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Jorge Duarte

Economista

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Euroconsumers

Economias em destaque: Zona Euro, Austrália, África do Sul, política monetária

Há 6 dias - terça-feira, 11 de junho de 2019
Jorge Duarte

Economista

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Na Austrália o crescimento fraqueja e na África do Sul a economia encolhe. Na Zona Euro assiste-se a uma queda acentuada da inflação.

Fed veio socorrer os investidores

Os mercados da dívida estão a dar sinais bastante perturbadores. As obrigações alemãs a 10 anos são negociadas com taxas negativas abaixo de -0,2%, o menor valor desde a reunificação do país. 

E não é caso isolado. A taxa da dívida helvética está em -0,5%, perto do mínimo histórico. Nos EUA, a curva de rendimentos está invertida com a taxa a 12 meses acima dos juros a 10 anos. 

No Japão, a dívida soberana é controlada pelo banco central, mas há obrigações “lixo” de empresas com compradores a exigir apenas 1%, o que é inédito. O regresso do risco e a fuga dos investidores para ativos de qualidade e menor risco são compreensíveis. A realidade é que deterioração das relações entre a Casa Branca e o resto do mundo levanta preocupações sobre o futuro próximo da economia mundial.

Dado o mau momento das bolsas, a Reserva Federal veio novamente em socorro dos investidores. O seu presidente, Jerome Powell, não disse nada de novo. Contudo, ao reiterar que agirá para atingir as metas de emprego e inflação e mencionando as disputas comerciais, a Fed deu sinais de estar atenta.

Para os investidores soou a mudança na política monetária da Fed e a um corte das taxas dos EUA para breve. Nesse contexto, o euro ganhou ao dólar que ainda continua sobrevalorizado e limita o potencial das ações norte-americanas. Atualmente, estas estão apenas presentes na carteira agressiva. Por seu turno, os juros das obrigações em dólares continuam mais atrativos e estas integram todas as carteiras.

Zona euro: inflação em baixa acentuada

A estimativa rápida do Eurostat mostra uma queda acentuada da inflação. Em maio, os preços ao consumidor subiram apenas 1,2% face ao mesmo mês de 2018 (1,7% em abril). Só a energia continua a impulsionar a inflação, com um aumento de 3,8%. No entanto, o preço do petróleo caiu cerca de 20% face aos máximos de abril. Logo, é muito provável que esse impacto se atenue nos próximos meses. Excluindo o efeito dos bens energéticos, a inflação é agora de apenas 1%. 

Estes números estão consideravelmente aquém do objetivo de 2% do Banco Central Europeu e não se deverão alterar nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego continua a recuar. Em abril, caiu para 7,6%, o nível mais baixo desde que a série foi criada no ano 2000. 

Confrontado com uma conjuntura marcada por muitas incertezas, tudo leva a crer que o BCE vai optar por uma maior prudência na comunicação e continuará pronto para apoiar a economia em caso de choques e, na medida do possível, acalmar os mercados. 

As hipóteses de um aumento das taxas de juro em 2020 estão a diminuir e sobem as probabilidades de novas medidas para apoiar a economia e o sistema financeiro.

Austrália: crescimento fraqueja

Os últimos números mostram uma economia menos dinâmica. No primeiro trimestre de 2019, o PIB australiano cresceu 0,4% face trimestre anterior e 1,8% em termos homólogos. Um fraco resultado no contexto australiano. 

A debilidade deveu-se à queda de 1,5% no investimento, sobretudo imobiliário. Soma-se a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, país que absorve quase 30% das exportações australianas. Perante as dúvidas sobre a economia chinesa, os empresários australianos hesitam antes de investir. 

Para apoiar a economia, o banco central baixou a taxa de referência para 1,25%. É o nível mais baixo de sempre e não deve ficar por aqui. As ações australianas estão atrativas, mas os riscos associados à explosão da bolha imobiliária e a um dólar sobrevalorizado aconselham precaução.

África do Sul: economia encolhe

A contração da economia sul-africana no primeiro trimestre já era esperada, mas a magnitude surpreendeu: a queda foi de 3,2% (anualizada).

As falhas graves no fornecimento de eletricidade afetaram o país. Sem energia, os diversos setores viram a atividade diminuir: indústria (-8,8%,), extração mineira (-10,8%) e agricultura (13,2%). Esses fatores condenaram a economia ao pior desempenho desde 2009. 

No futuro imediato, não haverá milagres para a África do Sul. Esperamos um crescimento de apenas 0,5% para 2019 e de 1,2% para 2020. Temos que regressar a 2013 para encontrar crescimento acima de 2%. 

No entanto, dada predisposição reformadora do Presidente Ramaphosa, recursos naturais significativos e instituições relativamente fortes para um país emergente, as perspetivas de longo prazo são melhores.

Além disso, o rand está subvalorizado face ao euro e as empresas locais são altamente competitivas no ecossistema africano. É uma região à qual a maioria das bolsas está pouco exposta e, como resultado, Joanesburgo tem uma baixa correlação com a generalidade dos outros ativos financeiros. 

Assim, as ações sul-africanas são interessantes, mas perante os riscos significativos, apenas “merecem” 5% da nossa carteira agressiva.

 

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