de seguros para nos fornecer os prémios para os nossos cenários, praticados pelas cinco maiores seguradoras no ramo acidentes de trabalho ­– Allianz, Fidelidade, Lusitania, Tranquilidade e Zurich – e que, juntas, representam cerca de 71% da quota de mercado.

     

    As nossas Escolhas Acertadas

    Cenário 1: Restaurante tradicional em Lisboa

    5 trabalhadores: 1 gerente, 1 cozinheiro, 1 ajudante de cozinha, 2 empregados de mesa.

    Remuneração anual segura: 79 800 euros

    Generali: 1 149,12 euros

    POUPANÇA ANUAL: 434,57 euros

     
     

    Cenário 2: Empresa de montagem de instalações elétricas em Leiria

    6 trabalhadores: 1 gerente, 1 secretária, 4 eletricistas (1 sénior e 1 aprendiz)

    Remuneração anual segura: 99 400 euros

    Tranquilidade: 3 094,97 euros

    POUPANÇA ANUAL: 2 257,34 euros

     
     

    Cenário 3: Escritório de contabilidade no Porto

    4 trabalhadores: 4 contabilistas (1 sénior e 1 júnior)

    Remuneração anual segura:  126 000 euros

    Allianz: 857,56 euros

    POUPANÇA ANUAL: 291,651 euros

     
     

    Cenário 4: Consultório médico veterinário em Évora

    3 trabalhadores: 1 secretária, 2 médicos veterinários

    Remuneração anual segura: 105 000 euros

    Tranquilidade: 921,06 euros

    POUPANÇA ANUAL: 757,43 euros

     
     

    O que é um acidente de trabalho?

    De acordo com a lei, qualquer acidente que se verifique no local e no tempo de trabalho que produza uma lesão corporal, perturbação funcional ou doença, de que resulte uma redução na capacidade de trabalho ou de ganho, ou mesmo a morte.

     

    Não pense, porém, que a cobertura se limita ao local de trabalho. Acidentes que se verifiquem no trajeto casa-empresa, por exemplo, também estão englobados.

     

    Ou entre o trabalho e o local de refeições, ou ainda quando o trabalhador precisa de se deslocar a locais de reunião ou de formação profissional. As idas a serviços de saúde para tratamentos necessários por acidentes de trabalho anteriores também se incluem.

     

    E é claro que nada disto será contemplado se o trabalhador provocar o acidente de forma intencional ou por negligência, sem justificação, das condições de segurança estabelecidas pela entidade empregadora ou previstas na lei.

     

    O que paga o seguro?

    Em caso de acidente de trabalho, o trabalhador tem direito a dois tipos de prestações, em função do dano sofrido. Podem ser em espécie, como a assistência médica, cirúrgica, farmacêutica, hospitalar e quaisquer outras, incluindo despesas de hospedagem, transportes, e até próteses e ortóteses. E podem ser em dinheiro, por indemnização, no caso de o acidente resultar numa incapacidade permanente ou temporária, ou mesmo na morte do trabalhador.

     

    As prestações em espécie não têm limite. A seguradora deve suportar, por exemplo, todas as despesas médicas necessárias e adequadas ao restabelecimento do estado de saúde e de capacidade de trabalho ou de ganho do sinistrado. Já as prestações em dinheiro são definidas em função da remuneração e do grau de incapacidade do trabalhador sinistrado e podem ser revistas anualmente.

     

    Como é calculado?

    O prémio do seguro de acidentes de trabalho depende da atividade predominante da empresa e do correspondente nível de risco associado (avaliado através do Código das Atividades Económicas, CAE), da área geográfica onde está localizada, do número de empregados e respetiva retribuição, e ainda das coberturas complementares eventualmente subscritas.

     

    A diferentes profissões correspondem diferentes níveis de risco de acidente. O de um operário da construção civil, por exemplo, será maior risco do que o de um contabilista, mesmo que sejam colegas na mesma empresa de construção. Mas, no âmbito do seguro coletivo de acidentes de trabalho, aplica-se a ambos a mesma tarifa, que está associada ao respetivo CAE da empresa (neste caso, o 41200 - construção de edifícios).

     

    O prémio é calculado multiplicando a remuneração segura pela tarifa correspondente, que varia de acordo com o CAE das empresas. Algumas seguradoras podem ainda definir um prémio mínimo comercial anual, bem como um prémio mínimo semestral, trimestral ou mensal.

     

    Para estabelecer o valor da retribuição, a empresa deve ter em conta não apenas o salário do trabalhador, mas também os subsídios de férias e de Natal, bem com todas as prestações em espécie ou dinheiro com caráter regular. Quando o trabalhador tem direito a alimentação e a alojamento, o valor equivalente deve também ser considerado. Em qualquer dos casos, não pode ser inferior ao salário mínimo nacional.

     

    Tenha em atenção que o apuramento da retribuição segura é extremamente importante. Se declarado um valor inferior ao que realmente paga, em caso de acidente, cabe ao empregador responder pela parte proporcional de todas as despesas no interesse do sinistrado – hospitalização, assistência clínica, transportes e estadas, despesas judiciais e de funeral, subsídios por morte, e ainda a parte das indemnizações e pensões correspondente à diferença.

     

    As seguradoras podem fazer variar o valor do prémio em função do histórico de sinistralidade participada e dos custos suportados com acidentes. Daí que as medidas de prevenção e de segurança podem significar bonificações no prémio. Mas, se as regras e os princípios legais sobre higiene e segurança no local de trabalho forem desrespeitados, isso pode agravar o valor dos prémios.

     

    Como faço para contratar o seguro?

    Se já escolheu a apólice, comece por preencher uma proposta de seguro. Além das informações relacionadas com a identificação da empresa e da atividade desenvolvida, a duração do contrato ou a periodicidade e forma de pagamento do prémio, deve indicar a modalidade que pretende.

     

    O seguro pode ser contratado com prémio fixo, quando o contrato cobre um número previamente determinado de trabalhadores, com um montante de retribuições já conhecido. Esta forma aplica-se sobretudo às pequenas empresas. Na proposta deve indicar o nome, a profissão, o salário-base, o subsídio de alimentação, outras remunerações e o salário anual de todos os trabalhadores.

     

    Mas se o número de trabalhadores e os salários e remunerações variarem, a modalidade será outra. Contrate um seguro com prémio variável, indicando na proposta uma previsão de salários (inclua subsídios de férias e de Natal) e do número de trabalhadores. A sua empresa deve enviar à seguradora, até ao dia 15 de cada mês, as declarações de remunerações remetidas à Segurança Social e relativas às retribuições do mês anterior, as folhas de férias. No final de cada ano ou quando terminar o contrato é efetuado o acerto. Verifica-se a diferença entre o prémio provisório e o prémio definitivo, calculado em função das retribuições efetivamente pagas durante o período de vigência do contrato.

     

    Deve enviar todos os meses as remunerações dos trabalhadores abrangidos no seguro num ficheiro em formato digital. Não descure esta obrigação, sob pena de a seguradora lhe cobrar, no final da anuidade, um valor adicional correspondente a 30% do prémio provisório anual. Para validar, adaptar ou criar o ficheiro de folhas de férias, as empresas podem utilizar o aplicativo disponibilizado pela Associação Portuguesa de Seguradores (APS), em www.apseguradores.pt.

