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Macron desilude Merkel Há 9 dias - quinta-feira, 11 de outubro de 2018
O presidente francês parece ter-se esquecido do compromisso com a Europa e anunciou um défice das contas públicas gaulesas de 2,6%, em 2018 e 2,8%, em 2019. Metas pouco responsáveis.

Em maio de 2017, a eleição de Emanuel Macron trouxe uma nova esperança para a zona euro. Além de afastar o espetro do populismo em França, o novo presidente era eleito com a intenção de fazer avançar a Europa. Por exemplo, tornar a zona euro mais completa com a criação de dívida pública comum a todos os membros. Um passo importante para a solidez e irreversibilidade do euro. Só que, para contar com o apoio de Merkel e da Alemanha, a França teria de mostrar que era um parceiro responsável, capaz de colocar suas contas públicas em ordem.

Infelizmente, o presidente francês parece ter-se esquecido do compromisso e anunciou um défice das contas públicas gaulesas de 2,6%, em 2018 e 2,8%, em 2019. Metas pouco responsáveis. A atual conjuntura económica é favorável e devia ser aproveitada para os países criarem uma almofada orçamental, como alertou o Fundo Monetário Internacional. Só assim haverá margem financeira para enfrentar eficazmente a próxima crise. Além disso, ao anunciar défices dessa magnitude, a França dá um mau exemplo e abre a porta para que outros países façam o mesmo. Desta forma, o populista governo italiano está menos isolado nas suas intenções de aumentar a despesa e poderá ignorar a colossal dívida de Itália. É um revés para todos aqueles que, na Europa, trabalham para manter as regras do jogo.

Será que a zona euro terá outra oportunidade? Talvez. Por um lado, está a desperdiçar um momento único e, quando a turbulência afetar novamente a economia europeia, os problemas do passado podem ressurgir. Por outro, também é verdade que alguns mecanismos comuns foram criados após a última crise e podem permitir apagar pequenos fogos. Aliás, o problema da imigração tem-se mostrado mais fraturante do que as questões financeiras. Em suma, perante a incerteza quanto ao futuro da Europa, a melhor solução a longo prazo será uma abordagem a nível global, embora não descurando oportunidades de investimento no velho continente.

 

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