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Economias em destaque: Zona Euro, Estados Unidos, China e Japão

Há 29 dias - segunda-feira, 20 de maio de 2019
Os ataques dos Estados Unidos a um dos campeões chineses de tecnologia, a gigante Huawei, aumentam a tensão.

Zona Euro: recuperação confirmada

A recuperação da economia europeia confirma-se. Para o primeiro trimestre, a estimativa rápida do Eurostat indica um crescimento de 0,4% face ao trimestre precedente (quando foi de 0,2% no quarto trimestre de 2018) e de 1,2% em termos anuais, números idênticos aos dos dados preliminares.

Algumas taxas de crescimento eram já conhecidas, como é o caso da França, Itália e Espanha, mas só agora se confirmou o muito aguardado regresso do crescimento alemão. 
Após um último trimestre de 2018 marcado pela estagnação, a principal economia europeia viu a atividade económica expandir 0,4% face ao trimestre precedente e 0,7% em termos anuais. São valores ainda medíocres, mas permitem cortar com o segundo semestre de 2018 onde esteve perto de uma recessão.

Os vários indicadores económicos publicados desde o fim do primeiro trimestre deixavam adivinhar este retorno (moderado) do crescimento. Mas parece cada vez mais evidente que a economia mundial está em fim de ciclo e, amparada por bancos centrais muito acomodados, tenta uma aterragem suave, na medida do possível, após um longo período de expansão. 

Com uma inflação benigna (confirmada pelo Eurostat em 1,7%), parece ser capaz de o vir a conseguir. Mas para isso é necessário evitar a multiplicação de choques inesperados, como o reacendimento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. Algo que só complica a tarefa dos investidores e dos bancos centrais.

Estados Unidos e China: guerra de tarifas sobe de nível

Pouco mais de uma semana após o tweet de Donald Trump em que este ameaçava com a imposição de mais tarifas sobre as importações chinesas, e logo após a entrada em vigor dessas tarifas mais elevadas sobre 200 mil milhões de dólares de produtos chineses, a China anunciou a sua resposta. E assim, os ânimos aquecem.

Do lado do presidente americano, a ideia é avançar progressivamente até que todos os produtos chineses estejam sujeitos a tarifas em torno de 25%, para maximizar a pressão sobre a segunda economia mundial e a forçar a ceder. Os ataques de Washington a um dos campeões chineses de tecnologia, a gigante Huawei, aumentam a tensão.

A resposta chinesa foi bem mais reduzida. Não afeta mais de 6o mil milhões de dólares de produtos americanos. Mas o governo chinês subiu também o tom. Além da lista de produtos anunciada, fez saber que está a estudar a possibilidade de pura e simplesmente parar de comprar produtos agrícolas americanos. Uma decisão que seria catastrófica para o setor agrícola americano e os estados do Midwest, onde Trump é muito popular.

Japão: saneamento em causa

Esperado há vários anos, o aumento do IVA no Japão pode ser adiado novamente. Atualmente em 8%, o IVA sobre bens e serviços deverá aumentar para 10% em outubro. 
Da última vez que subiu de 5% para 8%, em abril de 2014, afetou a confiança das famílias e a procura doméstica, mergulhando o país numa recessão. O Governo receia um cenário semelhante e por isso pondera reavaliar o aumento fiscal à luz da situação económica e dos acontecimentos das últimas semanas. 

É verdade que as ameaças ao comércio mundial representam riscos significativos para a economia do país. Em condições normais, a consolidação das contas públicas deveria ser prioritária: em 2018, o défice orçamental foi de "apenas" 3,8% do PIB, mas o Japão registou na última década um défice médio de mais de 6% e a dívida pública aproxima-se de 240% do PIB. 

Mas o país distingue-se por ser extremamente rico em poupança e sua dívida é em grande parte detida por famílias e bancos no país. Claramente, a dívida do Japão é um porto seguro. Quando os mercados azedam, os investidores japoneses repatriam os ativos, forçando o iene e a cotação da dívida japonesa a subir.

economias 20 maio 2019 

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