     

    E se recusarem um seguro à sua empresa? A entidade empregadora que, após consulta a três empresas de seguros não conseguir efetuar o contrato, por recusa daquelas, deve solicitar uma declaração de recusa a cada uma delas – cujo fornecimento é obrigatório – e contactar o Fundo de Acidentes de Trabalho (FAT) que lhe indicará as condições de aceitação e a empresa de seguros com a qual celebrará o contrato. O FAT é um fundo público com autonomia administrativa e financeira que assegura os pagamentos das prestações em falta em situações de recusa devidamente fundamentadas.

     

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    Como começar um negócio depois dos 40? Há um ano - quarta-feira, 3 de maio de 2017
    A Fundação AEP lançou uma iniciativa de apoio ao empreendedorismo sénior. Se tem mais de 45 anos, saiba como pode começar um negócio.

    O estereótipo popular do empreendedor é o de um Bill Gates ou um Mark Zuckerberg, o jovem que na sua garagem ou no seu quarto de estudante inventa um produto ou serviço que revoluciona o mundo. Um perfil que está longe de ser a regra. Nos Estados Unidos, por exemplo, a idade média dos empreendedores é de 47 anos. Foi a pensar neste empreendedorismo sénior que a Fundação AEP (Associação Empresarial de Portugal) criou o programa “Empreender 45-60”.

     

    O objetivo é combater o desemprego de longo prazo elevado entre a população sénior qualificada, em particular na região Norte do país. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, no final de 2015 a taxa de desemprego na região Norte era de 12,7%, quase dois pontos percentuais acima da taxa de desemprego nacional nesta faixa etária.

     

    O programa inclui além de seminários e workshops sobre a temática, um projeto-piloto de apoio à criação do próprio negócio, especialmente vocacionado para profissionais sénior da região.

     

    Empreender com a PROTESTE INVESTE

    Em Portugal, o estudo Global Entrenepreneurship Monitor 2013 indicava que a faixa etária dos 45 aos 64 anos tem das taxas mais baixas de empreendedorismo. Há, portanto, muito a fazer no campo do empreendedorismo sénior no nosso país.

     

    Nunca é tarde para beneficiar da experiência que acumulou a trabalhar para outros. Para dar o “empurrão” que falta, a “velhos” e “novos”, a PROTESTE INVESTE organiza, em conjunto com ANJE, regularmente cursos de formação sobre empreendedorismo. O objetivo é promover uma atitude empreendedora e dotar os participantes de capacidades práticas para operacionalizar uma ideia de negócio e elaborar um plano de negócios.

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    Depósitos para empresas: comissões devoram rendimento Há um ano - terça-feira, 2 de maio de 2017
    As taxas dos depósitos a prazo para empresas estão em níveis muito baixos e alguns juros são mesmo inferiores às comissões cobradas.

    Se tem uma empresa e conseguiu uma folga na tesouraria para investir algum dinheiro durante um curto espaço de tempo, as ofertas da banca para depósitos a prazo para empresas não são entusiasmantes. Pelo contrário. As taxas de juro estão muito próximas de zero ou são mesmo zero, pelo que, tal como para os consumidores particulares, as empresas também não têm nos depósitos a prazo uma boa solução para rentabilizar as suas poupanças. Até porque, nalguns casos, os custos em que incorrem para ter conta bancária superam o rendimento obtido.

     

    Para o ajudar a encontrar as melhores aplicações para a sua empresa, sondámos o mercado, fazendo um levantamento das taxas de juro dos depósitos a prazo para empresas, bem como dos custos cobrados para ter aberta uma conta de depósitos à ordem, condição necessária para poder fazer um depósito a prazo.

     

    Consultámos 16 instituições bancárias e, de uma forma geral, não registámos diferenças significativas nas taxas de juro oferecidas para prazos de seis ou doze meses nem para montantes de 5000 ou 10 000 euros. O caso em que há maiores diferenças é o do Banco Invest, em que a taxa de juro a seis meses é 25 pontos base inferior à taxa de juro a um ano (0,25% contra 0,5%). Logo, para simplificar, e uma vez que as conclusões não seriam muito diferentes, definimos apenas um cenário base: depósito a prazo de 10 mil euros a um ano.

     

    Dez mil euros a um ano

    Se olhar para o quadro em baixo, encontrará as taxas de juro líquidas (depois de deduzidos os 25% de IRC que são retidos na fonte) praticadas pelas instituições bancárias a operar em Portugal para um depósito de 10 mil euros a um ano.

     

    Contudo, pensamos que não é suficiente centrar-se apenas na taxa de juro, uma vez que para fazer um depósito a prazo é necessário abrir primeiro uma conta à ordem. Logo, é fundamental incluir também nos cálculos os custos de manutenção associados a essa conta à ordem. Os resultados apresentados na última coluna do quadro já refletem estes dois fatores: juros líquidos obtidos menos as comissões de manutenção ou gestão suportadas.

     

    Para um montante de 10 mil euros, a maioria dos bancos isenta as empresas da comissão de manutenção. Mas, nos três casos em que isso não acontece (BPI, Caixa de Crédito Agrícola e Millennium bcp), o valor das comissões supera o rendimento obtido no depósito a prazo, pelo que a empresa acaba por perder dinheiro. Aliás, há apenas quatro bancos que não cobram qualquer comissão de manutenção, independentemente do montante em causa. São eles o Banco Privado Atlântico – Europa, o Novo Banco, o Banco Best e o BiG.

     

    Nos restantes, a isenção da comissão ocorre a partir de um determinado montante, que varia de 1500 (Banco Popular) a 7500 euros (Santander Totta).

     

    Escolha acertada

    O Banco Privado Atlântico – Europa é aquele onde a sua empresa obteria um rendimento superior, embora seja de apenas 48,75 euros: é o que remunera o depósito à taxa mais alta e, como vimos atrás, é um dos poucos que não cobra comissões de manutenção.

     

    Seguem-se o Banco Invest e a Caixa Económica Montepio Geral, onde, em ambos, é possível obter um rendimento líquido de 37,50 euros. De realçar, no entanto, que o depósito na Caixa Económica Montepio Geral não é mobilizável, ou seja, não consegue levantar o dinheiro antes do final do prazo do depósito, neste caso, um ano.

     

    Mesmo nestes três bancos, que são os que oferecem as melhores taxas, os rendimentos são muito baixos. De facto, as taxas de juro anuais nominais líquidas (TANL, ou seja já deduzidos todos os impostos), para o montante e prazo escolhidos, variam de 0 a 0,49%.

     

    O BPI não oferece qualquer remuneração e não há nenhum banco que ofereça sequer meio por cento de remuneração líquida. Pode sempre tentar negociar uma taxa de juro superior, mas, por norma, apenas poderá ser bem-sucedido com montantes de depósito mais elevados. Por exemplo, no BNI Europa, consegue uma TANL de 1,125%, mais do dobro da do Banco Privado Atlântico – Europa, mas apenas para montantes superiores a 100 mil euros e, ainda assim, terá de suportar uma comissão de manutenção de 62,40 euros por ano.

     

    Outros critérios de escolha

    O facto de o Banco Privado Atlântico – Europa ser o que oferece o melhor depósito a um ano para um montante de 10 mil euros, não significa que seja o mais indicado para trabalhar com a sua empresa. De facto, há muitos outros fatores a ter em conta e que dependem do tipo de atividade que a empresa desenvolve ou da utilização diária e do envolvimento que tem com a instituição bancária.

     

    Ainda assim, nada o impede de efetuar as transações do dia-a-dia com um banco e de fazer eventuais aplicações financeiras noutra instituição. O importante é analisar todos os prós e contras quando o tema é aplicar o dinheiro da sua empresa.

