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Jorge Duarte

Economista

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Euroconsumers

Economias em destaque: Estados Unidos, China, Reino Unido, Brasil

Há 2 meses - segunda-feira, 13 de maio de 2019
Jorge Duarte

Economista

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A guerra comercial entre Estados Unidos e China aumentou de tom. O Reino Unido continua a crescer e o Brasil luta ainda para sair da crise.

A guerra comercial em números

Em março, o défice comercial norte-americano atingiu 50 mil milhões de dólares. Desde o início do ano já acumula 150,4 mil milhões. Em 2018, o défice atingiu um máximo histórico de 622 mil milhões de dólares. Para Donald Trump, esses números mostram que ainda há muito a fazer para reduzir significativamente o défice americano. 

Ao mesmo tempo, assente nos valores do comércio externo nos últimos meses, acredita que o método adotado contra a China é o caminho certo. Em março, o défice face ao gigante chinês caiu para o nível mais baixo em cinco anos, mas ficou relativamente estável em relação à União Europeia, que não está sujeita às mesmas sanções comerciais. Uma evolução que valida a relevância das tarifas alfandegárias aos olhos do presidente dos EUA.

Para Pequim, a leitura é bem diferente. Em abril, as exportações chinesas caíram 2,7% em termos homólogos, enquanto as importações avançaram 4%. O excedente comercial da China foi de 13,8 mil milhões de dólares, cerca de metade dos 26,2 mil milhões observados em abril. Além disso, em 2018, a China registou o menor excedente anual desde 2013. Nesta perspetiva, para Pequim, os excessos já foram amplamente corrigidos.

O facto é que este choque de visões acabou com a trégua comercial. Apesar de ainda decorrerem negociações, o presidente Trump decidiu escalar o conflito comercial, aumentando as tarifas em vigor e prometendo alargar o seu âmbito. Esta decisão e o eventual colapso de um acordo com a China terão impactos importantes a nível global.

Aceleração do crescimento britânico

No início do ano, a atividade económica no Reino Unido foi dinâmica. O PIB registou um crescimento de 0,5% no primeiro trimestre, contra apenas 0,2% durante os últimos três meses de 2018. Em termos homólogos, a taxa de crescimento subiu de 1,4% para 1,8%.

A saída do Reino Unido da União Europeia, que era para se ter efetivado em 29 de março, afetou a economia. O impacto foi mesmo positivo, mas temporário. Receando um Brexit sem acordo, que teria interrompido o fluxo de bens através das fronteiras e um disparo dos preços, os britânicos optaram por fazer stocks. O consumo das famílias subiu de 0,7% em comparação com os três meses anteriores. A constituição de stocks, especialmente a nível médico, também fez disparar os gastos públicos.

Sempre um passo à frente do Brexit, a atividade industrial também esteve dinâmica, registando o maior aumento trimestral desde 1988. No primeiro trimestre, as fábricas funcionaram em plena capacidade, em antecipação de uma possível interrupção. Ao mesmo, foram feitos encerramentos temporários foram programados depois de 29 de março para impedir que os funcionários trabalhassem sem dispor de fornecimentos.

Em suma, todo o impulso temporário deverá agora ser invertido com o adiamento do Brexit. O segundo trimestre deverá pautar-se por um abrandamento na indústria e no consumo. 

Com um bom rendimento do dividendo, em média, as ações britânicas mantêm-se ainda interessantes e estão presentes nas nossas três carteiras.

Brasil: taxas não mexem

Na última reunião, o banco central brasileiro decidiu não mudar a política monetária. A taxa de juro diretora permaneceu no mínimo histórico de 6,5%. Tendo em conta que a inflação está contida (4,9% em abril), é possível manter os juros baixos para dar algum estímulo à economia brasileira, que continua em dificuldade para sair da crise. 

O crescimento da atividade económica ficou-se por apenas 0,1% no quarto trimestre de 2018 e os últimos indicadores não apontam para uma aceleração no início deste ano. 
Depois de terem estagnado em fevereiro, as vendas a retalho, aumentaram apenas 0,3% em março. Face ao mesmo período do ano passado há uma queda de 4,5%. Para investir no Brasil, recomendamos apenas as obrigações soberanas em reais.

economias 13 maio 2019

 

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