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Guia para detetar esquemas em pirâmide

Há 4 anos - quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Saiba ler os sinais de alerta e identificar situações de risco elevado que decorrem dos chamados esquemas em pirâmide, como foram os casos Madoff, Afinsa e Telexfree.

Nos últimos anos a PROTESTE INVESTE tem vindo a receber um número cada vez maior de pedidos de informação sobre propostas de investimento que parecem boas demais para serem verdade. Hoje, com o aumento do desemprego e estagnação dos rendimentos de quem trabalha, a ideia de lucro rápido é ainda mais aliciante. Ajudamo-lo a identificar um esquema em pirâmide e a detetar os sinais de alerta.

 

Como funciona o esquema em pirâmide e Ponzi

A denominação Esquema de Ponzi surgiu após a fraude milionária de Carlo Ponzi, que nos Estados Unidos dos anos 20 investia em cupões postais prometendo duplicar o dinheiro dos seus investidores em apenas três meses. O esquema em pirâmide e o esquema Ponzi não são exatamente a mesma coisa, apesar de terem muitos pontos em comum. Ambos operam sob o princípio de pagar aos participantes mais antigos com o dinheiro dos mais recentes. Mas, no que toca às diferenças, enquanto o esquema Ponzi típico apresenta-se como um investimento, em que o promotor interage diretamente com todos os participantes e os pagamentos não dependem do recrutamento de novos membros, num esquema em pirâmide é comum usar-se o disfarce da venda de um produto ou serviço. Aqui, os pagamentos dependem do recrutamento de novos membros e os participantes podem não interagir com os promotores no topo da pirâmide. O esquema de Bernard Madoff era um esquema Ponzi puro, enquanto o caso da Telexfree pode ser caracterizado como esquema em pirâmide.

 

O disfarce das vendas diretas ou marketing multinível

Muitas vezes é ténue a separação entre esquemas fraudulentos e venda direta. Começamos por esclarecer que, em Portugal, o modelo de negócio venda direta, em que foi pioneira a marca de caixas de plástico Tupperware, é legal. Empresas como a Avon e a Oriflame na cosmética e a Vorwerk, que comercializa o conhecido robô de cozinha Bimby, são exemplos deste tipo de funcionamento. Estas empresas transformam os seus próprios clientes em vendedores em vez de organizar toda uma estrutura de marketing e distribuição. Ao recorrer a uma rede de revendedores, o que pode acontecer é que as organizações que baseiam a sua atividade na venda direta criam a máscara perfeita para desenvolver um esquema em pirâmide. E este não pode dispensar o recrutamento de novos membros para crescer. Note a diferença: num sistema de vendas diretas, quem está na base da pirâmide apenas ganha em função das vendas que fizer. Em contrapartida, nos esquemas em pirâmide prometem-se rendimentos garantidos a todos os participantes, independentemente do seu nível.

 

Estar a receber agora não significa que vá ganhar no futuro

Uma questão muitas vezes colocada prende-se com o facto de saber se se pode tratar de burla no caso de estarem a ser pagos os rendimentos prometidos aos participantes. Ora, este é o principal erro das vítimas. Todos os esquemas em pirâmide, sem exceção, pagam os rendimentos que prometem – mas apenas aos primeiros investidores. Os esquemas precisam do passa-palavra para se difundir e crescer. Não iriam muito longe se defraudassem logo o primeiro nível de participantes. A frase atribuída ao célebre investidor americano Warren Buffet ajuda-nos a perceber. “Se estiver a uma mesa de poker e não souber quem é o “papalvo” do jogo, provavelmente é você”. Dito de outra forma, se estiver a participar numa pirâmide e não estiver no topo a probabilidade de vir a ser o “papalvo do jogo” (quem sai a perder) é alta.

 

 

Uma ilusão que custa caro

Um esquema em pirâmide é sempre insustentável, a única questão é saber quanto tempo dura. Para pagar os rendimentos elevados a um número cada vez maior de participantes, é necessário um recrutamento constante – o que rapidamente deixa de ser viável. A diferença entre um negócio, onde há sempre risco, e uma organização deste tipo é esta: em qualquer negócio existe apenas a probabilidade de falhar, enquanto num esquema em pirâmide sabemos de antemão que vai falhar, criando mais perdedores do que ganhadores. Três dos esquemas mais famosos são os casos Madoff, Afinsa e Telexfree.

 

Como sair destas teias?

Em caso de dúvida, o primeiro passo é contactar o nosso Serviço de Informação, através do 808 200 147 (só rede fixa) ou do 218 418 789 (qualquer rede). Siga ainda estas recomendações:

 

  • Pare de entregar dinheiro mesmo que lhe digam que um novo pagamento permitirá recuperar o que já investiu.
  • Junte toda a documentação onde constem as promessas que lhe foram feitas.
  • Denuncie a organização junto da CMVM, Banco de Portugal, Instituto de Seguros de Portugal, Polícia Judiciária (Direcção Central de Investigação da Corrupção e Criminalidade Económica e Financeira) e Ministério Público (Departamento Central de Investigação e Acção Penal).

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