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    5 cuidados a ter ao abrir um franchising Há um ano - quarta-feira, 22 de março de 2017
    Há detalhes legais e financeiros na contratação de um franchising que estão longe de serem pequenos. Se pretende abrir um franchising siga estas recomendações.

    Muitas pessoas quando pensam em criar um negócio, ponderam a via do franchising. Existe o know-how, a experiência de uma marca, sendo apenas necessário investir o capital. Com apenas 10 mil euros consegue montar uma empresa na área de restauração, estética, vestuário, serviços financeiros e imobiliário. São os chamados franchisings low cost. Mas pode ser mais ambicioso e escolher um ramo mais chorudo. Porém, antes de mergulhar de cabeça, estude os passos a dar e os riscos envolvidos. Indicamos-lhe cinco cuidados a ter na contratação de um franchising.

     

    1-      A proteção de uma marca não é tudo

    Este modelo de negócio assenta numa parceria entre o franchisador e o franchisado. A empresa que detém a marca cede a sua utilização, mediante o pagamento de uma contrapartida financeira, ao franchisado. A principal vantagem de embarcar nesta aventura é a redução drástica do risco inicial. Ao optar por esta solução, já alguém correu o maior risco por si.

     

    Depois, em caso de insucesso, o património que responde é apenas relativo ao montante que investiu. O seu nome não é posto em causa. Não terá de se preocupar com um nome para o seu negócio, nem com a imagem corporativa. A marca está sedimentada, os produtos testados, a base dos estudos de mercado está feita e a estratégia de marketing definida. Contudo, não há garantias de sucesso.

     

    Iniciar um negócio em regime de franchising não é só abrir portas e deixar os clientes entrar por magia. É verdade que há uma marca por trás, mas alguém terá sempre de dar a cara. Cada franchising é único e a alma do negócio está no franchisado. O sucesso depende de si. Mas não se esqueça que o sucesso dá muito trabalho.

     

    2-      60% de capitais próprios

    Tendo em conta os riscos que o franchising envolve, é recomendável que pelo menos 40% a 50% do investimento inicial seja composto por capitais próprios. Mas o ideal é assegurar os 60%. Se não dispõe de dinheiro suficiente, pode partilhar o projeto (e a sua parte dos riscos!) com alguém da sua confiança.

     

    Conte à partida com os custos do imóvel, eventuais obras, conte também com a contratação de empregados, com as despesas decorrentes do contrato (direito de entrada, royalties, taxa de publicidade...) e com a constituição do stock inicial.

     

    Caso precise de recorrer a financiamento bancário, existem diversas instituições de crédito que dispõem de oferta específica para o franchising. O microcrédito pode ser uma alternativa para os empresários que têm dificuldade em obter crédito junto da banca, mas o montante solicitado não pode exceder os quinze mil euros. É ideal para frachisings low cost. Contacte a Associação Nacional de Direito ao Crédito para conhecer as condições de candidatura.

     

    Outra alternativa consiste nos programas de apoio, incentivos ou subsídios a fundo perdido. Uma visita ao Centro de Emprego da sua área vai ajudá-lo a conhecer as possibilidades. Não assine o contrato sem ter o plano de financiamento delineado. “Mas que negócio escolher?”, pensa. Selecione as suas áreas de interesse e aptidões. Depois, compare as várias marcas que trabalham na mesma área e perceba o que as distingue da concorrência. Faça um estudo de mercado, defina o público-alvo e faça um plano de negócios. Vá a feiras onde poderá recolher ideias

     

    3-      Estude a fundo o franchisador

    Na hora de ver quem é o franchisador, recolha toda a informação possível: o histórico da marca, o retrato atual dos modelos de gestão, o potencial de crescimento e a imagem reputacional são elementos a ter em conta.

     

    Lembre-se de que a apresentação de contas fiáveis só é possível se este estiver no mercado há pelo menos um ano, mas é desejável que haja um histórico mais extenso. Não acredite cegamente nos estudos de mercado e nos planos de viabilidade que este disponibilizar. Uma marca pode funcionar bem noutros mercados, mas isso não é garantia de sucesso no seu.

     

    Se a marca já foi testada no mercado nacional, visite os estabelecimentos e troque ideias com outros franchisados e ex-franchisados (peça os contactos ao próprio franchisador). Esses interlocutores dar-lhe-ão uma perspetiva mais realista de todo o negócio.

     

    Esclareça junto do franchisador quais são os serviços por ele prestados em cada uma das fases do negócio. Alguns dão apoio na elaboração do projeto da loja, na disponibilização dos equipamentos, na formação dos empregados e até mesmo na negociação do financiamento. Também há quem apoie a fase de abertura com campanhas publicitárias e com a organização do evento. Tudo isto varia muito de franchisador para franchisador.

     

    4-      Opte por arrendar o local

    O local é um dos fatores mais pesados no investimento inicial, uma vez que não se trata de um custo emergente do contrato, mas sim de um custo adicional. A escolha de um imóvel arrendado, em detrimento de um imóvel adquirido, por exemplo, contribui para uma redução substancial do investimento inicial e para uma mitigação do risco. Caso o negócio não atinja o sucesso esperado, será mais fácil desvincular-se das responsabilidades.

     

    Se já tem em vista uma determinada zona, recolha todas as informações. Fatores como a densidade populacional, a distribuição da população por faixas etárias, as classes sociais, o poder de compra, os hábitos de consumo e a concorrência existente, são fundamentais para acreditar na viabilidade do negócio. As acessibilidades, a possibilidade de estacionamento, o número de carros e de peões que passam por dia no local, tudo é importante. Não assine o contrato de franchising sem ter o espaço assegurado e sem ter a certeza de que é aquele que reúne as melhores condições para o negócio.

     

    5-      Contratos flexíveis q.b

    E por falar em assinar o contrato. É um dos calcanhares de Aquiles que deverá ter em atenção. Isto porque o contrato de franchising não se encontra regulamentado na lei portuguesa. O Código Deontológico Europeu para o Franchising dá alguns princípios orientadores, mas não passam disso mesmo. As partes têm uma ampla margem de negociação.

     

    A existência de cada vez mais concorrência no universo do franchising tende a tornar os contratos cada vez mais flexíveis. Mas é importante ter consciência que este deve assegurar um certo equilíbrio entre as partes. Se for manifestamente mais favorável para o franchisador do que para o franchisado, não o deve assinar sem ter a certeza que essa é a sua vontade.

     

    O principal cuidado é solicitar a minuta do contrato com uma antecedência razoável relativamente à assinatura do mesmo.

     

    Só assim pode analisar todos os termos contratuais e, em caso de necessidade, pedir apoio a quem sabe. Assegure-se de que está a negociar com os verdadeiros representantes da marca. Solicite a Certidão Permanente da empresa e confirme os dados da marca junto do Instituto Nacional de Propriedade Industrial.

     

    Quanto ao prazo, importa salientar que este contrato é de execução continuada, pelo que é desejável que esteja prevista a renovação automática por, pelo menos, um período. Desta forma, terá mais tempo para formar certezas acerca do retorno do investimento financeiro realizado.

     

    Caso o contrato preveja a possibilidade de denúncia por qualquer das partes, verifique quanto tempo está previsto para o pré-aviso. Não deixe de exigir um pré-aviso que seja suficiente para conseguir organizar a sua vida.

     

    Os valores previstos para o direito de entrada, para os royalties e para a taxa de publicidade são elementos essenciais do contrato, pois a excessiva onerosidade pode deitar por terra todo o seu esforço. Estes valores oscilam consoante a marca e a capacidade de negociação do franchisado. À partida, não será possível que alguma das referidas despesas possa ser anulada, mas os respetivos valores podem ser negociados.

     

    Quanto aos royalties, por exemplo, a forma como serão calculados e a periodicidade em que serão pagos são quase sempre negociáveis. É possível que o franchisador aceite fixá-los num valor mais baixo durante a primeira fase de vigência do contrato, por exemplo. Negoceie! A exclusividade territorial é um dos aspetos mais flexíveis. Se pretende evitar a concorrência direta dentro de uma determinada área geográfica, não deixe de fazer valer a sua palavra.

     

    Ainda há outro detalhe suscetível de negociação, que é a publicidade. Embora as campanhas publicitárias sejam, em regra, incumbência do franchisador, pode sempre negociar a possibilidade de vir a desenvolver as suas próprias campanhas.

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    Carros da empresa: qual o melhor financiamento automóvel? Há um ano - segunda-feira, 6 de março de 2017
    É empresário em nome individual e quer comprar um carro em nome da empresa. Qual a melhor opção de financiamento automóvel? Conheça as Escolhas Acertadas da PROTESTE INVESTE.

    É um empresário em nome individual e quer comprar um carro ligeiro de mercadorias para a sua empresa. Pensa pedir financiamento automóvel até 25 mil euros mas está indeciso sobre que tipo de modalidade escolher: Crédito, Leasing, Aluguer de Longa Duração (ALD) ou Renting.

     

    A PROTESTE INVESTE percorreu a autoestrada da informação online e acelerou a resposta. O crédito é a solução mais vantajosa, tendo em conta que terá lucros para deduzir o valor máximo estipulado por lei, ou seja 25% do valor do carro em cada ano, o que no nosso exemplo seriam 6250 euros por ano.

     

    Este é o único tipo de financiamento automóvel em que o veículo fica de imediato em nome da empresa mas com reserva de propriedade. Mas atenção. Este cenário só se coloca para a aquisição de viaturas que realmente façam sentido para a atividade da sua empresa.

     

    Qual a melhor taxa efetiva?

    Para lhe traçar o mapa do melhor financiamento do mercado fizemos um levantamento do preçário via internet para encontrar a Escolha Acertada em termos de preço tendo em conta a Taxa Anual Efetiva Global (TAEG). A única que inclui juros e todos os encargos a pagar por si, nomeadamente comissões, abertura de processo, processamento de prestações, entre outros.

     

    Em termos simples, a TAEG dá-lhe de imediato o custo efetivo do crédito que ficará a pagar mensalmente. Sem mais entrelinhas. Sendo assim e assumindo os spreads máximos (margem de lucro do banco) praticados por cada instituição, de acordo com a nossa análise, o Santander Totta é o banco que pratica as melhores condições para adquirir um automóvel através de crédito bancário, com uma TAEG de 5,5% para taxa variável, o que se repercute numa prestação de 575 euros mensais, sendo por isso Escolha Acertada.

     

    Os automóveis e o fisco

    Para o empresário que adquira o carro da sua empresa a crédito, Leasing ou ALD, os impostos em nada interferem na decisão sobre a modalidade de financiamento automóvel, desde que tenha resultados que permitam deduzir quer a compra, quer os encargos com os veículos durante um período de quatro anos.

     

    A verdade é que o tema da fiscalidade por si só daria um artigo, isto porque são múltiplas as respostas possíveis em função dos perfis dos empresários em nome individual, nomeadamente tendo em conta o regime de tributação em que estão inseridos.

     

    Se estiver no regime simplificado e não cobrar IVA nada pode deduzir relativamente à aquisição de automóvel. Por outro lado, se cobrar IVA pode deduzi-lo na aquisição desde que seja um comercial ligeiro. E mais nada! Caso esteja na contabilidade organizada só pode deduzir o IVA, seja na compra a crédito, seja no pagamento das rendas, se for também um comercial ligeiro.

     

    E um ligeiro de passageiros?

    E se comprasse um carro ligeiro de passageiros? Assim matava dois coelhos, tendo um carro também para a família... Travão a fundo nesta hipótese. É um mau negócio. O IVA não é dedutível.

     

    Sobre todos os encargos apresentados, caso de amortização do crédito, as rendas de locação (ALD ou Leasing), e os custos com manutenção, seguros, quilómetros, entre outros, incide, uma taxa de 10% de tributação autónoma.

     

    E o cenário pode ser ainda mais desastroso: se tiver um ano com prejuízo, a taxa sobe para 20%. A não ser que opte por um automóvel elétrico, Plug In, GPL ou GNC. Mesmo tendo de provar que é necessário para a sua atividade, o IVA despendido na aquisição deste tipo de veículos é dedutível em 100% para os dois primeiros exemplos e em 50% para os segundos, de acordo com as tabelas em vigor. Desde que o preço do automóvel, exclusivamente elétrico, não exceda os 62 500 euros, não ultrapasse os 50 mil euros para os híbridos Plug In, e para os GPL e GNC não passe dos 37 500 euros.

     

    Exceção à regra

    Uma das exceções mais comuns poderá ocorrer se pretender contratar o financiamento automóvel por um período inferior a 4 anos. Por exemplo, se pretender manter o carro no ativo apenas três anos, o crédito, enquanto melhor opção de financiamento automóvel, é ultrapassado pelo Leasing (aluguer do carro com opção de compra por um valor residual no final do contrato) pois este permitirá deduzir a totalidade dos encargos, uma vez que o montante relativo a um dos anos da amortização não seria cumprido.

     

    Se este for o seu caso, no Leasing, é também o Santander Totta quem oferece os melhores preços com uma TAEG de 5,9% e uma renda de 566 euros.

     

    Encher o depósito com gasolina ou gasóleo também tem consequências. No primeiro caso deduz 50% do encargo, e no segundo a totalidade. Assim, antes de se aventurar na compra de um carro novo, não tome uma decisão precipitada. Analise primeiro todas as vantagens e desvantagens. Não acelere na compra. Pare, analise e pense bem antes de passar o cheque.

     

    Consulte o estudo completo sobre financiamento automóvel para carros de empresa.

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    A sua empresa: como escolher o tipo legal de sociedade? Há um ano - quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
    Ao criar uma empresa terá de escolher o estatuto jurídico que determinará o seu modelo de funcionamento. Uma decisão importante, mas nem sempre fácil de tomar. A PROTESTE INVESTE indica-lhe os caminhos possíveis.

    Unipessoal, Lda ou por quotas? Ao registar a sua empresa terá de decidir qual o melhor estatuto jurídico para a sua empresa. Comece por responder às seguintes questões:

    ·         Trata-se de um projeto solitário ou de um plano conjunto?

    ·         Qual o património que pretende afetar à empresa?

    ·         Por fim, está disponível para responder pelos riscos da atividade?

     

    Projeto a um

    Se está a pensar constituir uma pequena empresa sozinho, mas não está disposto a arriscar o seu património familiar, a forma jurídica que mais se adequa ao seu perfil é a Sociedade Unipessoal por quotas. Este tipo societário é indicado para pequenos negócios, compostos por uma única pessoa, cujo investimento inicial é reduzido e o risco moderado.

     

    Esteja consciente, porém, de que ao escolher este caminho não beneficia das vantagens fiscais que teria se fosse Empresário em Nome Individual. Analise se o retorno financeiro que resultará da sua atividade o coloca fora da isenção de IVA.

     

    Outra solução disponibilizada pela lei, ainda que não recomendável, é o Estabelecimento Individual de Responsabilidade Limitada. Implicaria riscos para o seu património e imporia a realização do capital social em dinheiro ou em bens suscetíveis de penhora. A Sociedade Unipessoal por Quotas permitir-lhe-á manter o total controlo sobre o negócio e mitigar o risco, uma vez que tanto o património da empresa como o seu serão independentes. Pequenos empresários não podem esquecer-se de que na atual conjuntura não há negócios com risco zero.

     

    Aventura partilhada

    Se vai embarcar acompanhado na aventura de se tornar patrão de si próprio mas não está em condições de fazer um grande investimento inicial, a escolha deverá ser feita entre a Sociedade por Quotas e a Sociedade em Nome Coletivo.

     

    Embora a Sociedade Anónima seja aquela que melhor protege o património dos sócios, exige um capital social excessivamente avultado (50 mil euros) e dilui o controlo sobre a empresa.

     

    A nossa recomendação para si é a Sociedade por Quotas. Este tipo societário é especialmente indicado para empresários que queiram partilhar o controlo e a gestão da empresa, sem arriscar os seus patrimónios pessoais e sem terem um capital social mínimo. Quando as valências dos sócios sejam distintas e complementares, melhor ainda!

     

    Onde criar a empresa?

    Avançando só ou acompanhado, o passo de abrir a empresa está muito facilitado. Atualmente, a carga administrativa é menor, ainda que as Lojas do Cidadão, as Conservatórias do Registo Comercial e o Registo Nacional de Pessoas Coletivas mantenham os métodos tradicionais. As modalidades Empresa na Hora e a Empresa Online vieram facilitar o processo e são mais rápidas. Mas apenas as sociedades unipessoais por quotas, sociedades por quotas e anónimas podem usufruir destas novas modalidades.

     

    Empresa na Hora

    Se optar pela Empresa na Hora, deverá dirigir-se, com os restantes sócios se for o caso, a qualquer posto de atendimento, independentemente do local onde será a sede da empresa. Basta levar o Cartão do Cidadão. Para não perder tanto tempo, pode até agendar.

     

    Após a constituição da empresa recebe o Pacto Social, o código de acesso à Certidão Permanente de Registo Comercial (válido por três meses), o código de acesso ao cartão eletrónico e o número da Segurança Social da empresa. Pode desde logo indicar o Técnico Oficial de Contas ou pode escolhê-lo através da Bolsa disponível. Também pode entregar a Declaração de Início de Atividade, devidamente assinada e preenchida pelo TOC, nos quinze dias seguintes.

     

    O custo do registo comercial por esta via, já contando com a taxa de publicação do registo, está atualmente nos 360 euros. Este valor sofre uma redução para 300 euros se o objeto social da sua empresa envolver desenvolvimento tecnológico ou investigação.

     

    Empresa Online

    Também pode criar o seu negócio através da Empresa Online desde que tenha leitor de cartões. O processo é simples, mas fica por sua conta e risco. Para o fazer, aceda à opção “Criação da Empresa Online” através do Portal do Cidadão e siga as indicações que o sistema lhe fornecer.

     

    Saiba que a escolha entre um Pacto Social apresentado por si e um pré-aprovado envolve valores distintos. No primeiro caso, custa 380 euros, no segundo, o valor é de 180 euros. Uma vez aprovado, deverá imprimi-lo e providenciar o reconhecimento das assinaturas. Também deverá imprimir a restante documentação. Depois, deve assinar todas as folhas, digitalizá-las e fazer o upload dos documentos.

     

    Se não houver inconformidades, será informado, por e-mail e SMS, da constituição da sociedade e receberá o Cartão da Empresa na sede ou na morada indicada. O mesmo ficará previamente disponível online.

     

    O processo encerra-se com a publicação do registo e com a entrega da Declaração de Início de Atividade. Consideramos que a melhor das duas opções é a Empresa na Hora.

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    O melhor regime fiscal: simplificado ou contabilidade organizada? Há um ano - quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
    Se pretende abrir uma empresa, a carga fiscal a suportar pode ser a razão da sua viabilidade. Fique a saber qual a melhor opção para o seu caso.

    Amélia Mendonça ficou desempregada aos 40 anos e decidiu investir num negócio próprio. Abrir um café. Escolheu o local, o nome e meteu mãos à obra. O mais complicado foi decifrar os encargos com o fisco. Meteu pés a caminho e foi a um serviço de finanças para declarar que iria ser empresária.

     

    Também o poderia ter feito através da Internet, aliás atualmente pode abrir-se, alterar ou cancelar atividade através do Portal das Finanças. Para abrir atividade tem de escolher a categoria B e optar entre ter contabilidade organizada ou aderir ao regime simplificado.

     

    No caso de Amélia optou pelo regime simplificado porque considerou que não teria serviços ou vendas anuais superiores a 200 mil euros (valor estipulado por lei). Neste tipo de regime, o rendimento sujeito a imposto corresponde a 75% do rendimento bruto do trabalhador independente. Só declara no IRS os seus rendimentos, já que as Finanças assumem automaticamente que um quarto dos mesmos são gastos com encargos necessários à atividade.

     

    Porém, o caso desta empresária é um pouco diferente devido ao ramo em que abriu o negócio. Nas atividades enquadradas no setor da restauração e bebidas, ou hoteleiro, o Fisco considera 15% do total dos montantes ganhos como rendimento sujeito a imposto. E, como desde 2015 já não se é obrigado a permanecer durante três anos no regime simplificado, quem decidir mudar para a contabilidade organizada, basta entregar uma declaração de alterações até ao final de março do ano em que pretende usar este regime. Amélia considerou ser a melhor opção para si.

     

    Faturação acima de 200 mil euros

    O negócio correu bem e Amélia em 2016 mudou para o regime de contabilidade organizada. Uma pausa nesta história: mesmo quem não esteja obrigado a estar enquadrado neste regime mas, ao longo do ano, reunir despesas com a atividade independente superiores a 25% dos rendimentos brutos obtidos, será mais vantajoso passar para a contabilidade organizada. Ao contrário do regime simplificado, que só permite deduzir 25% das despesas, na contabilidade organizada é considerada a totalidade. Com alguns limites: veja no quadro o que pode deduzir.

     

    Voltando à história da empreendedora Amélia Mendonça, esta andava radiante com os resultados obtidos. Mas mais lucro equivale também a mais responsabilidades e obrigações. Teve de contratar um contabilista certificado e inscrito na respetiva ordem profissional. A declaração de IRS e as restantes declarações de caráter fiscal têm de ser assinadas por estes profissionais. Só a contabilidade organizada permite deduzir as despesas decorrentes do exercício da atividade (almoços com clientes, transportes ou amortizações de automóveis e computadores, por exemplo) e, assim, reduzir os montantes sujeitos a imposto. É, por isso, uma excelente opção para quem tem bastantes proveitos da categoria B e, sobretudo, muitas despesas dedutíveis, em regra superiores a 25% do rendimento obtido.

     

    Quando as contas somaram 100 mil euros teve de adquirir um software certificado, aliás o que acontece a todos os empresários. Só estão dispensados desta obrigação se tiverem obtido, no período de tributação anterior, um volume de negócios inferior ou igual a 100 mil euros; ou se os documentos emitidos o forem através de distribuição automática ou prestação de serviços em que seja habitual a emissão de talão, bilhetes de ingresso ou de transporte.

     

    E as despesas?

    Pode apresentar algumas despesas mas há regras. Comecemos pelo automóvel. O fisco só permite afetar ao exercício da atividade um veículo por titular de rendimentos da categoria B, por sócio, no caso de sociedades de profissionais, e por trabalhador ao serviço dos referidos contribuintes quando, em qualquer caso, se comprove que o seu uso é indispensável.

     

    Quanto às ajudas de custo e compensações pela deslocação em viatura própria do trabalhador, se estas tiverem um valor acima do fixado anualmente em portaria, são tributadas como rendimentos da categoria A por quem as recebe. No regime da contabilidade organizada, há várias despesas sujeitas a uma taxa de tributação autónoma.

     

    O que pode amortizar

    Amélia Mendonça comprou um carro, um computador e um telemóvel por isso, pode ir amortizando o investimento ao longo dos anos. Estas permitem reduzir bastante o rendimento sujeito a imposto. A amortização de um automóvel, por exemplo, uma vez que é um dos bens mais adquiridos pelos empresários, é concretizada por quotas constantes, no máximo, de 25%, com base no valor de compra. Logo, tem de ser amortizado em 4 anos, período considerado de vida útil para os ligeiros.

     

    Para um carro de 22 500 euros, a amortização anual será de 5625 euros (22 500 × 25%). Este valor deve constar do mapa de reintegrações e amortizações (Modelo 32.1). O fisco considera a totalidade das amortizações, para qualquer titular de rendimentos empresariais e profissionais. O valor a inscrever, no anexo C, é, para o exemplo apresentado, de 5625 euros. Na prática, será deduzido na totalidade aos rendimentos brutos da categoria B. Para beneficiar de outras deduções com o automóvel, como combustível, estacionamento ou reparações, este deve estar afeto ao exercício da atividade profissional.

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    Quanto custa contratar um colaborador? Há um ano - terça-feira, 29 de novembro de 2016
    Contratar colaboradores é das tarefas mais difíceis para um gestor. Faça as contas e veja os cuidados a ter para não desrespeitar a lei.

    Lançou-se num negócio próprio e está naquela fase em que deseja que os ponteiros do relógio girem 48 horas. Sem pausas. Dá-se conta de que precisa de ajuda sob pena de despenhar a empresa antes de esta entrar em velocidade de cruzeiro. Tem de contratar alguém! Processo já de si complicado, agora fazê-lo quando é um gestor de primeira viagem e a empresa uma jovem startup é como trocar o pneu com o carro em andamento.

     

    Contratar colaboradores é das tarefas mais difíceis para um gestor. É uma decisão que terá impacto no negócio e inclusive na viabilidade do mesmo. Como as empresas no seu início não têm departamento de recursos humanos, nem capacidade para se socorrerem de uma empresa de recrutamento externo, é o sócio-gerente quem acaba por ficar com a batata quente nas mãos. E o que fazer, para não se escaldar?

     

    Em primeiro lugar, terá de encontrar a pessoa certa; aquela que o ajudará na travessia do deserto dos primeiros anos da empresa. Depois, tem de cumprir e respeitar a lei. Uma espécie de espada de Dâmocles constantemente apontada em cima da sua cabeça. O dilema instala-se: como contratar colaboradores, sem violar a lei e sem gastar muito dinheiro?

     

    Contratar tem custos!

    Para Peter Drucker, o famoso pai da moderna gestão, as pessoas são o ativo mais importante de uma empresa. E são. Mas também representam um custo fixo elevado. A empresa tem de pagar uma taxa contributiva de 23,75%. Se contratar um trabalhador com um salário de mil euros, além deste montante, todos os meses tem de guardar 237,50 euros para entregar à previdência.

     

    Os 11% de taxa contributiva que competem ao empregado, bem como o valor correspondente à taxa de retenção de IRS são subtraídos aos mil euros. Portanto, o encargo mensal ascenderá a 1237,50 euros. Em algumas situações, será possível solicitar a isenção ou redução do pagamento da taxa contributiva: por exemplo, contratando desempregados de longa duração (inscritos no centro de emprego há, pelo menos, 12 meses) ou jovens à procura do primeiro emprego.

     

    Pode, pois, beneficiar de isenção ou redução do montante da taxa contributiva, dependendo do tipo de vínculo que estabeleça com o empregado. Se contratar sem termo, a isenção pode chegar aos 36 meses, mas, em princípio, terá de manter o posto de trabalho durante um mínimo de 3 anos. Se cessar o contrato sem justa causa antes, terá de pagar os montantes relativos às contribuições de que a empresa esteve isenta e, durante 12 meses, não pode beneficiar de novos apoios. Nas contratações a termo, pode beneficiar de redução da taxa contributiva.

     

    Para usufruir desta medida, é necessário apresentar um formulário próprio para o efeito nos balcões de atendimento ou pela Internet, através do serviço Segurança Social Direta, até ao mês seguinte ao da celebração do contrato de trabalho.

     

    A acrescer a este incentivo, pode haver ainda outros, pelo que o ideal será informar-se no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

     

    Não esquecer também que sempre que contratar um trabalhador, terá de comunicar a sua admissão aos serviços da Segurança Social nas 24 horas anteriores ao início do contrato. Pode fazê-lo online, através da Segurança Social Direta. Deve indicar o Número de Identificação da Segurança Social (NISS) do trabalhador, se este já o tiver, e a modalidade de contrato (a termo, sem termo, a tempo parcial). Feita a comunicação, entrega uma declaração ao trabalhador ou uma cópia da comunicação de declaração de admissão.

     

    Obrigatório também por lei é contratar um seguro de acidentes de trabalho que proteja os trabalhadores durante a atividade profissional e no percurso para o trabalho.

     

    Recibos verdes? É melhor não!

    Uma das tendências das empresas é celebrar contratos de prestação de serviços para situações que traduzem verdadeiras relações de trabalho, aquilo a que vulgarmente se chama os falsos recibos verdes. E fazem-no, essencialmente, por razões financeiras: poupar com contribuições para a Segurança Social (se o trabalhador desempenhar mais de 80% das funções ao seu serviço, apenas tem de suportar contribuições correspondentes a 5% do que lhe pagar); não ter encargos com subsídios de férias e de Natal; não necessitar de contratar seguro de acidentes de trabalho para o trabalhador; poder dispensá-lo com maior facilidade, sem ter de o indemnizar caso deixe de estar interessado nos seus serviços, uma vez que não estará limitado pelas restrições legais referentes à cessação do contrato de trabalho, enfim...

     

    E deve fazê-lo? A resposta é clara: não. Primeiro porque o conteúdo é mais importante do que a designação dada pelas partes ao contrato, ou seja, podem chamar-lhe prestação de serviços, mas se as características forem de um verdadeiro contrato de trabalho, é disso que se trata.

     

    E como se chega a essa conclusão? Através das características do caso concreto: o prestador de serviços desempenha o seu papel de forma autónoma, apenas tendo de apresentar o resultado da atividade, de acordo com as diretrizes de quem o contratou, mas com liberdade na escolha dos meios utilizados e na forma de realizar e organizar as tarefas; ou, pelo contrário, o trabalhador está subordinado à entidade patronal, tendo não só de apresentar um resultado, mas de desenvolver a própria atividade no local e horário por ela definidos e sob a sua supervisão, em regra, utilizando meios de trabalho que são dela e nas suas instalações.

     

    É provável que, face à necessidade de quem anseia por um trabalho independentemente das condições, consiga contratar alguém nessas condições e mantê-lo ao seu serviço durante algum tempo. Mas, além de ser ilegal, corre o risco de, no momento em que pretenda afastar o colaborador, este recorra à justiça e consiga provar que existia um contrato de trabalho (por exemplo, demonstrando que cumpria horário nas suas instalações e recebia o mesmo montante todos os meses).

     

    É provável que, então, seja condenado a entregar-lhe todas as retribuições que ficaram por pagar (subsídios de férias e de Natal ou outras), as contribuições em falta para a Segurança Social e ainda uma indemnização por eventuais danos causados. Tudo somado, pode resultar numa quantia elevada a desembolsar de uma só vez.

     

    E a termo, pode ser?

    Os contratos a termo, mais conhecidos como contratos a prazo, apenas são possíveis nas situações previstas na lei, para evitar que uma necessidade permanente de uma empresa seja suprida com base num vínculo precário. Assim, pode haver contrato a termo, por exemplo, para substituir um trabalhador ausente ou para uma atividade temporária.

     

    Fora dos casos admitidos, considera-se que há um contrato sem termo, ainda que o empregador lhe tenha dado outra designação. Apesar desta regra, as empresas em início de atividade podem contratar a termo quantos trabalhadores quiserem. Mas o contrato não pode ter uma duração inicial inferior a seis meses, com possibilidade de três renovações e duração máxima total de dois anos.

     

    Trabalho temporário

    O recurso ao trabalho temporário também é uma possibilidade. Apresenta a particularidade de não haver um vínculo com o trabalhador, mas com a empresa que o cede. Implica uma relação tripartida, em que uma empresa contrata alguém que vai trabalhar para terceiros.

     

    Normalmente, é utilizado em situações de necessidade pontual de mão-de-obra, que não justificam a contratação a termo. Celebra um contrato de utilização com a empresa de trabalho temporário, pagando-lhe por isso. Exercerá sobre o trabalhador os poderes de autoridade e direção, mas é aquela quem paga a retribuição ao trabalhador, detendo o poder disciplinar.

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    Faturas em atraso: como evitar que afundem o seu negócio? Há um ano - quarta-feira, 26 de outubro de 2016
    Se tem uma pequena empresa, sabe que ficar sem receber é como ver um barco a afundar. Conheça os seus direitos e algumas boias de salvação que podem ajudar a manter o seu negócio à tona.

    Os atrasos nos recebimentos são como um pequeno furo num barco de borracha. Se não for resolvido a tempo, pode fazer com que o seu negócio se afunde de vez.

     

    Este problema é talvez o que causa mais dores de cabeça aos pequenos empresários nacionais. Um estudo da Dun&Bradstreet revela, por exemplo, que apenas 20,1% das empresas nacionais faz pagamentos dentro dos prazos. E 58,6% continua a pagar com 30 dias de atraso. A percentagem que cumpre entre 30 e 90 dias ronda os 9,6%. A 90 dias são cerca de 11,7%.

     

    Se nada for escrito entre as partes, o prazo de pagamento é de no máximo sessenta dias. Prazo mais reduzido está estipulado para as entidades públicas, ou seja 30 dias, excepto as que prestam cuidados de saúde, aí o prazo pode ser alargado a 60 dias. Muitos gestores ao lerem estes dados vão decerto esboçar um sorriso amarelo, afinal o Estado português é o rei dos maus pagadores. A média do executivo ronda os 76 dias. Os clientes empresariais demoram 68 dias a pagar.

     

    Há leis, faça valer os seus direitos!

    Muitos pequenos empresários não sabem mas quando chega à data de pagamento e não recebem têm direitos. Por exemplo, têm direito a juros de mora de 8% (taxa revista semestralmente) acrescidos de uma indemnização pelos danos causados, cujo montante mínimo são 40 euros.

     

    Para salvaguarda dos empresários está convencionado que não são admitidas quaisquer cláusulas contratuais que excluam aqueles direitos e que representem condições abusivas, como por exemplo prazos excessivos de pagamento.

     

    Calcule o custo de crédito

    Depois há mecanismos adicionais que permitem gerir melhor os recebimentos, embora os custos possam ser elevados. Antes de recorrer a esses mecanismos, compare-os com o custo de crédito e veja se compensam.

     

    Para ter uma ideia mais concreta podemos desenhar o seguinte cenário: se os seus clientes tiverem uma média de pagamentos de 60 dias, as vendas anuais da sua empresa forem de 300 mil euros e a taxa de juro se mantiver nos 8%, o custo do seu crédito será 3945.20 euros. Note que este valor tende a ser superior, uma vez que há clientes que ultrapassam o prazo médio e cuja cobrança das dívidas implica um custo adicional. Veja se compensa!

     

    Factoring como boia de salvação

    Para fugir ao mar de dividas há boias de salvação. Uma delas é o factoring; a sua empresa pode vender um conjunto de créditos de curto prazo dos seus clientes a uma empresa de factoring.

     

    Ao fazê-lo recebe os valores em dívida mas é importante referir que apenas o factoring sem recurso assume todos os riscos. Isto é, caso os devedores não paguem a fatura a sua empresa não será lesada. Se optar pelo factoring com recurso aí a empresa de factoring fará apenas adiantamento do pagamento e prestará o serviço de cobrança. Se o devedor não pagar, a sua empresa terá de devolver o dinheiro.

     

    Julien Letartre, um dos sócios das padarias Eric Kayser, diz que utiliza este instrumento. “É um bom sistema, uma vez que adianta o dinheiro. E exemplifica, um pequeno negócio que fature 100 mil euros e tenha uma fatura de 20 mil euros em cobrança, se fizer um contrato de factoring pode ser uma mais-valia porque fica de imediato com o dinheiro em caixa”.

     

    Além disso, são dadas informações mais detalhadas sobre os clientes resolvendo grande parte dos problemas de tesouraria. Mas nada é de graça. Este serviço tem um custo que é mais elevado no factoring sem recurso. Implica o pagamento de juros correspondentes aos financiamentos concedidos, bem como é cobrada comissão pelo serviço e ainda imposto de selo.

     

    Casa arrombada? Trancas à porta!

    Pegando neste dito popular há empresários que optam pelos seguros de crédito, que servem para cobrir o risco de um não pagamento. Há uma avaliação da sua carteira de clientes e os que apresentam maior risco de incumprimento são excluídos de imediato.

     

    Excluídas à partida ficam também as entidades públicas. Após ser atribuído um limite de garantia para cada um dos clientes é feita uma apólice. Com o contrato em vigor terá de pagar um prémio cuja periodicidade pode variar de mensal, semestral ou anual. Este engloba custos de avaliação, despesas de contencioso e custos do prejuízo a indemnizar.

     

    Mónica Morais, Chief Governement Office da Systell, empresa de engenharia na área da produção animal, explica que já utilizou esta forma de contornar os atrasos nos pagamentos mas que não lhe serviu, uma vez que teve de manter os clientes que apresentavam maior risco para fechar negócios, logo os que estavam seguros eram os que à partida não lhe causariam problemas.

     

    Garantias para quem exporta

    Desengane-se quem pensa que este é um problema só português. Lá fora também há bons e maus pagadores. As PME nacionais exportam essencialmente para Espanha, França e Alemanha mas quem está no quadro de honra face a pagamentos são a Dinamarca, que ocupa o top com 87%, seguida da Alemanha e Hungria.

     

    As empresas que vendem para fora podem proteger-se com o crédito documentário, um compromisso entre o banco emitente, que atua sob as instruções de um importador, que fica obrigado a efetuar o pagamento – à vista ou a prazo – ao exportador contra a apresentação de documentos, em conformidade com a carta de crédito. É uma espécie de garantia do pagamento a favor do exportador.

     

    Mónica Morais explica que o problema surge nas “discrepâncias” entre as partes. A experiência ensinou-lhe que mais vale simplificar. A primeira carta de crédito que fez no valor de cerca de 8 milhões de euros, estava a empresa ainda no início do negócio, para um grande projeto na Arábia Saudita originou oito discrepâncias. Resultado? Se o cliente quisesse não teria pago. A empresária diz que basta faltar um original, ou algo semelhante, para colocar em causa tudo. E mais uma vez proteger o crédito tem custos. Neste caso a empresa pagou 70 mil euros.

     

     Consulte o estudo completo aqui.

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    Como financiar o seu negócio? Há 2 anos - terça-feira, 20 de setembro de 2016
    Procura uma solução para financiar o seu negócio ou gerir a tesouraria? Se seguir as nossas Escolhas Acertadas pode poupar 82 euros por mês num empréstimo bancário e 31 euros por mês numa conta-corrente.

    A conta-corrente é a estratégia mais comum das micro e pequenas empresas portuguesas para a gerir as suas tesourarias. Empresas estas que representam mais de 99% do tecido empresarial nacional.

    Escolher o banco em que já se confia é a postura típica de muitos portugueses, empresários ou não. Para abrir uma conta, nem sempre comparam as várias taxas anuais efetivas (TAE), que traduzem, na prática, o custo do crédito. 

    Fizemos os cálculos para uma conta-corrente de 25 mil euros a seis meses nos vários bancos que disponibilizam este tipo de produtos para empresas. Com spreads a variar entre os zero e os 16%, estas contas estão também, em regra, sujeitas a comissões de abertura, de estudo e de renovação, podendo ainda o banco cobrar pelo processamento da prestação ou pela gestão do processo. 

    Fidelidade compensa?

    No final, a TAE pode chegar, na pior das hipóteses, aos 39,4%, no Millennium bcp. Por mês, a empresa pagará 4432,25 euros se usar todo o plafond disponível logo no primeiro mês. Mas, optando pelo BPI, não obterá uma TAE acima de 18,8%, o que faz deste banco a nossa Escolha Acertada. Mesmo não tendo grande envolvimento com o banco e esgotando inicialmente todo o capital disponível, a prestação mensal será sempre inferior a 4306,85 euros. Por mês, poupa 30,64 euros face à média praticada no mercado e no final dos seis meses do contrato, já totaliza perto de 184 euros de poupança.

    Mas ainda pode conseguir melhor. A prestação mensal no BPI pode baixar até aos 4234,91 euros, se o banco lhe aplicar o spread mínimo, de 4,75 por cento. Geralmente, tal acontece, neste e noutros bancos, quando o cliente tem um acentuado envolvimento com a instituição, que lhe oferece, em troca, condições privilegiadas de acesso ao crédito. Por isso, pode valer a pena consultar o seu banco de sempre (se tiver um) e negociar um spread vantajoso. Até pode conseguir isenção de uma ou outra comissão. Porque a fidelidade quase sempre compensa. 

    Empréstimo: evite as garantias pessoais

    Mas há despesas avultadas, como, por exemplo, a compra de um novo balcão frigorífico para um café, que podem requerer um investimento impossível de suportar pela contabilidade do dia-a-dia. Pontualmente até são criadas linhas de crédito bonificado, mas nem sempre as empresas reúnem os requisitos exigidos. Quando não é possível aceder a essas facilidades, as soluções mais comuns passam, tipicamente, por pedir um empréstimo ao banco ou celebrar um contrato de leasing.

    Partimos, por isso, à procura de um empréstimo de 30 mil euros a cinco anos, acreditando que será suficiente para comprar, por exemplo, o balcão frigorífico. Uma vez mais, o envolvimento da empresa com o banco é fundamental para obter um bom spread, já que de comissões quase nenhum empresário se livra.

    Na maioria dos contratos, os empresários também não escapam à prestação de uma livrança, mas podem ser exigidas outras garantias (aval, fiança ou hipoteca, por exemplo). Mas quando as garantias prestadas pela empresa se adivinham insuficientes, os bancos recorrem às garantias pessoais dos sócios e, por vezes, às dos cônjuges. E todos os bens do casal passam a responder pela dívida, em caso de incumprimento. Ora, apesar de a maioria das microempresas ser de cariz familiar, o património da empresa e o do agregado não devem confundir-se. Logo, sempre que possível, os empresários devem evitar o recurso às garantias pessoais. 

    Poupe quase 5 mil euros em 5 anos

    A partir deste pressuposto, continuámos à procura do empréstimo com melhores condições. E colocámos duas hipóteses: ou o empresário não prescinde do “seu banco” e para ele recolhemos as ofertas mais favoráveis em cada instituição. Ou o empresário não se importa de procurar outra instituição, desde que lhe disponibilize condições mais vantajosas de crédito. E para esses clientes traçámos o pior cenário possível, sem envolvimento com a marca, sem histórico de bom ou mau pagador e sujeitando-se à TAE mais elevada que o preçário da instituição prevê. 

    É para esta segunda hipótese que o Crédito Agrícola se revela a Escolha Acertada. O cliente nunca pagará mais de 612,78 euros por mês num financiamento de 30 mil euros a cinco anos. Consegue uma poupança mensal de 82 euros face à média do mercado e, no final dos cinco anos, terá acumulado uma poupança de quase 5 mil euros. 

    Cada banco, seu vocabulário

    Para os empresários que estão dispostos a procurar a melhor solução de financiamento, há uma dificuldade à partida: não há uniformidade na informação pré-contratual. Cada banco apresenta a sua proposta com formato personalizado e diferentes designações para comissões similares. Cabe ao cliente fazer as devidas comparações. Certamente não seria difícil instituir uma ficha normalizada, tal como já acontece para o crédito a particulares. Mas tal não é obrigatório e já está na hora de a banca avançar nesse sentido.

    O nível de literacia financeira dos empresários portugueses está longe de ser homogéneo e todos os clientes têm direito a ser devidamente informados sobre as condições dos empréstimos que possam vir a contratar. Ganham os empresários e ganham os consumidores que beneficiam dos produtos e serviços dessas empresas.

    Além disso, há que uniformizar as designações dadas a cada comissão e limitar os respetivos valores, para que as instituições deixem de repercutir nos clientes as perdas dos últimos anos, encarecendo o acesso dos pequenos empresários ao crédito. 

    Mas as nossas críticas não ficam por aqui. Com as taxas Euribor em terreno negativo e a empurrar as prestações dos empréstimos para baixo, alguns bancos estão a estabelecer limites para a descida das taxas, deixando do lado dos empresários o ónus de se oporem a esta cláusula. Ora, quando uma das partes precisa mais de financiamento do que a outra de financiar, é natural que os empresários comecem a ceder nesta negociação. 

    Quanto aos spreads, estamos perante um caso flagrante de regras que podem mudar a meio do jogo. Ou seja, nada impede o banco de agravar a sua margem ou qualquer uma das comissões durante a vigência do crédito. Só tem de avisar o cliente com 90 dias de antecedência, um prazo manifestamente curto para procurar alternativas. Mas ao empresário não resta mais do que isso: ou aceita as novas condições ou põe fim ao contrato e procura novo banco. Mais uma vez, a corda rebenta sempre do lado mais fraco.

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